As Quatro Estações da economia: com “primavera” nos EUA e “outono” no Brasil, Kinea projeta oportunidades e riscos para o mercado em 2025
Em nova carta aos investidores, gestora ainda vê “inverno” para a China e Europa e destaca os ativos e setores que podem ser mais promissores ou desafiadores

As Quatro Estações, composta em 1723 por Antonio Vivaldi, é uma das obras mais conhecidas da música clássica. Mas na nova carta aos investidores divulgada nesta terça-feira (17) pela Kinea Investimentos, a série de quatro concertos para violino e orquestra e que representam as estações do ano também serve como analogia perfeita para os cenários econômicos que aguardam o mercado em 2025, na visão da gestora.
Se por um lado a gestora vê oportunidades nos Estados Unidos para o ano que vem, especialmente em ativos reais, dólar, tecnologia e ouro, por outro, os riscos no Brasil devem permanecer em 2025, na esteira da tensão com o cenário fiscal que permeou em 2024.
Ainda sobre a economia brasileira, a Kinea estima que o ano de 2025 será o “outono” por aqui: uma fase de desaceleração após um período de forte crescimento. Esse período de desaceleração é marcado por desafios e dificuldades para os ativos brasileiros.
Na análise da Kinea, a perspectiva para a economia chinesa em 2025 é descrita como um “inverno”. O país asiático, que já foi visto como a locomotiva do mundo, enfrenta problemas que podem resultar em um período difícil, apesar dos estímulos promovidos pelo governo.
Confira os principais riscos e oportunidades para 2025, segundo a Kinea:
A primavera: a nova administração de Donald Trump nos Estados Unidos
Na visão da gestora, o retorno de Donald Trump à Casa Branca em seu novo mandato como presidente dos Estados Unidos pode trazer um “renascimento de ativos reais”.
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Bancos e pequenas empresas americanas que ficaram estagnadas nos últimos anos devem se beneficiar de políticas de corte de impostos, desregulamentação e tarifação.
Já o dólar americano também pode passar por uma “nova primavera”, impulsionado pela expectativa de tarifas e forte atividade econômica. Além disso, a taxação pode gerar desvalorização do câmbio do país exportador e um fortalecimento do dólar em 2025.
O Verão: a economia norte-americana e o processo de inteligência artificial
De acordo com a Kinea, a economia norte-americana em 2025, em fase madura e consolidada, tem tudo para ser o “verão” das Quatro Estações de Vivaldi.
A gestora acredita que o “excepcionalismo americano” deve se manter em 2025 devido às novas tarifas a serem implementadas, desregulamentação e corte de impostos.
A inteligência artificial (IA) também deve manter seu momento de crescimento, principalmente em áreas como cloud, semicondutores e software. A infraestrutura para IA também deve continuar em ascensão, tendo a gigante Nvidia e Marvell como protagonistas.
Empresas como a Amazon Web Service (AWS), braço de computação em nuvem da Amazon e a Oracle também devem se beneficiar do crescimento da demanda por processamento em IA e por aplicações de IA generativa para o consumidor final.
Kinea: Ouro deve continuar brilhando no calor do verão
Outro ativo que deve permanecer em um constante verão em 2025 é o ouro, diz a Kinea.
“Sem oportunidades de investimentos após o estouro da bolha imobiliária, a população chinesa se encontra com limitadas opções de investimento, em um sistema fechado que oferece juros baixos e um mercado de ações errático”, de acordo com a gestora.
“Continuamos a considerar que a combinação de demanda por diversificação dos bancos centrais, por razões geopolíticas, combinada com a demanda chinesa pelo metal, deve continuar a impulsionar o ouro em 2025”.
Outono: o peso dos juros e ajuste fiscal na economia brasileira
A gestora prevê que a economia brasileira deve desacelerar em 2025 após um período de forte crescimento, devido à trajetória de alta dos juros e menor crescimento dos gastos públicos. Para a Kinea, o cenário doméstico rodou em "esteróides" nos últimos dois anos.
Já a bolsa brasileira também deve enfrentar dificuldades no ano que vem, impactada por um crescimento menor e juros mais altos. “O outono vem representar ativos que já passaram pelo verão, e se encontram agora menos favorecidos e em desaceleração”.
De acordo com a Kinea, o Brasil hoje “carece de equilíbrio em suas variáveis macroeconômicas”. Com uma relação dívida/PIB já elevada em 80%, conta de juros próxima de 7% do PIB, e quase metade dessa dívida diretamente atrelada à Selic.
Na avaliação da gestora, o Brasil precisa de uma resposta “conjunta e crível” do Governo Federal, Congresso e da autoridade monetária para sair desse ciclo.
“No momento em que escrevíamos essa carta, essas condições, que permitiriam um equilíbrio estável, ainda não se encontravam presentes”, afirma a Kinea.
Enquanto isso, o petróleo e seus derivados também se encontram em seu outono, com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) perdendo sua dominância no mercado global devido ao aumento da produção de petróleo de outros países.
Inverno: a difícil recuperação da China e velhos problemas no velho continente
Por fim, o inverno simboliza a economia chinesa, que enfrenta desafios como dificuldades de financiamento e menor dependência do comércio global.
A gestora vê o sistema de crescimento chinês em um momento difícil, com as taxas de juros indicando um processo econômico delicado e a necessidade de desvalorização do Renminbi.
A Europa também enfrenta dificuldades, com a indústria perdendo competitividade para a Ásia e com efeitos em processos políticos e econômicos. Por conta disso, a Kinea permanece vendida em moedas no velho continente e aplicada em juros.
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