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DESTAQUES DA BOLSA

Construtoras sobem forte na B3 após Lula prometer volta do “Minha Casa, Minha Vida”; veja três ações que devem lucrar com o retorno do programa

Ainda não se sabe se o programa será recriado exatamente nos mesmos moldes, mas as companhias focadas no segmento econômico podem ser beneficiadas

Lula veste terno azul, camisa listrada clara e faz sinal de positivo com as duas mãos. Ao fundo, um gráfico do mercado financeiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Getty Images/Montagem: Julia Shikota

Quem escutou atentamente o discurso de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o fim das eleições reparou que, entre agradecimentos e compromissos, uma das primeiras mudanças cravadas para 2023 está ligada às moradias populares. E isso mexeu diretamente com as ações das construtoras listadas na B3.

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“Não podemos aceitar como normal que famílias inteiras sejam obrigadas a dormir na rua, expostas ao frio, à chuva e à violência. Por isso vamos retomar o ‘Minha Casa, Minha Vida’, com prioridade para as famílias de baixa renda”, declarou o presidente eleito.

Além de representar uma importante ação para a população mais pobre, a notícia é positiva para as construtoras e incorporadoras — especialmente para as que focam no segmento econômico.

Atentos às implicações do discurso, os investidores brasileiros não perderam o tempo e encheram o carrinho de compras com as ações de diversos nomes do setor. Confira abaixo as maiores altas do índice imobiliário da B3 hoje:

EMPRESAVARIAÇÃO
Lavvi ON (LAVV3)+8,21%
Multiplan ON (MULT3)+7,07%
Iguatemi unit (IGTI11)+4,88%
Aliansce Sonae ON (ALSO3)+4,52%
Cury ON (CURY3)+4,36%
BR Properties ON (BRPR3) +4,20%
Cyrela ON (CYRE3)+4,09%
Direcional ON (DIRR3)+4,01%
MRV ON (MRVE3)+3,98%
JHSF ON (JHSF3)+3,67%
Fonte: B3

Promessa antiga de Lula

A promessa de retorno do Minha Casa, Minha Vida não é uma novidade para quem acompanha o setor. Em encontro com empresários da construção civil no final de agosto Lula já havia se comprometido com a retomada do programa habitacional.

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Mas a sinalização no discurso do presidente eleito é importante para injetar ânimo no setor, especialmente no segmento econômico.

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Vale relembrar que o programa, criado em 2009, foi extinto no ano passado pelo atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL). 

O substituto, Casa Verde e Amarela, não contava com as mesmas condições para a primeira faixa de consumidores, com renda bruta de até R$ 1,8 mil mensais. O subsídio de até 90% do valor do imóvel e financiamento sem juros foram algumas das ausências mais sentidas.

Quais construtoras serão beneficiadas?

Ainda não se sabe se o Minha Casa Minha Vida será recriado exatamente nos mesmos moldes. Mas, segundo Felipe Miranda, CIO da Empiricus, mesmo sem subsídios grandes, “as construtoras devem andar”.

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Nesse contexto, a ação preferida de Miranda é a de uma construtora de baixa renda que já vinha sendo destaque do setor nos últimos trimestres: “Gosto do call de Direcional (DIRR3) com viés de Lula”, afirmou o fundador e estrategista-chefe da Empiricus em evento nesta segunda-feira (31).

A companhia também é uma das apostas da Toro Investimentos, que acrescenta Cury (CURY3) e MRV (MRVE3) à lista de incorporadoras que atendem aos critérios do programa governamental.

Os juros podem atrapalhar as construtoras?

Mesmo com as perspectivas positivas para os próximos quatro anos do ponto de vista político, o cenário macroeconômico ainda coloca uma pulga atrás da orelha dos investidores com as construtoras. 

O financiamento imobiliário, por exemplo, que é um dos pilares do setor, acompanhou o ciclo de alta da Selic e encareceu nos últimos dois anos. A taxa, aliás, foi elevada para combater outro vilão do segmento: a inflação.

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Mas a alta no preço dos insumos construtivos, que comprimiu as margens das empresas, arrefeceu nos últimos três meses e aliviou a pressão nesse front.

E, segundo a Toro, a Selic também deve deixar de ser um problema em breve: “A expectativa de que a taxa de juros se acomode no médio prazo e, eventualmente, venha a cair, implica em um catalisador para o aumento da demanda por financiamentos imobiliários.”

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