Ela quer o bolo todo: PetroRio (PRIO3) abocanha a fatia restante do campo de Itaipu e torna-se a única operadora do ativo
Petroleira comprou a fatia de 40% no campo por US$ 75 mil, que devem ser pagos após a conclusão do negócio; outros US$ 26,9 milhões serão quitados depois da definição do destino da unidade

Uma fatia do bolo preferido não é o suficiente para quem está com fome. Quase dois anos depois de adquirir 60% de participação no campo de Itaipu, a PetroRio - PRIO (PRIO3) decidiu abocanhar os 40% restantes na unidade e se tornar a única operadora do campo.
A petroleira fechou com a Total Energies E&P Brasil a compra da fatia por US$ 75 mil, que devem ser pagos após a conclusão do negócio.
Além desse montante, a transação estipula que a PRIO pagará outros US$ 26,9 milhões assim que o destino de Itaipu for definido.
Vale destacar que a operação ainda está sujeita ao cumprimento de condições precedentes e a aprovações regulatórias.
Os papéis das petroleiras operaram em queda generalizada nesta segunda-feira (26). As ações da PRIO (PRIO3) recuaram 2,99%, a R$ 27,28, no pregão de hoje.
PetroRio (PRIO3) e a compra de dois campos
Atualmente, a petroleira conta com outros quatro campos: Frade, Polvo, Tubarão Martelo e Wahoo.
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Em meados de novembro de 2020, a PetroRio (PRIO3) se tornou operadora de dois campos do pré-sal localizados na Bacia de Campos — a entrada na região ocorreu após a compra de 35,7% de Wahoo e de 60% do campo de Itaipu da britânica BP Energy.
A operação contou com uma parcela fixa de US$ 100 milhões, dividida em cinco pagamentos. São eles:
- Uma fatia inicial de US$ 17,5 milhões, dividida entre a assinatura e a conclusão da transação;
- Uma parcela de US$ 15 milhões em dezembro de 2021;
- Um pagamento com o restante da conta, a ser quitado ainda neste ano.
Ainda pré-operacional, o campo de Wahoo possui potencial para produzir mais de 140 milhões de barris. A unidade deve iniciar as atividades de produção no segundo semestre de 2023.
A fatia em Itaipu
Já o campo de Itaipu, descoberto em 2009, possui 3 poços perfurados e encontra-se próximo ao cluster Parque das Baleias, área sob controle da Petrobras.
A empresa não havia informado projeções de produção para o campo na época da aquisição da participação.
Porém, de acordo com estudos preliminares da PRIO (PRIO3), a acumulação em Itaipu é potencialmente compartilhada com a região sudeste do cluster adjacente de Parque das Baleias.
Por isso, para evitar uma competição predatória com a Petrobras, seria necessário realizar a unitização da unidade.
Desse modo, além do valor pago pelos campos, a operação estipulou um pagamento adicional (earn-out) de US$ 40 milhões na unitização de Itaipu, que estabeleceu regras para a exploração da área, com metas e restrições.
Aqui é importante ressaltar que o bloco ainda não possui reserva provada, então, deve ser considerado um campo em estágio exploratório.
Então, vale a pena comprar a ação da PetroRio (PRIO3)?
Os analistas do Citigroup acreditam que a tese de investimento da PetroRio - PRIO continua positiva e que você deve aproveitar para comprar PRIO3, apesar dos riscos.
Segundo o Citi, a empresa está seguindo a estratégia de crescimento orgânico e inorgânico com disciplina e apresenta boa eficiência operacional em suas operações.
Afinal, as projeções são de maior produtividade no médio e longo prazo, além de bons resultados apesar do cenário mais conservador em termos de preços do petróleo do tipo Brent.
A última atualização feita pelo Citi no modelo de PetroRio - PRIO foi feita no começo de agosto. Na época, a casa fixou um preço-alvo de R$ 27 por ação, o que implica numa retração de aproximadamente 4% em relação ao preço de fechamento de PRIO3 no último pregão, de R$ 28,12.
Então, é de se imaginar que os analistas ainda devam mexer na modelagem de PRIO3, para que a análise reflita a nova transação e os demais acontecimentos recentes. Desse modo, provavelmente o preço-alvo deverá ser modificado.
Uma outra visão
Em relatório recente, os analistas da Genial Investimentos destacam que o negócio anunciado pela PetroRio - PRIO é positivo para a companhia.
Segundo a análise, a operação destaca a capacidade de a empresa gerar valor para além dos ativos do programa de desinvestimento da Petrobras.
A casa estipulou um preço-alvo de R$ 49 para a ação da petroleira, o que indica um potencial de alta de 74,2% para PRIO3 em relação à cotação do papel ao fim do último pregão.
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