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Larissa Bernardes

Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

SINAL AMARELO

Adeus, compra: JP Morgan rebaixa Klabin (KLBN11) e elege única favorita em papel e celulose; veja qual

Banco vê falta de gatilhos para a Klabin no curto prazo e cenário mais desafiador para a fibra longa e reforça aposta em concorrente

Larissa Bernardes
Larissa Bernardes
23 de abril de 2026
19:45 - atualizado às 17:46
Totem com o logo da Klabin (KLBN11) em frente à sede da empresa
Klabin (KLBN11) - Imagem: Divulgação

O JP Morgan azedou a visão para a Klabin (KLBN11) e decidiu pisar no freio: a recomendação foi rebaixada de compra para neutra. A revisão reflete um cenário mais fraco para a celulose de fibra longa e a falta de gatilhos no curto prazo. Enquanto isso, a fibra curta até segue firme, mas já dá sinais de que pode estar perto de um pico no ciclo.

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“Esperamos que os preços de fibra curta permaneçam sustentados no curto prazo, mas a demanda mais fraca por papel e spreads comprimidos da fibra longa devem limitar o potencial de alta”, escreveram os analistas do JP Morgan em relatório.

Segundo o banco, o rali recente dos preços, puxado por oferta restrita e custos mais altos, começa a perder força. O motivo: piora no humor global e aumento das incertezas, especialmente no campo geopolítico.

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“Embora a disciplina na oferta e a inflação de custos tenham sustentado os preços, riscos geopolíticos — especialmente o conflito no Oriente Médio — trouxeram cautela ao mercado, limitando a disposição dos compradores em aceitar novos aumentos”, diz o relatório.

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No caso da Klabin, o diagnóstico é direto: o desempenho operacional “balanceado e sólido” já está no preço. E, sem novos gatilhos claros, fica difícil enxergar uma nova pernada de alta para KLBN11.

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Com isso, o banco cortou o preço-alvo de R$ 26 para R$ 22, o que ainda implica um potencial de valorização de cerca de 21,5% em relação ao último fechamento.

Em reação, KLBN11 figurou entre as maiores quedas do Ibovespa nesta quinta-feira (23). As ações da Klabin fecharam em queda de 3,16%, cotadas a R$ 18,11. Na mínima pregão, o papel chegou a ser cotado a R$ 18,04.

Suzano vira a favorita do JP Morgan

Se a Klabin perdeu brilho, a Suzano (SUZB3) ganhou ainda mais destaque.

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Para o JP Morgan, a companhia é hoje a melhor aposta do setor na América Latina, sendo a única que oferece uma relação risco-retorno mais atrativa no cenário atual. A recomendação de compra foi mantida, com status de “top pick”.

Parte desse otimismo vem do valuation: a Suzano está sendo negociada a cerca de 5,2 vezes seu resultado operacional projetado para 2026 e pode entregar um retorno em caixa de aproximadamente 12,8% ao investidor.

Além disso, a empresa deve se beneficiar do aumento de produção com o ramp-up do projeto Cerrado e de uma queda relevante nos investimentos (capex) após a entrada em operação.

Ainda assim, nem ela escapou de ajustes: o preço-alvo foi reduzido de R$ 81 para R$ 74, impactado por revisões cambiais. Entretanto, o novo valor ainda indica um potencial de alta expressivo, superior a 58%.

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As ações da Suzano fecharam o pregão de hoje com queda de 1,39%, a R$ 46,49.

Oriente Médio muda o jogo

O pano de fundo dessa revisão é o aumento das tensões no Oriente Médio, com destaque para o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

Segundo o banco, o episódio mudou “abruptamente” o sentimento do mercado. O que antes era um cenário construtivo para o setor — com suporte de oferta restrita, estoques baixos e custos elevados — passou a conviver com mais incerteza.

O efeito prático aparece nas negociações: compradores mais cautelosos e menos dispostos a aceitar novos reajustes.

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Além disso, há risco direto para a demanda por papel e para as margens das empresas. Com custos de frete e insumos pressionados, pode ficar mais difícil repassar aumentos — o que aperta a rentabilidade.

“A fibra longa continua pressionada por estoques elevados e futuros fracos”, destacam os analistas.

Novas estimativas para a celulose

O JP Morgan também revisou seus números para os preços da celulose.

Para a fibra curta, a projeção subiu para US$ 615 por tonelada no segundo trimestre de 2026 — acima da estimativa anterior, mas ainda levemente abaixo da média histórica. Para o segundo semestre, os preços devem girar em torno de US$ 590 por tonelada.

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A revisão para cima reflete, principalmente, o aumento dos custos, como madeira e frete, além da incerteza adicional trazida pelo cenário geopolítico.

Já para a fibra longa, a expectativa é de US$ 715 por tonelada no segundo trimestre e US$ 740 nos trimestres seguintes, com spreads mais apertados na comparação anual.

No consolidado de 2026, o banco segue vendo um cenário positivo para o setor, com preços médios próximos de US$ 600 por tonelada, sustentados por uma oferta ainda controlada e poucas adições de capacidade.

*Com informações do Money Times

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