Como o dólar impacta JBS (JBSS3), BRF (BRFS3), Marfrig (MRFG3) e outras empresas brasileiras do agro e bebidas? Relatório do BTG responde
Análise leva em conta um cenário com o câmbio de R$ 5,50 por dólar para 2025, em linha com o que o banco já prevê para o próximo ano

A recente depreciação da moeda brasileira frente ao dólar pode ajudar ou atrapalhar quais negócios dos setores do agronegócio e bebidas? Se você está com esta mesma pergunta em mente, o relatório do BTG desta sexta (29) pode te dar algumas respostas.
De acordo com o documento, enquanto JBS (JBSS3) e BRF (BRFS3)j podem se beneficiar da alta da moeda americana, Marfrig (MRFG3) pode se encrencar ainda mais quando considerada a dívida da empresa.
Para a conclusão os analistas do BTG levaram em conta algumas variáveis, como os impactos nos fluxos de caixa de médio prazo das empresas brasileiras com um nível de câmbio mais alto e sustentável no Brasil.
Também foi levado em conta um cenário com o valor de R$ 5,50 por dólar para 2025, em linha com o que o banco já prevê para o próximo ano.
“Embora reconheçamos que há diferentes maneiras de analisar o impacto da variação cambial em empresas com exposição de balanço à moeda americana, acreditamos que esta é a abordagem correta, pois consideramos os impactos de caixa na receita, custos e dívida, assumindo que o Real é a única variável na análise e que as taxas de câmbio médias de médio prazo e de fim de período irão convergir”, afirmam os analistas no relatório.
Também foi considerado o impacto final do fluxo de caixa antes dos impostos como um percentual do valor de mercado atual, o que, em última análise, sinaliza o quanto os investidores que compram nos preços atuais das ações são potencialmente alavancados para um novo cenário.
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“O valor da maioria dos exportadores de proteínas e empresas com operações no exterior (Minerva, JBS e BRF) deve ser impactado positivamente, pois depreciamos as previsões de câmbio em nossos modelos”, traz o relatório.
O oposto, aponta o documento, é verdadeiro para empresas com operações domésticas e custos em dólar, principalmente M. Dias Branco (MDIA3).
No caso da Ambev (ABEV3), “os impactos negativos dos custos são mitigados pelo fato de que ela gera cerca de 43% das vendas em países além do Brasil, o que implicaria um efeito positivo ao traduzir esses números para a moeda brasileira”, aponta a análise.
Dos grandes frigoríficos, a Marfrig é a empresa que mais seria afetada:
“A Marfrig é a única exportadora que sofre um impacto negativo da depreciação cambial em seu valor de dívida pendente. Enquanto outros exportadores veem seus ganhos de EBITDA mais do que compensando as maiores despesas financeiras, as baixas margens da Marfrig e a dívida líquida denominada em dólar de R$ 14 bilhões significam que a depreciação do Real afeta negativamente o fluxo de caixa da empresa”.
Agronegócio
No Agronegócio, o relatório aponta que a SLC Agrícola (SLCE3) se beneficiaria mais da depreciação do Real devido às suas pesadas receitas em dólar (parcialmente compensadas pelos custos na moeda americana).
Também considera que a moeda brasileira não impactaria o preço de negociação do açúcar e do etanol porque o Brasil é um formador de preços, historicamente. Isso significa que os preços de exportação não devem mudar muito com base em uma moeda mais fraca.
“Assumimos que nossa receita de açúcar é exposta em dólar (já que a maior parte do açúcar produzido no Brasil é exportado). Do lado do etanol, os investidores podem argumentar que os preços podem variar junto com o câmbio, dado que os preços da gasolina devem fazer o mesmo”, afirmam os analistas do banco.
Ainda assim, o BTG continua a encarar o açúcar como o principal impulsionador de longo prazo dos preços do etanol, dada a flexibilidade das usinas para mudar a mistura. Se a Petrobras decidir repassar taxas de câmbio mais altas para os preços da gasolina, a alta do etanol pode ser ainda maior”.
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