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As decisões de investimento, sejam de compra ou de venda, devem ser pensadas, conscientes e razoáveis. Faça suas escolhas pelos motivos certos
Grande parte da literatura financeira é dedicada a saber quando comprar uma ação. Entretanto, saber quando vender é tão importante quanto a primeira questão. Fique comprado em uma ação por mais tempo demais e verá seus retornos irem embora.
Por outro lado, o momento adverso para a bolsa dá vontade de vender toda e qualquer ação. E esse talvez não seja um bom motivo.
Se temos medo de a bolsa ficar de lado por mais tempo, também não sabemos, por outro lado, quando esse momento terminará. Pode ser em um ano, ou em algumas semanas. Não saberemos com precisão até que o fato aconteça.
Há também a tribo que vende a ação “porque ela subiu demais”. Entretanto, caso as perspectivas para a empresa tenham melhorado mais que a subida de preço, então esse é um motivo para continuar com a ação, não vendê-la.
Veja o exemplo da Amazon, que havia subido 820% nos 4 anos após o IPO. Nos 4 anos seguintes, o preço subiu mais 130%. Se estendermos a janela até hoje, a ação se valorizou 6.743% adicionais.
É fato que Amazon é um exemplo extremo, mas a lição aqui é que vender uma empresa que acabará por inaugurar e dominar um novo setor pode não ser uma boa ideia.
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Vamos, agora, para os motivos racionais para se vender uma ação (inspirado no livro “Ações Comuns, Lucros Extraordinários”, do Philip Fisher).
À medida que o tempo corre, você percebe que o futuro da empresa não era tão brilhante quanto imaginado. De repente, ganhar mercado não era tão factível quanto parecia.
Ou a empresa já era uma líder tão absoluta no seu setor que continuar crescendo era, na verdade, bem difícil.
Pode ser que o crescimento histórico vinha acontecendo às custas do capital do acionista, na linha “pagar para crescer”.
Ou, no pior cenário, os números da empresa eram maquiados para melhor. Em suma, erros de análise.
Nesses casos, o melhor a fazer é reconhecer o erro logo e se livrar da ação o quanto antes.
Erros de decisão são muito comuns no processo de investimento. E, mesmo com eles, é possível ganhar muito dinheiro investindo em ações – desde que você reconheça o erro logo e minimize os danos. Quanto menos ego, melhor para o seu patrimônio.
Por algum tempo, a companhia entregou as perspectivas esperadas, até que não entregou mais. Pode ser que a qualidade da gestão piorou.
Ou que a empresa cresceu até o limite de exaurir todo o seu potencial de mercado. A partir desse ponto, ela crescerá em linha com o seu setor.
Ou, ainda, os resultados estão se deteriorando de uma forma muito rápida. Seja qual for o motivo, a tese se completou e há pouco upside a ser capturado daqui para a frente.
Nesse caso, o melhor é, também, vender.
Aqui, é importante mencionar o valor do monitoramento constante sobre a carteira de ações.
As empresas mudam o tempo todo e qualquer alteração pode ser suficiente para mudar de decisão sobre aquele papel. Aliás, essa é boa parte do meu trabalho na Carteira Empiricus.
A ação que você tem em carteira está indo muito bem, obrigada, mas passa um cavalo selado na sua frente. Pintou uma outra ação que pode ter ganhos mais expressivos ainda, mesmo considerando todos os riscos envolvidos.
Importante mencionar que o ganho adicional nessa nova ação deveria superar o imposto de renda sobre o lucro na ação original. Caso contrário, você está simplesmente antecipando o pagamento de imposto sobre ganho de capital.
Oportunidades como essa são raras. Não acontecem muitas vezes na vida de um investidor. Mas, se acontecerem, podem ser transformacionais para o seu patrimônio. Por isso, devemos estar sempre procurando por elas.
As decisões de investimento, sejam de compra ou de venda, devem ser pensadas, conscientes e razoáveis. Faça as coisas pelos motivos certos.
Não siga a multidão.
Um abraço,
Larissa Quaresma
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