Exclusivo: B3 (B3SA3) avalia compra da CRDC para avançar em registro de recebíveis
CRDC tem como única acionista a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que contratou a Laplace para encontrar um sócio para o negócio, dizem fontes

Com o monopólio do principal negócio ameaçado, a B3 (B3SA3) está se mexendo para ganhar espaço em outros mercados. A dona da bolsa de valores brasileira está entre as interessadas na aquisição de uma participação na Central de Registro de Direitos Creditórios (CRDC), apurou o Seu Dinheiro.
A CRDC tem como única acionista a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que contratou a Laplace para encontrar um sócio para o negócio, segundo fontes a par do assunto.
A empresa que está no alvo da B3 atua no registro de ativos financeiros, duplicatas e apólices de seguros. Em outras palavras, a CRDC é responsável por verificar tanto a existência como a disponibilidade dos ativos para serem usados, por exemplo, como garantia de financiamentos.
Esses são os dois principais riscos de bancos e fundos (FIDCs) que operam na concessão de crédito com lastro em recebíveis.
O mercado de registro de operações com recebíveis é relativamente pequeno, ainda mais em comparação com os bilhões que a B3 negocia diariamente. Mas o potencial é grande e o tema está na pauta do governo para a redução dos spreads bancários.
A estimativa é que o volume de novos recebíveis gerados todos os anos na economia é de aproximadamente R$ 25 trilhões. Desse total, contudo, menos de 10% viram garantia em operações de crédito.
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Procurada, a ACSP, a B3 e a CRDC informaram que não comentariam o assunto.
B3 tem concorrentes no segmento
Ao contrário do negócio de bolsa, no qual a B3 ainda é a única plataforma em operação no país, o serviço de registro de ativos conta com vários competidores. Entre as empresas que atuam nesse segmento estão a Cerc, CSD e Nuclea — também potenciais candidatas à compra da CRDC.
Aliás, a própria B3 já atua no registro das operações de recebíveis com cartão — quando o lojista antecipa os recursos que têm a receber das vendas no crédito.
Desse modo, uma eventual aquisição da CRDC ampliaria a atuação da dona da bolsa nesse segmento, e com um parceiro de peso como a Associação Comercial de São Paulo.
A ACSP, vale lembrar, também era sócia da Boa Vista, empresa que abriu o capital na B3 em 2021, mas foi comprada pela Equifax no ano passado.
A CRDC e a regulação
O Banco Central tornou obrigatório o registro das operações com recebíveis de cartão em 2021. De lá para cá, o volume de antecipações pelos bancos apresentou forte crescimento, ao mesmo tempo em que o spread das operações caiu.
A expectativa é que o mesmo movimento aconteça com a entrada em operação da duplicata escritural nos próximos anos, que vai digitalizar os títulos que representam operações de venda de mercadorias a prazo.
Assim, todas as transações passarão por registro em empresas como a CRDC. O que deve dar mais segurança aos bancos e fundos para conceder crédito para antecipar esses recebíveis. A expectativa, por consequência, é de uma redução nas taxas de juros dos financiamentos.
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