Por que as ações das elétricas sobem em bloco nesta sexta-feira na B3 e sustentam o Ibovespa
A Energisa (ENGI11) lidera os ganhos do setor com alta acima de 6%; o IEEX, índice que reúne os papéis do segmento de energia, sobe quase 3%

Em dia de tom negativo em todo o mundo, uma luz se acendeu. As ações das companhias elétricas sobem em bloco nesta sexta-feira (23) no Ibovespa, e sustentam o principal índice da B3 nesta sexta-feira.
A Energisa (ENGI11), por exemplo, lidera os ganhos do setor com alta de 6,49%, a R$ 48,49, por volta das 16h40 (horário de Brasília). O IEEX, índice que reúne os papéis do segmento de energia, sobe quase 3%. Confira a cotação das principais companhias do setor:
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| ENGI11 | Energisa units | R$ 48,57 | 6,49% |
| CPFE3 | CPFL Energia ON | R$ 33,66 | 6,12% |
| ENEV3 | Eneva ON | R$ 12,36 | 5,46% |
| EQTL3 | Equatorial ON | R$ 31,50 | 5,00% |
| CPLE6 | Copel PN | R$ 8,05 | 4,82% |
| CMIG4 | Cemig PN | R$ 12,93 | 3,52% |
Os papéis das companhias elétricas, em linhas gerais, são considerados ativos mais conservadores e que pagam bons dividendos — o que explica parte do desempenho positivo em dia de queda e mau humor nos mercados.
Mas especificamente nesta sexta-feira (23) a explicação é outra: a abertura de consulta pública sobre a proposta de renovação das concessões de distribuição de energia, com vencimentos entre 2023 e 2025.
A consulta foi anunciada ontem (22) pelo Ministério de Minas e Energia (MME), após o órgão definir algumas diretrizes para o setor elétrico (Nota técnica 14/2023).
Entre as medidas, a pesquisa deve discutir:
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- Regras sobre indenização por concessões não renovadas;
- Critérios mínimos para os pedidos de renovação da concessão;
- Metodologias de captura de potenciais excedentes econômicos das operações; e
- Capex social.
Além disso, a renovação dos contratos exigiria “contrapartidas sociais”, que envolveriam ações de eficiência energética, como melhorias nos sistemas de iluminação de prédios públicos e a instalação de usinas solares fotovoltaicas para consumidores de baixa renda, em áreas consideradas vulneráveis.
Outra inovação disposta na nota técnica do MME é a mudança do IGP-M para o IPCA como índice de referência nos processos de revisão tarifária.
Na visão da Ativa Investimentos, a reação positiva observada nos papéis das companhias elétricas, nesta sexta-feira (23), acontece “em função da constatação de que não haverá medidas mais restritivas, como uma forte necessidade de desembolso de caixa para o pagamento de eventuais renovações”.
Já o Itaú BBA destaca que “ainda é um longo caminho até que os termos finais sejam publicados e, portanto, vemos espaço para mudanças significativas à medida que o debate avança”.
O banco mantém a Equatorial (EQTL3) como 'top pick' do setor.
Com a conclusão da consulta pública e a consequente aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Casa Civil, o decreto final sobre a renovação das concessões deve ser publicado entre o final de outubro e início de novembro, segundo expectativas do Itaú BBA.
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