MRV recua 11% após balanço, mas os analistas acreditam que o pior ficou para trás e recomendam compra para as ações MRVE3; saiba mais
A reação negativa ocorre a despeito das perspectivas positivas para o futuro e também da performance da subsidiária norte-americana da companhia

A única vantagem de chegar ao fundo do poço é que, como não há como descer mais, as únicas possibilidades são continuar lá embaixo ou voltar para cima. E, para os analistas, a MRV (MRVE3) deve seguir o segundo caminho após tocar o piso das projeções no segundo trimestre.
As ações, porém, ainda estavam em trajetória de queda nesta quinta-feira (11) enquanto o mercado digeria o balanço, divulgado ontem. Os papéis MRVE3 fecharam em queda de 11%, a R$ 10,11.
A reação negativa ocorre a despeito das perspectivas positivas para o futuro e também da performance da Resia. A subsidiária norte-americana da MRV voltou a entregar bons números e ajudou a compensar a queima de caixa e baixar o endividamento geral da companhia.
“O sucesso das operações da Resia e expectativa de uma captação privada nos próximos meses nos deixam bullish [otimistas] com a MRV”, afirma a Genial Investimentos
A seta das margens vai apontar para cima?
No Brasil, por outro lado, o desempenho voltou a desapontar — mas há o consolo de que o pior já pode ter ficado para trás. “As margens provavelmente atingiram o fundo e acreditamos que qualquer recuperação deve ser gradual”, diz o Bank of America.
A margem bruta da empresa recuou 0,4 ponto percentual (p.p) ante o mesmo período do ano passado e chegou a 19,4%. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior a queda foi maior, de 6 p.p..
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Para o Credit Suisse, a variação trimestral é mais relevante para a análise do que o número reportado em si, pois foi menor que a dos pares e também poderia “estar sinalizando um piso agora que a empresa vem aumentando os preços”.
Bons presságios para a MRV (MRVE3)
O arrefecimento da inflação em julho e as mudanças no programa Casa Verde e Amarela, anunciadas pelo governo no mês passado, aliviaram parte da pressão dos insumos construtivos e as dificuldades do repasse inflacionário ao consumidor.
E o resultado dessas mudanças de cenário já pode ser visto no balanço da incorporadora. “As margens de novas vendas atingiram 25%, e a MRV tem certeza de que esse número pode ultrapassar 30%, já que os aumentos de preços vêm superando a inflação”, aponta o banco de investimentos.
O Banco Safra também acredita que as novidades no programa habitacional devem “beneficiar fortemente” a empresa, “pois poderia tornar-se substancialmente mais fácil aumentar os preços de venda sem prejudicar sua velocidade de vendas, recuperando assim algum nível de lucratividade”.
Mas apenas as mudanças não são garantia de sucesso, conforme explica o Bank of America. Os analistas do BofA dizem que os investidores devem observar com atenção a estratégia da MRV para processar as novidades diante de uma concorrência provavelmente maior, a sustentabilidade das margens brutas e a geração de caixa da empresa.
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Outros destaques do balanço
De volta ao balanço da MRV, as margens não foram as únicas linhas a ainda apresentarem um desempenho aquém do esperado.
O lucro líquido recuou 71,4%, na base anual, e ficou em R$ 58 milhões no segundo trimestre. O número veio abaixo das estimativas da XP e, segundo a corretora, foi afetado por operações de equity swap e maiores taxas de juros no trimestre.
Já as despesas foram um destaque positivo do período. A Resia reduziu em R$ 29 milhões os gastos com Gerais e Administrativas, enquanto os custos com a operação brasileira cresceram abaixo da inflação nos últimos 12 meses.
Colocar ou não MRV (MRVE3) na carteira?
Apesar dos desafios enfrentados pela operação nacional da MRV e das ressalvas para a recuperação das margens da companhia, as casas consultadas pelo Seu Dinheiro são unânimes na recomendação de compra para os papéis da construtora.
“Embora a MRV Brasil deva continuar a sofrer os impactos mais pesados da inflação no curto prazo, ainda acreditamos que ela é uma das empresas mais bem posicionadas para atuar no segmento de baixa renda”, cita o Banco Safra.
Veja abaixo o preço-alvo e o potencial de alta calculado por cada uma delas:
- Bank of America: preço-alvo de R$ 15 (+41,5%)
- Banco Safra: preço-alvo de R$ 24 (+126,4%)
- BTG Pactual: preço-alvo de R$ 23 (+117%)
- Credit Suisse: preço-alvo de R$ 16 (+51%)
- Genial Investimentos: preço-alvo de R$ 15 (+41,5%)
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