Virada no jogo dos investimentos: Ibovespa apaga ganhos do ano e renda fixa renasce
A última semana foi marcada por uma série de acontecimentos simbólicos de uma virada nos mercados. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE No exterior, a crise no Afeganistão tem efeitos geopolíticos que podem afetar a dinâmica dos negócios no longo prazo, mas que desde já influenciam os preços das commodities. Nos Estados Unidos, […]

A última semana foi marcada por uma série de acontecimentos simbólicos de uma virada nos mercados.
No exterior, a crise no Afeganistão tem efeitos geopolíticos que podem afetar a dinâmica dos negócios no longo prazo, mas que desde já influenciam os preços das commodities.
Nos Estados Unidos, os dirigentes do Federal Reserve, o banco central americano, finalmente deram sinais mais claros de que as políticas de estímulo monetário, na forma da compra de ativos para injetar recursos na economia, já devem começar a arrefecer ainda neste ano.
Esses fatores se juntam às preocupações com a variante delta do coronavírus - que pode vir a fechar economias novamente -, à interferência de Pequim em empresas chinesas e no mercado de minério de ferro e a uma possível desaceleração do crescimento do gigante asiático, deixando os mercados globais ainda mais cautelosos.
No Brasil, não só as empresas de commodities sofreram com a queda dos preços do petróleo e do minério de ferro, como o mercado em geral sentiu o peso das nossas próprias crises internas.
O risco fiscal não deu sinais de queda com todas as incertezas em torno da PEC dos Precatórios e do novo Bolsa Família, além de um novo adiamento da reforma do imposto de renda, sempre deixada para a “semana que vem”.
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Afinal, qual será o destino do famigerado teto de gastos? E ainda vai sair alguma reforma neste governo? As eleições de 2022 já estão batendo à porta, e os riscos que os anos eleitorais costumam trazer já se fazem sentir.
As tensões políticas entre os poderes - ou melhor, o constante embate do presidente Jair Bolsonaro contra o Judiciário e o Legislativo - também não deram trégua. Pelo contrário, a semana terminou com Bolsonaro enviando ao Senado um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com todo esse pano de fundo, o Ibovespa zerou os ganhos do ano e passou a acumular uma queda de 0,81% em 2021. O horizonte positivo para o setor de commodities ficou turvo, e com a inflação pressionada e o risco fiscal elevado, a alta nos juros futuros levou a renda fixa brasileira a renascer das cinzas.
A Jasmine Olga fez um resumo dos mercados na semana explicando em detalhes todos esses fatores que afetaram os mercados de bolsa, juros e câmbio nos últimos dias. E a seguir, você confere também as notícias mais importantes da semana e os destaques do Seu Dinheiro, caso tenha perdido alguma coisa.
1 - A renda fixa vive
Com a alta dos juros futuros, as taxas dos títulos públicos retornaram a patamares atrativos para o investidor. Para quem tinha saudades dos retornos de dois dígitos, um dos títulos prefixados negociados no Tesouro Direto voltou a render mais de 10% ao ano.
2 - O efeito Afeganistão nos seus investimentos
A retomada do Afeganistão pelo Taleban chocou o mundo no fim de semana passado. Mas além de ser uma crise humanitária e política de grandes proporções para aquele país, o acontecimento tem um peso geopolítico enorme, e pode ter efeitos nos mercados globais não só no curto prazo - sobre os preços das commodities - como também no longo prazo.
Estamos falando de um possível reequilíbrio de forças no mundo, com um enfraquecimento do poderio americano e um fortalecimento da China. O Matheus Spiess abordou a questão na sua coluna desta semana, onde falou sobre os possíveis efeitos da crise afegã para os investimentos.
3 - O futuro das locadoras de carros
As ações da Movida (MOVI3) ainda não retornaram aos patamares pré-pandemia, mas a empresa colheu bons frutos da crise. Sim, é verdade que a locação de carros tradicional foi negativamente afetada pelos lockdowns. Afinal, as pessoas circularam menos, e o turismo foi fortemente impactado.
Mas os novos hábitos que surgiram em 2020 trouxeram também novas oportunidades para as locadoras no segmento de carros por assinatura. O CEO da Movida, Renato Franklin, conversou com exclusividade com o Vinícius Pinheiro sobre o que ele chamou de “outro patamar” atingido pela companhia.
4 - Vem mais briga por aí?
O empresário Nelson Tanure já é conhecido no mercado como uma espécie de fermento Royal: onde ele aparece, o bolo cresce. Não digo isso pejorativamente, de maneira alguma. Tanure se especializou em uma atividade complicada: comprar grandes fatias de empresas, geralmente em estado pré-falimentar, para lucrar com o turnaround. Pela própria natureza da atividade, já dá para imaginar que é difícil fazer algo assim sem alguma dose de conflito.
Por isso mesmo, a imprensa especializada já espera boas histórias onde quer que o nome dele apareça. Nesta semana, Tanure adquiriu uma fatia relevante da empresa de medicina diagnóstica Alliar (AALR3), que já vinha sendo cobiçada pela Rede D’Or. O que já prometia ser uma briga de gigantes pelo controle da companhia, antes esquecida na bolsa, ganhou um novo componente quando os minoritários resolveram se unir para formar um bloco de controle, a fim de negociar a melhor oferta.
As ações da noiva cobiçada dispararam com a disputa, mas os próximos capítulos dessa história ainda prometem. O Victor Aguiar conta todos os detalhes nesta matéria.
5 - Hackers ‘sequestram’ a Renner
Se no tempo das grandes navegações os exploradores temiam ter sua carga saqueada por piratas em alto-mar, hoje o temor das empresas é sofrer um “sequestro virtual” dos seus dados pelos “piratas da internet”. Nesta semana, foi a vez das Lojas Renner (LREN3) sofrerem um ataque do tipo ransomware, um bloqueio ao sistema da empresa por hackers, que passam a exigir dinheiro para liberá-lo, pago em criptomoedas.
A invasão deixou o e-commerce da Renner indisponível, o que acende a discussão sobre segurança cibernética e o que separa uma empresa verdadeiramente tech de uma que apenas “vende pela internet”, como discute a analista Larissa Quaresma, na sua coluna deste sábado.
Este artigo foi publicado primeiramente no "Seu Dinheiro no sábado". Para receber esse conteúdo no seu e-mail, cadastre-se gratuitamente neste link.
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