Bolsa hoje: agenda local mais fraca gera expectativa de alguma caça às barganhas
Com dia mais calmo na bolsa brasileira, há expectativa de alguma caça às barganhas diante das realizações que estamos verificando com o Ibovespa; lá fora destaque é ata do Fed

Com agenda local mais fraca, há expectativa de alguma caça às barganhas diante das realizações que estamos verificando na bolsa com o Ibovespa, mas o humor está bem difícil de ser gerenciado. Lá fora, depois de o índice S&P 500 de Wall Street ter caído na terça-feira (17) de uma alta recorde, o grande destaque de hoje (18) é a ata do Fed nos EUA, que dará maiores detalhes sobre o último encontro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), responsável pela decisão de política monetária na terra do Tio Sam.
Espera-se, portanto, que a quarta-feira nos reserve alguma atualização sobre quando o banco central americano pode começar a reduzir as compras de títulos que injetam dinheiro no sistema financeiro. Algumas autoridades do Fed, citando o forte crescimento das contratações e o aumento da inflação, dizem que a normalização da política deve começar em breve, enquanto outros argumentam que é preciso dados econômicos mais sólidos para garantir que uma recuperação seja estabelecida.
Mais do mesmo
Repetindo o que temos verificado nas últimas tentativas, foi retirado de pauta o projeto de lei (PL) da reforma do Imposto de Renda, com 390 votos pelo adiamento. Novamente, caberá ao relator aperfeiçoar o relatório naquilo que for possível, para que não gere aumento do déficit fiscal, acolhendo várias sugestões – a colcha de retalhos mais famosa do Brasil nas últimas semanas.
Se a reforma tributária não anima, talvez caiba à administrativa agradar um pouco. O deputado Arthur Maia (DEM-BA), relator do texto na Comissão Especial da Câmara, afirmou que apresentará seu parecer na próxima semana – espera-se que o início da análise pelo Plenário da Câmara possa ocorrer apenas a partir da segunda semana de setembro.
Enquanto isso, dois outros fatos são relevantes para acompanhar:
- i) a reunião entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para discutir relação entre os Poderes; e
- ii) o Tribunal de Contas da União (TCU) vota o edital do leilão do 5G. Ambos os fatores têm potencial de trazer otimismo para ativos de risco locais.
E corrigiu na véspera da ata
O índice S&P 500 quebrou uma sequência de cinco dias de vitórias ontem (17), ficando logo abaixo do que poderia ter sido seu 50º recorde de alta em 2021. O que justifica o movimento de correção é a pandemia, que, com sua variante delta, ameaça a retomada econômica, renovando o movimento de restrições na Oceania e na Ásia – por enquanto, os investidores entendem que a onda atual não será como as anteriores, mas ainda haverá impactos negativos em indústrias e empresas individuais.
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O movimento se dá na véspera da divulgação da ata do Fed, marcada para hoje. A autoridade monetária americana está claramente se movendo para se juntar a outros bancos centrais na redução de suas compras de títulos, mas a questão é com que rapidez será realizado o movimento – provavelmente, o documento de hoje nos dará um cheiro de como serão as discussões no simpósio de verão de Jackson Hole na próxima semana (espera-se uma decisão no quarto trimestre e ação depois disso).
Saída de recursos de emergentes, em especial do Brasil
Desde o início do segundo semestre, ocorre uma rotação dos mercados emergentes para os desenvolvidos, com aprofundamento do movimento em agosto e potencial de continuar no curto prazo.
Um dos motivos para isso?
Bem, estamos na segunda metade de agosto, o que enseja um volume de negócios relativamente mais baixo diante do fato de as pessoas simplesmente terem outras coisas em suas mentes no meio de suas férias de verão – tradicionalmente, as férias de verão no hemisfério norte trazem um tom negativo para os emergentes.
De qualquer forma, as subsequentes vendas acendem um sinal amarelo, apesar da característica predominantemente técnica da questão. Os dados da Bloomberg mostram que os fundos negociados em Bolsa (ETFs) dos mercados emergentes tiveram a maior retirada de dinheiro na semana passada em muito tempo, em especial graças aos crescentes riscos políticos e econômicos brasileiros.
O aumento das tensões políticas na maior economia da América Latina forçou os gestores de dinheiro a puxar US$ 158,2 milhões de ETFs de ações brasileiras na semana encerrada em 13 de agosto. Como resultado, os ETFs de emergentes listados nos EUA viram sua maior saída semanal desde setembro passado. O fenômeno da falta de investimento gringo nos ajuda a entender como viemos de 130 mil pontos para baixo dos 120 mil. Veja como foi o fechamento da bolsa na última terça-feira (17), dia que o Ibovespa zerou os ganhos do ano.
Anote aí!
A inflação dos preços ao consumidor na Zona do Euro caiu notavelmente – o indicador mostrou contração de -0,1% em julho frente ao mês anterior, sendo que a inflação na comparação anual ainda sobe 2,2%. Contudo, a desaceleração é parcialmente explicada pelas peculiaridades do ajuste sazonal, que temporariamente empurrou para cima os dados de junho. O dado veio em linha, mas as Bolsas europeias realizam lucros mais uma vez nesta manhã.
Nos EUA, além da ata da reunião de política monetária do final de julho, também contamos com o novo relatório de construção residencial para julho. Já no Brasil, destaque para a primeira rodada da reunião trimestral dos diretores do BC com economistas, com a inflação no topo das preocupações – pode gerar pressão na curva de juros e, consequentemente, no câmbio, como fez a fala de Roberto Campos Neto ontem. Confira aqui a fala completa. O presidente do BC garantiu que o Copom “fará tudo” o que for preciso para cumprir a meta.
Muda o que na minha vida?
Todo mundo espera ansiosamente a ata da reunião do Fomc, que deverá observar a inflação nos EUA surpreendendo positivamente, embora ainda não haja consenso sobre por quanto tempo a inflação mais alta poderia persistir – quem sabe já nos dão alguma sinalização neste sentido no documento de hoje.
Espera-se que a maioria dos participantes acredite que os riscos de inflação estejam agora inclinados para cima, já que interrupções no fornecimento e escassez de mão de obra podem durar por mais tempo e ter efeitos maiores ou mais persistentes sobre os preços e salários. Com isso, projeta-se que o recente aumento da inflação diminua até o final do ano, à medida que as interrupções relacionadas à pandemia e os efeitos de base se dissipem.
No longo prazo, a inflação deve ser mais alta do que antes da pandemia. As consequências de uma conclusão como essa em um mundo de muita liquidez como o que temos hoje ainda estão sendo avaliadas. O simpósio de Jackson Hole na semana que vem poderá também nos dar alguma sinalização neste sentido. Por enquanto, porém, teremos que nos contentar com a ata do Fed.
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Atenção:
- Não deixe de ler o regulamento do fundo e seus fatores de risco antes de investir. Retornos passados não garantem retornos futuros.
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Um abraço,
Jojo Wachsmann
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