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Ana Carolina Neira

Ana Carolina Neira

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero com especialização em Macroeconomia e Finanças (FGV) e pós-graduação em Mercado Financeiro e de Capitais (PUC-Minas). Com passagens pelo portal R7, revista IstoÉ e os jornais DCI, Agora SP (Grupo Folha), Estadão e Valor Econômico, também trabalhou na comunicação estratégica de gestoras do mercado financeiro.

negócio complexo

“Mercado não gostou porque não entendeu”, afirma Rubens Ometto sobre queda das ações da Cosan (CSAN3) após compra de fatia da Vale (VALE3)

Rubens Ometto, principal acionista e presidente do conselho de administração da Cosan, participou do evento Market Changers, que celebra os 13 anos da Empiricus Research

Ana Carolina Neira
Ana Carolina Neira
31 de outubro de 2022
14:56 - atualizado às 8:52
Rubens Ometto, Cosan
O empresário Rubens Ometto. - Imagem: FELIPE RAU/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/

O anúncio de que a Cosan (CSAN3) comprou uma fatia de até 6,5% da Vale (VALE3) ainda com o pregão da B3 em andamento é uma notícia que sozinha já tem poder para abalar o mercado, já que envolve duas empresas gigantes.

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Mas quando um negócio deste tamanho inclui também uma estrutura bastante complexa para o pagamento, o trabalho de explicar todo o processo para os investidores tende a ser ainda mais desafiador. 

Não à toa, as ações da Cosan recuam 5,23% neste mês. Para Rubens Ometto, principal acionista e presidente do conselho de administração do grupo, a razão é simples: "O mercado não gostou porque não entendeu". 

A explicação do empresário foi feita durante o evento Market Changers, que celebra os 13 anos da Empiricus Research. Em conversa com Felipe Miranda, fundador da Empiricus e sócio do BTG Pactual, Ometto explicou sua visão sobre o acordo com a Vale.

Segundo ele, a possibilidade de adquirir uma fatia na mineradora já era discutida há pelo menos dez anos dentro da Cosan. Diante do preço atraente, não restaram dúvidas de que esse era o momento ideal para fechar negócio, que foi montado em apenas duas semanas.

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"Caso qualquer coisa aconteça, podemos nos desfazer das ações, mas não vamos fazer isso", disse o executivo, seguro de que será possível desenvolver um bom trabalho na Vale apesar de sua fatia minoritária.

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Esse é, inclusive, um dos pontos de dúvida no mercado, já que a estrutura adotada permite que a Cosan saia do negócio nos próximos cinco anos, prazo para o término do investimento.

Durante o bate-papo, Ometto também aproveitou para afastar a possibilidade de que a chegada à Vale atrapalhe a geração de valor dos outros negócios da companhia. 

Hoje, o portfólio da Cosan inclui atividades nos setores de crédito de carbono — a partir da Raízen (RAIZ4) e da Radar — óleo e gás (com Compass, Raízen, Moove e Comgás (CGAS5)); energias renováveis (também a Raízen) e commodities agrícolas, com a Rumo (RAIL3).

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Uma leitura presente no mercado hoje é de que, conforme a Cosan amplia seu leque de atuação, ela pode ficar ainda descontada em relação ao valor de mercado de suas subsidiárias com capital aberto.

E uma das maneiras de reduzir esse desconto no curto prazo é justamente fazer o IPO de outras subsidiárias, como a Compass e a Moove, que podem gerar alguns bilhões nos próximos anos. 

"Hoje a Moove vale US$ 1,5 bilhão ou US$ 2 bilhões, o dobro do que pagamos por ela. Tem a Compass também e estamos sempre preparados para o IPO, depende das janelas que apareçam", afirma o executivo. 

Ele vê boas possibilidades para o mercado de óleo e gás no Brasil nos próximos anos, que podem ser aproveitadas pela Compass conforme sua infraestrutura.

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Para entender a estrutura montada pela Cosan (CSAN3)

A operação para compra de 4,9% da Vale mistura aquisição de papéis VALE3 no mercado à vista e estrutura de derivativos. No futuro, caso tudo saia conforme o previsto, a participação da Cosan (CSAN3) na mineradora pode chegar a 6,5% em até cinco anos, o que resultaria em um investimento de R$ 22 bilhões — considerando o fechamento do pregão anterior ao anúncio.

A transação foi dividida da seguinte maneira: num primeiro momento, a Cosan comprou 1,5% das ações da Vale. Além disso, realizou um empréstimo para adquirir outros 3,4% diretamente via um instrumento de compra e venda conhecido como "collar" — pares de opção de compra e venda de ativos. 

Por fim, realizou uma operação via derivativos para eventualmente garantir mais 1,6% das ações da mineradora por uma conversão, que poderão ter direito a voto no futuro.

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