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O banco mantém a recomendação de compra para a ação, além de ser a ação preferida do setor — ela é negociada a 13 vezes o preço da ação sobre o lucro estimado

Uma sombra tem encoberto os resultados da Localiza (RENT3) nos últimos três anos, e ela vem da China. A locadora enfrentou uma depreciação dos seus carros por conta da invasão e veículos chineses no Brasil, o que levou a três impairments em anos consecutivos.
No entanto, embora a segunda leva vinda do Oriente esteja à porta, o BTG Pactual acredita que ela não deve afetar tanto assim a Localiza.
É por isso que o banco mantém a recomendação de compra para a ação, além de ser a ação preferida do setor — ela é negociada a 13 vezes o preço da ação sobre o lucro estimado.
O preço-alvo é de R$ 65, o que representa um retorno potencial de 25%. A ação RENT3 subiu 16,24% desde o começo do ano e 29,47% nos últimos 12 meses.
Prever qual será a depreciação de um veículo é essencial para o negócio de locação e venda de seminovos, mas é justamente a variável mais difícil, diz o banco, em relatório.
"Daqui para frente, acreditamos que a companhia chegou a um panorama mais estável, baseado tanto no nosso monitoramento mensal de condições de mercado quanto na performance da empresa no seu negócio de seminovos", afirmou o BTG.
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Dez anos atrás, JAC e Caoa Chery eram as marcas chinesas conhecidas no Brasil. Hoje, já há muito mais opções, e 13% de todos os carros que rodam no Brasil vêm de fabricantes chinesas.
A primeira onda foi caracterizada pela entrada de modelos como BYD Dolphin Mini, BYD Seal, Tiggo 8 Pro, Haval H6, Ora 03 e Arrizo 6. São principalmente elétricos das marcas BYD e GWM, que já têm 6,36% e 2,56% do mercado, respectivamente.
Já a segunda traz novas marcas, com modelos como Leapmotor T03, GAC Aion ES, Omoda 5, Jaecoo 7, SAIC MG4 e Neta GT. A mudança é mais gradual, diz o relatório. Mais do que trazer produtos completamente diferentes, é uma expansão de portfólio e entrada de novas marcas.
Entre os efeitos da entrada de carros chineses no mercado, está a pressão no valor de veículos novos, a liquidez e queda de valor dos usados e a mudança na frota da própria Localiza.
O preço de carros usados começou a cair a partir de 2022, pressionando as receitas da divisão de vendas de seminovos para a Localiza. Por outro lado, o valor de carros novos, que é um custo para a empresa, só subiu desde então.
"O maior gap entre os preços de novos e usados explica a maior depreciação dos últimos anos", diz o relatório. Investidores se perguntam quando essa diferença voltará a níveis normais, mas a segunda onda de carros chineses pode atrasar essa normalização.
No entanto, a segunda onda deve ser mais gradual e melhor absorvida pelo mercado, acredita o banco.
Para se proteger, a Localiza está incorporando parte desses novos veículos em sua frota, que já tem 1% de carros chineses. Além disso, deve ser mais conservadora com a depreciação, para acomodar os impactos da entrada desses veículos. Mesmo que a pressão de preço persista, a volatilidade será menor.
O banco estima receitas de R$ 48,58 bilhões para 2026, com lucro de R$ 4,33 bilhões, e receitas de R$ 52,41 bilhões para o ano seguinte, com lucro de R$ 4,97 bilhões.
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