Cemig (CMIG4) ou Copasa (CSMG3)? BTG Pactual analisa privatizações e diz qual gigante mineira tem maior potencial
Enquanto o governo de Minas Gerais demonstra otimismo sobre a privatização, analistas avaliam os desafios legislativos e o potencial de valorização das empresas

As mineiras Cemig (CMIG4) e Copasa (CSMG3) voltaram ao radar depois que o vice-governador do estado, Mateus Simões, protocolou na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) dois projetos de lei que podem levar à privatização das estatais.
Apesar dos desafios e do ceticismo do mercado, Simões disse em entrevista ao Brazil Journal na semana passada estar confiante de que as duas privatizações vão sair do papel. Os analistas do BTG Pactual, no entanto, não estão tão otimistas quanto ele.
Em relatório nesta segunda-feira (25), o banco aposta na privatização da companhia de saneamento Copasa em vez da gigante de energia Cemig, "que já se valorizou bastante devido à reestruturação eficiente e aos altos dividendos que tem pago".
"Não vemos muito potencial de ganho adicional com a privatização da empresa integrada de energia. Por exemplo, o valor de mercado em relação à base de ativos regulatórios (EV/RAB) do setor de distribuição já está no mesmo nível da Copel", afirmam os analistas.
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As privatizações de Cemig (CMIG4) e Copasa (CSMG3)
Embora as empresas já possuam capital aberto na bolsa, o governo mineiro é quem detém o controle das companhias como acionista majoritário. Com a privatização, o estado perde o controle acionário das empresas, pulverizando o capital entre investidores privados.
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Essas iniciativas fazem parte de uma estratégia mais ampla do estado para enfrentar a dívida de R$ 165 bilhões. Mesmo com a injeção bilionária, o mercado financeiro tem reagido de maneira cética sobre as possibilidades reais de a privatizações acontecerem.
Seja como for, ambas propostas ainda precisam passar pelas comissões e pelo plenário da Assembleia para que as empresas tenham chances reais de privatização.
Para isso, o governo Zema tenta acabar com a necessidade de referendo desde agosto, quando enviou um outro PL para a Assembleia, mas não conseguiu avançar ainda.
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O que acontece com as ações das empresas se forem privatizadas?
O plano para a Cemig envolve convertê-la em uma corporação sem acionista controlador definido, mas com o estado de Minas ainda detendo participação acionária e poder de veto.
Já para a Copasa, a proposta inclui a alienação total ou parcial da participação do estado.
Simões sugere que a troca das ações preferenciais (PN) por ações ordinárias (ON) seria feita com um prêmio (favorecendo as ações ON).
Atualmente, as ações ON têm um valor bem mais alto, pois oferecem direitos de tag along — que garantem aos minoritários a chance de negociar suas ações nas mesmas condições do acionista controlador em caso de venda da empresa —, ressaltam os analistas do BTG.
No entanto, o processo de privatização, que transformará a companhia em uma corporação, pode diminuir a atratividade desses direitos, na visão do banco.
O vice-governador também menciona, em entrevista ao Brazil Journal, que a Cemig seria privatizada como uma corporação para, em seguida, ser "federalizada". Ele afirma que o governo federal deseja evitar comprar as ações dos minoritários — barrando o tag along.
“Essa ideia é bem incomum e levanta várias questões. Por exemplo: quanto um investidor estaria disposto a pagar pelas ações detidas pelo estado, se o objetivo final fosse se tornar minoritário no governo federal (mesmo que este controle apenas 20% das ações)?”, indaga o BTG.
Além disso, os analistas do BTG também questionam qual tipo de governança seria necessária para que os investidores “se sentissem seguros em comprar essas ações”.
Vale lembrar que o banco tem recomendação neutra para as ações da Cemig (CMIG4), com preço-alvo de R$ 12,60. O valor indica um potencial de valorização de 8,34%.
Para a Copasa (CSMG3), a recomendação também é neutra, com preço-alvo é de R$ 20,70, equivalente a uma queda de 17,82% sobre o fechamento anterior da ação.
“Bom para todos os casos”
Em relatório recente, analistas do JP Morgan afirmaram que ambas propostas são positivas, “embora a atual gestão da Cemig tenha feito um bom trabalho administrando a empresa.”
“A privatização garantiria que essa gestão continue a administrar a empresa mesmo sob diferentes configurações políticas em Minas Gerais, aumentando a probabilidade de perpetuar as eficiências obtidas nos últimos seis anos. No caso da Copasa, a empresa tem muito mais espaço para aumentar a eficiência e melhorar o arcabouço regulatório, portanto, uma geração maior de valor”, diz o relatório.
Você pode conferir a análise completa aqui.
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