Adeus, compra: JP Morgan rebaixa Klabin (KLBN11) e elege única favorita em papel e celulose; veja qual
Banco vê falta de gatilhos para a Klabin no curto prazo e cenário mais desafiador para a fibra longa e reforça aposta em concorrente

O JP Morgan azedou a visão para a Klabin (KLBN11) e decidiu pisar no freio: a recomendação foi rebaixada de compra para neutra. A revisão reflete um cenário mais fraco para a celulose de fibra longa e a falta de gatilhos no curto prazo. Enquanto isso, a fibra curta até segue firme, mas já dá sinais de que pode estar perto de um pico no ciclo.
“Esperamos que os preços de fibra curta permaneçam sustentados no curto prazo, mas a demanda mais fraca por papel e spreads comprimidos da fibra longa devem limitar o potencial de alta”, escreveram os analistas do JP Morgan em relatório.
Segundo o banco, o rali recente dos preços, puxado por oferta restrita e custos mais altos, começa a perder força. O motivo: piora no humor global e aumento das incertezas, especialmente no campo geopolítico.
“Embora a disciplina na oferta e a inflação de custos tenham sustentado os preços, riscos geopolíticos — especialmente o conflito no Oriente Médio — trouxeram cautela ao mercado, limitando a disposição dos compradores em aceitar novos aumentos”, diz o relatório.
No caso da Klabin, o diagnóstico é direto: o desempenho operacional “balanceado e sólido” já está no preço. E, sem novos gatilhos claros, fica difícil enxergar uma nova pernada de alta para KLBN11.
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Com isso, o banco cortou o preço-alvo de R$ 26 para R$ 22, o que ainda implica um potencial de valorização de cerca de 21,5% em relação ao último fechamento.
Em reação, KLBN11 figurou entre as maiores quedas do Ibovespa nesta quinta-feira (23). As ações da Klabin fecharam em queda de 3,16%, cotadas a R$ 18,11. Na mínima pregão, o papel chegou a ser cotado a R$ 18,04.
Suzano vira a favorita do JP Morgan
Se a Klabin perdeu brilho, a Suzano (SUZB3) ganhou ainda mais destaque.
Para o JP Morgan, a companhia é hoje a melhor aposta do setor na América Latina, sendo a única que oferece uma relação risco-retorno mais atrativa no cenário atual. A recomendação de compra foi mantida, com status de “top pick”.
Parte desse otimismo vem do valuation: a Suzano está sendo negociada a cerca de 5,2 vezes seu resultado operacional projetado para 2026 e pode entregar um retorno em caixa de aproximadamente 12,8% ao investidor.
Além disso, a empresa deve se beneficiar do aumento de produção com o ramp-up do projeto Cerrado e de uma queda relevante nos investimentos (capex) após a entrada em operação.
Ainda assim, nem ela escapou de ajustes: o preço-alvo foi reduzido de R$ 81 para R$ 74, impactado por revisões cambiais. Entretanto, o novo valor ainda indica um potencial de alta expressivo, superior a 58%.
As ações da Suzano fecharam o pregão de hoje com queda de 1,39%, a R$ 46,49.
Oriente Médio muda o jogo
O pano de fundo dessa revisão é o aumento das tensões no Oriente Médio, com destaque para o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.
Segundo o banco, o episódio mudou “abruptamente” o sentimento do mercado. O que antes era um cenário construtivo para o setor — com suporte de oferta restrita, estoques baixos e custos elevados — passou a conviver com mais incerteza.
O efeito prático aparece nas negociações: compradores mais cautelosos e menos dispostos a aceitar novos reajustes.
Além disso, há risco direto para a demanda por papel e para as margens das empresas. Com custos de frete e insumos pressionados, pode ficar mais difícil repassar aumentos — o que aperta a rentabilidade.
“A fibra longa continua pressionada por estoques elevados e futuros fracos”, destacam os analistas.
Novas estimativas para a celulose
O JP Morgan também revisou seus números para os preços da celulose.
Para a fibra curta, a projeção subiu para US$ 615 por tonelada no segundo trimestre de 2026 — acima da estimativa anterior, mas ainda levemente abaixo da média histórica. Para o segundo semestre, os preços devem girar em torno de US$ 590 por tonelada.
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A revisão para cima reflete, principalmente, o aumento dos custos, como madeira e frete, além da incerteza adicional trazida pelo cenário geopolítico.
Já para a fibra longa, a expectativa é de US$ 715 por tonelada no segundo trimestre e US$ 740 nos trimestres seguintes, com spreads mais apertados na comparação anual.
No consolidado de 2026, o banco segue vendo um cenário positivo para o setor, com preços médios próximos de US$ 600 por tonelada, sustentados por uma oferta ainda controlada e poucas adições de capacidade.
*Com informações do Money Times
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