Petróleo em queda: de quem é a culpa dessa vez? Na B3, o efeito é a forte baixa das ações das petroleiras
O adiamento da reunião da Opep+ repercute de forma negativa; barril do Brent cai mais de 3%

A instabilidade do petróleo nos últimos dias não é surpresa. Após a disparada dos preços em outubro, com temores do conflito entre Israel e o Hamas, a commodity passou a operar sem grandes estímulos nos últimos dias.
Isso porque a escalada do conflito no Oriente Médio ficou em segundo plano à medida que os combates foram se caracterizando como regionais. Mas, o petróleo voltou a sentir um novo baque nesta quarta-feira (22).
Hoje, os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência mundial e para a Petrobras (PETR4), operam em queda de quase 4% no mercado internacional. Por volta das 13h10 (horário de Brasília), o barril era cotado a US$ 79,35.
O motivo por trás da queda do petróleo
Mesmo com o anúncio do cessar-fogo temporário no conflito entre Israel e Hamas, a forte desvalorização da commodity está relacionada ao principal cartel do mundo: a Organização dos Países Produtores de Petróleo e seus aliados, que formam o grupo conhecido como Opep+.
Esses grandes produtores de petróleo adiaram a reunião ministerial que estava prevista para os dias 25 e 26 de novembro, próximo fim de semana. Sem explicar razões para o adiamento, o cartel reagendou o encontro para 30 de novembro.
Contudo, a insatisfação da Arábia Saudita com os níveis atuais de oferta de alguns países pode ser um dos motivos para a prorrogação da data do encontro, segundo a Bloomberg News.
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Vale ressaltar que os sauditas anunciaram em setembro o corte voluntário de cerca de 1 milhão de barris por dia até dezembro.
Ao longo desta semana, os investidores vinham operando mais otimistas com a realização da reunião, com apostas de anúncio de um possível novo corte na produção do petróleo ainda neste ano — em meio aos temores sobre a demanda global da commodity.
Com a mudança, a nova data da reunião da Opep+ coincide com o primeiro dia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2023 (COP28), em Dubai.
Petrobras (PETR4) e pares caem na B3
Entre as maiores quedas da B3, as ações das companhias ligadas ao petróleo sentem a pressão da desvalorização da commodity no mercado internacional.
Os papéis da petroleira júnior Prio (PRIO3) puxam o tom negativo do setor, com baixa acima de 3%.
Petrobras (PETR4), por sua vez, tem outro elemento “não-surpresa” para explicar o recuo dos papéis. A cautela sobre as interferências do governo no comando da estatal voltou ao radar dos investidores, em meio às discordâncias entre o alto escalão da companhia e o Ministério de Minas e Energia.
De acordo com a Reuters, integrantes do governo têm conversado sobre a possível substituição do atual CEO da companhia, Jean Paul Prates, já que estão descontentes com os rumos da empresa.
Além disso, a empresa deve apresentar o plano estratégico para o período entre 2024 e 2028 nesta sexta-feira (24).
Confira as cotações das companhias de petróleo na B3 hoje:
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| PRIO3 | PRIO ON | R$ 46,50 | -3,08% |
| PETR3 | Petrobras ON | R$ 36,85 | -2,30% |
| PETR4 | Petrobras PN | R$ 34,46 | -2,16% |
| RRRP3 | 3R Petroleum ON | R$ 32,34 | -1,46% |
*Com informações de CNBC
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