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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: Cautela predomina nas bolsas antes da publicação dos dados de inflação dos EUA hoje

O investidor local ainda acompanha a divulgação dos números do varejo brasileiro nesta quarta-feira

O dragão da inflação voando pelos céus
Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa esta semana. Imagem: Shutterstock

Um otimismo cauteloso prevalece nas bolsas norte-americanas antes da divulgação dos dados da inflação de julho nos Estados Unidos. Os índices futuros de Nova York operam em leve alta diante da expectativa de que o CPI, como é chamado o índice de preços ao consumidor norte-americano, tenha desacelerado em julho.

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Essa eventual queda de preços por lá atenua — ainda que de maneira provisória —os temores de uma recessão em um momento no qual o mercado de trabalho dos EUA continua aquecido.

Em junho, a inflação norte-americana atingiu 9,1%. A expectativa dos analistas é de que a alta dos preços desacelere a 8,7% em julho.

Caso isso se confirme, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) ganha espaço para manter uma postura mais agressiva de política monetária — o que não deve trazer bons ventos para as bolsas pelo mundo.

Na Europa, as bolsas de valores operam sem uma direção clara, com os investidores também à espera dos números da inflação nos Estados Unidos. Quem não teve um bom fechamento nesta quarta-feira (10) foram as bolsas da Ásia e Pacífico, que fecharam em queda devido à inflação da China, publicada na noite de ontem.

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Na véspera, o Ibovespa fechou em queda em meio a um movimento de realização de lucro. Depois de uma forte recuperação nas sessões anteriores, o principal índice da B3 deu uma pausa depois de confirmada a expectativa de deflação em julho no Brasil.

Leia Também

Confira o que mais movimenta o dia aqui no Seu Dinheiro:

Federal Reserve e o remédio amargo que afeta as bolsas

Desde 27 de julho, quando o presidente do Fed, Jerome Powell, anunciou que a autoridade monetária decidiria “a cada reunião” sobre a política de juros, os números de inflação — tanto o CPI quanto o PCE (“gastos com consumo pessoal”, na sigla em inglês), indicador preferido do BC americano —, os dados do emprego e da atividade econômica tomaram conta do noticiário. 

A decisão de Powell pode ter acalmado as bolsas e investidores por algum tempo. Porém, a ansiedade antes de cada publicação de dados acaba trazendo grande volatilidade para os índices. 

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Para a próxima reunião, em 21 de setembro, a expectativa geral de Wall Street é de que o Fed eleve os juros em 75 pontos-base mais uma vez. As chances de uma alta ainda maior estão cada vez mais distantes — e essa é uma boa notícia. 

Ibovespa vai engolir as falas de Guedes?

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a dizer na última terça-feira que o Brasil está na contramão das economias desenvolvidas, que caminham para a recessão.

Durante a cerimônia de abertura do congresso da Abrasel, associação que reúne bares e restaurantes, Guedes sustentou que a economia está novamente "em pé", com inflação em queda, crescimento econômico acima do que se esperava e geração de empregos.

"Já se fala abertamente em recessão nos Estados Unidos e Europa, e o Brasil, o contrário, está no início de um longo ciclo de crescimento", disse o ministro, que aproveitou também o evento para destacar as medidas lançadas pelo governo para apoiar o setor e evitar demissões durante a pandemia.

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Desemprego

Entre os feitos frisados após os "dias tenebrosos" da crise sanitária, Guedes citou a preservação de mais de 14 milhões de empregos, sendo mais de 3 milhões de empregos formais.

"Hoje, olho para esses dias como dias difíceis... Mas o pesadelo ficou para trás", declarou Guedes, lembrando que a vacinação de 98% da população permitiu o retorno do funcionamento normal de bares e restaurantes.

Ainda segundo o ministro, a taxa de desemprego pode cair para 8% antes do fim do ano com a recuperação econômica. Atualmente, o desalento está em 9,3%.

“Antes de o ano acabar nós estamos descendo [a taxa de desemprego] para 8%. Vamos terminar o ano com o menor desemprego que já vimos nesses últimos 10, 15 anos”, declarou o ministro.

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Dados que mexem com o Ibovespa hoje

Com o foco do exterior no CPI dos Estados Unidos hoje, o investidor local acompanha os números do varejo brasileiros, divulgados a partir das 9h. 

A expectativa do mercado é de que o varejo restrito caia 1,00% na comparação mensal e cresça 0,2% na base anual. 

Para o índice ampliado, as estimativas dão conta de uma queda de 0,7% na base mensal e recuo de 0,1% no ano. As projeções são de analistas consultados pelo Broadcast. 

Bolsa hoje: agenda do dia

  • IBGE: Pesquisa mensal do comércio restrita e ampliada (9h)
  • Estados Unidos: CPI de julho (9h30)
  • Estados Unidos: Estoques do atacado em junho (11h)
  • Banco Central: Fluxo cambial semanal (14h30)

Balanços do dia

Após o fechamento: 

  • Walt Disney (EUA)
  • Banco do Brasil (Brasil)
  • Banrisul (Brasil)
  • BRF (Brasil)
  • C&A (Brasil)
  • Equatorial Energia (Brasil)
  • Minerva Foods (Brasil)
  • MRV (Brasil)
  • Positivo (Brasil)
  • Santos Brasil (Brasil)
  • SLC Agrícola (Brasil)
  • SulAmerica (Brasil)
  • Taesa (Brasil)
  • Vittia Fertilizantes (Brasil)

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