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Hoje, o euro ficou mais barato que o dólar norte-americano novamente, sendo negociado na faixa de US$ 0,98
Quem pensa em viajar para o Reino Unido, atenção: o Deutsche Bank passou a prever uma “crise da libra” com o novo governo de Liz Truss, com potencial para golpear a forte moeda da rainha.
Truss venceu nesta segunda-feira (05) a corrida para suceder Boris Johnson como líder do Partido Conservador — que já está no poder —, tornando-se a primeira-ministra britânica.
Em uma reação imediata, a libra subiu em relação ao dólar, sendo negociada pouco abaixo de US$ 1,15. Mas o estrategista de câmbio do Deutsche Bank, Shreyas Gopal, alertou que os riscos de uma "crise da libra" não devem ser subestimados.
Segundo o banco alemão, os anúncios de políticas de governo nas próximas semanas serão cruciais para que o Reino Unido evite eventos macroeconômicos extremos, particularmente uma crise no balanço de pagamentos. Confira os planos de Truss para tirar o Reino Unido da crise.
Em agosto, o euro ficou mais barato que o dólar pela primeira vez em mais de duas décadas, chegando a ser negociado na faixa de US$ 0,99. Hoje, essa mínima foi renovada a US$ 0,98.
Uma série de fatores pesaram contra o euro para que isso acontecesse. Além da guerra entre Rússia e Ucrânia, há também a inflação que avança pela Europa e alimenta os temores de recessão econômica.
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E, como se não bastasse, o Velho Continente está no meio de uma crise energética.
Como coincidência pouca é bobagem, esse é exatamente o cenário no qual o Reino Unido está mergulhado nesse momento. Além de ter que lidar com o conflito no leste europeu, os britânicos também travam uma batalha contra a disparada de preços, especialmente da energia.
“Com o déficit em conta corrente já em níveis recordes, a libra exige grandes entradas de capital apoiadas na melhora da confiança dos investidores e na queda das expectativas de inflação. No entanto, o oposto está acontecendo”, disse o Deutsche Bank, em relatório.
O banco alemão lembra que o Reino Unido enfrenta uma perspectiva de crescimento enfraquecida e sofre com a taxa de inflação mais alta do Grupo dos 10 (G-10) — que apesar do nome é formado por 13 países: Alemanha, Bélgica, Canadá, EUA, França, Itália, Japão, Holanda, Reino Unido, Suécia, Suíça, Espanha e Austrália.
Truss colocou o Banco da Inglaterra (BoE) e seu presidente, Andrew Bailey, na mira de sua campanha ao governo, culpando o banco central britânico por permitir que a inflação disparasse rumo às máximas em 40 anos. Ela está considerando uma revisão do mandato do BoE.
“Uma expansão fiscal grande, não financiada e não direcionada, acompanhada de possíveis mudanças no mandato do Banco da Inglaterra, poderia levar a um aumento ainda maior nas expectativas de inflação e — no extremo — ao surgimento do domínio fiscal”, diz o Deutsche Bank.
O Deutsche Bank estima que a libra ponderada — uma medida do valor da libra em relação às moedas selecionadas mais importantes para o comércio internacional — teria que cair mais 15% para retornar o déficit do Reino Unido à sua média de dez anos.
Uma crise de financiamento do balanço de pagamentos pode parecer extrema agora, mas não é sem precedentes: uma combinação de gastos fiscais agressivos, choque energético e uma queda na libra resultou no Reino Unido sendo forçado a recorrer a um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) em meados da década de 1970.
“Hoje, o Reino Unido mantém algumas linhas-chave de defesa, mas nos preocupamos que os riscos estejam aumentando”, diz o Deutsche Bank.
*Com informações da CNBC
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