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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

Balanço

IRB amarga prejuízo de R$ 1,5 bilhão em 2020 e nega relação com movimento de investidores com ações

No ano marcado pela descoberta uma fraude contábil em seus balanços, empresa de resseguros segue registrando perdas; ações reagem em queda

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
19 de fevereiro de 2021
8:58 - atualizado às 18:05
Ibovespa mercados queda
Imagem: Shutterstock

No ano marcado pela descoberta uma fraude contábil em seus balanços, a resseguradora IRB Brasil (IRBR3) registrou um prejuízo de R$ 1,521 bilhão em 2020. No balanço do ano anterior, reapresentado após a revelação das irregularidades, a empresa teve lucro de R$ 1,2 bilhão.

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A companhia reapresentou em junho os números de 2019 e 2018, que mostraram um lucro líquido R$ 670 milhões menor do que o apresentado originalmente na soma dos dois períodos.

Quando todos pensavam que a companhia já havia chegado ao fundo do poço, o IRB voltou a surpreender negativamente com um prejuízo de R$ 620 milhões no quarto trimestre do ano passado.

Entre os fatores que prejudicaram o resultado anual, o IRB aponta a perda em linhas de negócio nas quais a companhia deixou de operar (run-off), no valor de R$ 589 milhões, e uma baixa de R$ 336 milhões feita em dezembro relativa a um crédito tributário de prejuízos fiscais gerados na sucursal de Londres.

Sem esses efeitos, o IRB informa que o prejuízo em 2020 seria de "apenas" R$ 476 milhões em 2020. Quem quiser olhar o copo meio cheio também pode se pegar ao lucro líquido de R$ 190 milhões que a empresa teria obtido no quarto trimestre sem os impactos que afetaram os números no ano passado.

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Embora considerem positivas as iniciativas da nova gestão do IRB de dar foco nas operações lucrativas, os analistas do Credit Suisse estão entre os que viram o copo meio vazio.

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“Acreditamos que as operações de run-off ainda podem pesar nos resultados a curto prazo e, portanto, preferimos manter uma postura cautelosa”, escreveram os analistas, que têm recomendação "underperform" (equivalente a venda) para os papéis.

No mercado, a reação aos números também é negativa. Por volta das 12h10, as ações do IRB (IRBR3) eram negociadas em queda de 4,21%, a R$ 6,37. Leia também nossa cobertura completa de mercados.

As ações e os fóruns de internet

Com a confirmação das fraudes contábeis — descobertas após a divulgação de um relatório da gestora carioca Squadra —, as ações do IRB (IRBR3) desabaram 80% na B3 no ano passado. A queda dos papéis atraiu vários investidores, principalmente pessoas físicas atraídas por fóruns de internet.

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No mês passado, um grupo deles decidiu criar um canal no Telegram para tentar especular com as ações da resseguradora, na esteira do caso GameStop nos Estados Unidos.

No relatório que acompanha o balanço, o IRB informou que não possui nenhum envolvimento ou ingerência nesse movimento e que todas as informações que possui a respeito são as disponíveis publicamente nas redes sociais e na imprensa.

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