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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

Esquenta dos mercados

Briga entre dados do varejo, Ano Novo chinês e fala de Guedes são destaques da bolsa hoje

Nesse jogo de força bruta, quem vai cair e quem fica de pé: o poderoso noticiário negativo ou a estabilidade das palavras?

Renan Sousa
Renan Sousa
11 de fevereiro de 2021
8:48 - atualizado às 9:20
Imagem: Shuttertstock

Há quem diga que a vida é uma luta de boxe. Ou você desvia, ou bate. Nesse paralelo, a bolsa está se comportando mais como uma luta de sumô, em que o objetivo principal é desequilibrar o adversário e fazer com que ele toque o chão com qualquer parte do corpo que não sejam os pés. 

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Foi assim que os investidores receberam os dados do varejo de ontem, com um forte empurrão ao chão. Havia até quem projetasse uma leve alta em dezembro, mas o que veio foi uma forte queda. O volume de serviços, que deve ser divulgado ainda hoje às 9h, também não tem as melhores projeções, o que deve trazer solavancos para o Ibovespa. 

Nas previsões de especialistas ouvidos pela Broadcast, os serviços em dezembro podem cair até 2,40% em relação a novembro. No acumulado anual, a retração pode chegar a 6,0%.

E o ano novo lunar chinês também veio como força de desequilíbrio. Os negócios de alumínio e minério de ferro estão parados, o que deve afetar empresas como Vale e as siderúrgicas na bolsa brasileira.

Todas essas forças desestabilizadoras devem concorrer com a tentativa de ficar de pé do investidor brasileiro, que se apoia no projeto de autonomia do Banco Central, aprovado ontem pela Câmara, e a declaração de Paulo Guedes sobre não existir a possibilidade de um novo imposto. 

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Confira mais temas que influenciarão os mercados hoje:

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Controlando o incêndio

Os dados do varejo de ontem pegaram o investidor brasileiro no pé contrário. O tombo nas vendas foi maior do que o esperado pelos analistas, o maior da série histórica desde 2000 para ser mais exato, o que levantou suspeitas de que a retomada da economia não tenha engatado marcha rápida.

Economistas afirmam que o auxílio emergencial de R$ 200 pode não ser suficiente para ajudar nessa retomada. Além disso, o temor de que os R$ 20 bilhões furem o teto de gastos e descumpram a meta fiscal também está sendo visto com maus olhos pelos investidores.

Mas a queda na bolsa conseguiu ser freada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele afirmou que um imposto temporário está fora de cogitação e colocou a responsabilidade da aprovação do orçamento para 2021 nos ombros do Congresso. Ele também cobrou responsabilidade fiscal dos congressistas para aprovação de novas PECs.

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Segurou, mas não impediu

Essa declaração ajudou a bolsa, que chegou a cair mais de 1% na tarde de ontem, a arrefecer as perdas. No final, o Ibovespa fechou o dia em queda de 0,87%, aos 118.435,33 pontos.

Já o dólar comercial, seguindo a queda global dos preços da moeda, também teve recuou 0,22%, a R$ 5,37. 

Autonomia do BC

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (11) o projeto de autonomia do Banco Central. A pauta sempre esteve nos debates da casa, mas nunca avançou até um ponto tão elevado. 

Segundo o projeto, o presidente do BC teria um mandato de quatro anos que não coincidiria com o do presidente da república. Isto significa que o dirigente da instituição iniciaria seu mandato em 1º de janeiro do terceiro ano do governante federal.

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Essa autonomia fortaleceria decisões do Banco Central, garantindo que a estabilidade e eficiência do sistema financeiro fossem controladas pela instituição. Além disso, as novas atribuições, segundo o projeto, incluem suavizar flutuações e fomentar o pleno emprego. 

Joe e Xi: reatando laços

O atual presidente norte-americano, Joe Biden, esteve em ligação com o chefe de estado da China, Xi Jingping, para reatar laços com o país asiático. Em nota, a Casa Branca afirmou que a conversa foi amistosa, tentando reaproximar os dois países, após o afastamento mútuo devido a tensões durante o mandato de Donald Trump. 

Biden ressaltou preocupações com “práticas econômicas coercitivas, repressões em Hong Kong e ações assertivas em Taiwan”, como ressaltou o comunicado. Do outro lado, Xi respondeu que o governo dos Estados Unidos deve lidar com essas questões de maneira cautelosa e manejar as disputas de maneira construtiva. Além disso, ambos concordaram que o embate entre as potências seria desastroso para ambos os lados.

Esse foi um ótimo momento para a conversa, com as bolsas chinesas fechadas devido ao feriado do ano novo lunar. Ontem, os índices asiáticos fecharam majoritariamente em alta e os pregões que seguiram hoje (alguns apenas meio período) também encerraram no positivo.

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Enquanto isso, os principais índices da Europa e de Nova York seguem com modestos avanços. Wall Street está a espera de novos balanços e a divulgação de dados de seguro-desemprego da semana passada.

Jerome Powell, o “andorinha”

O presidente do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano), Jerome Powell, reafirmou o compromisso de seguir com a política monetária menos agressiva, que o mercado chama de “dovish” (mais expansionista monetariamente). Com isso, as atenções sobre o pacote de estímulos de Joe Biden segue sendo o verdadeiro foco do mercado. 

Balanços corporativos

A temporada de balanços do quarto trimestre segue com força. Ontem, dois grandes nomes da bolsa divulgaram os resultados: Suzano (SUZB3) e Totvs (TOTS3).

A produtora de papel e celulose viu o lucro líquido crescer 403% nos últimos três meses do ano passado, enquanto a companhia de softwares (e agora também de crédito) registrou alta de 78,4% na última linha do balanço, ambas superando as expectativas dos analistas.

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E hoje ainda temos a divulgação de balanços das Lojas Renner, Banco do Brasil, Cosan, Engine, Multiplan e Rumo, após o fechamento. Nos EUA, a Disney divulga seus dados também após o fechamento. 

Agenda do dia: fique por dentro

Para hoje está programada a divulgação dos dados de volume de serviços em dezembro e do acumulado em 2020 (9h), além do relatório de seguro desemprego (10h30). O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deve participar de um webinar do banco J. P. Morgan (10h). 

O relatório mensal da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) também está na agenda, mas sem hora específica. 

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