Hapvida (HAPV3) divulga balanço do 3T24 e ação fica entre as maiores quedas do Ibovespa após conferência de resultados; o que desagradou o mercado?
A operadora de saúde anunciou um lucro líquido ajustado de R$ 324,5 milhões, uma alta de 24,3% ante um ano antes; saiba o que fazer com os papéis

Na sessão seguinte à divulgação dos resultados do terceiro trimestre, as ações da Hapvida (HAPV3) operam entre as maiores quedas do Ibovespa nesta quarta-feira (13).
Por volta das 15h18, os papéis HAPV3 caíam 6,04%, a R$ 3,11. No mesmo horário, o principal índice da bolsa brasileira caía 0,33%, aos 127.274,13 pontos. No ano, as ações da operadora de saúde acumulam queda de 25%. A empresa vale R$ 23 bilhões na bolsa.
Ações em queda após balanço e conferência com analistas
A queda nos papéis da Hapvida vem após um 3T24 considerado de ruim para neutro pelo mercado, apesar da melhora no resultado. A empresa anunciou um lucro líquido ajustado de R$ 324,5 milhões no terceiro trimestre, uma alta de 24,3% ante um ano antes.
Considerando os ajustes contábeis, a Hapvida teve um prejuízo líquido de R$ 71,3 milhões.
O Ebitda ajustado cresceu 2,8% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 726,6 milhões. A margem Ebitda teve leve queda de 0,4 ponto percentual, ficando em 10,4%.
Já a receita líquida atingiu R$ 7,337 bilhões, um crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2,6% em comparação ao trimestre anterior.
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Entretanto, a sinistralidade caixa da Hapvida apresentou variação no trimestre. Apesar da melhora de 1,5 ponto percentual em comparação ao mesmo período de 2023, atingindo 70,4%, houve um aumento de 0,1 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.
Nas operadoras de saúde, a sinistralidade é um indicador utilizado para representar a proporção dos custos assistenciais (como exames, consultas, internações e outros procedimentos) em relação à receita obtida com as mensalidades pagas pelos beneficiários.
Em termos práticos, é a porcentagem do dinheiro recebido pela operadora de saúde que é usada diretamente para cobrir despesas médicas e hospitalares dos beneficiários.
Segundo a operadora de saúde, os resultados foram influenciados por fatores como a demanda sazonal, a seca prolongada e as variações climáticas, que aumentaram a procura por atendimento médico. Teve também o adiamento de procedimentos eletivos no segundo trimestre, em decorrência do surto de dengue, que impactou os resultados do período.
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Hapvida vai elevar preços
Além da frustração do mercado com os números do terceiro trimestre, os investidores da Hapvida repercutem a videoconferência da companhia para comentar os resultados.
Durante a apresentação aos analistas, a operadora de saúde reclamou do que chamou de “aumento expressivo” na busca de clientes do setor por proteção da Justiça. Por conta disso, a empresa considera elevar seus preços em todas as tabelas como compensação.
“Estamos repensando o modelo de precificação para absorver com eficiência a judicialização”, disse o presidente-executivo da Hapvida, Jorge Fontoura Pinheiro Koren.
Entre os exemplos da queixa da empresa hospitalar estão clientes dos planos de saúde que recorrem à Justiça para que seus planos cubram novos tratamentos experimentais e fora de períodos de carência, segundo o executivo da empresa, que planeja um reajuste em 2025.
Segundo o diretor financeiro da Hapvida, Luccas Augusto Adib, as provisões envolvendo processos judiciais foram de R$ 548 milhões no 2T14 para R$ 753 milhões no 3T24. Os bloqueios judiciais passaram de R$ 736 milhões para R$ 869 milhões no período.
"O bloqueio não impacta o resultado a priori, mas sequestra caixa", falou o executivo. Isso porque há casos em que o valor não precisa ser desembolsado por não ter havido uma decisão favorável ao beneficiário. Por conta disso e de acordos extrajudiciais, "nem todo processo com bloqueio demanda provisão", afirmou o CFO da operadora de hospitais.
O que fazer com as ação HAPV3 da Hapvida?
Para o BB Investimentos (BB-BI), a Hapvida teve resultados neutros no terceiro trimestre.
Apesar da “modesta melhora” na sinistralidade caixa em relação ao 2T24, os avanços em 2024 refletem a eficiência no empenho da estratégia de verticalização e controle de custos, de acordo com os analistas, que mantêm recomendação de compra para HAPV3.
O preço-alvo para os papéis no final de 2025 é de R$ 5,50, equivalente a uma alta de 66% sobre o fechamento anterior da ação, que foi negociada a R$ 3,31 na terça-feira (12).
Na visão dos analistas do Citi, a Hapvida apresentou resultados mistos no terceiro trimestre, com destaque para a adição líquida de 7.900 beneficiários após seis trimestres de perda líquida e para a queda de 25% nas vendas hospitalares ano a ano, apesar do avanço.
O banco espera que os resultados sejam recebidos de forma positiva devido à alta do Fluxo de Caixa Livre para o Acionista (FCFE), ao controle com as despesas judiciais e a reversão das perdas líquidas de beneficiários, compensando a fraqueza nas margens.
O Citi também manteve recomendação de compra para os papéis da Hapvida, com preço-alvo de R$ 6, equivalente a uma alta de 81% sobre o fechamento anterior.
Resultados fracos e abaixo das expectativas
Diferente de trimestres anteriores, a Hapvida apresentou resultados fracos e abaixo das expectativas no terceiro trimestre, na visão dos analistas do BTG Pactual.
“Dado o aumento dos processos judiciais em 2024, já esperávamos provisões maiores para contingências, mas os resultados divulgados foram piores do que essa expectativa ajustada. Mesmo com essas provisões mais fracas, entendemos que a recente queda das ações já refletiu uma postura mais conservadora sobre essas provisões no futuro”, afirma.
No entanto, o banco destacou alguns pontos positivos importantes, como o fluxo de caixa, a reversão da perda de beneficiários na base de saúde e um ticket médio forte.
O BTG manteve recomendação de compra para HAPV3, com preço-alvo de R$ 6 para 2025.
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