Por um lado, reabertura. Por outro, juros mais altos. Como ficam as ações das varejistas?
Esse pano de fundo é positivo para varejistas como Marisa, Lojas Renner, Arezzo e Alpargatas. Mas não é tão bom para Via, B2W, Americanas e Magazine Luiza
O avanço da vacinação no Brasil, que está com 43% da sua população imunizada, traz um vento favorável para o varejo nacional. Por outro lado, a subida da inflação tem causado uma forte reação do Banco Central, que sobe os juros para controlar os preços. Quem se beneficia, no saldo desses dois vetores?
Houve um pequeno repique nos casos de covid na última semana – episódio que, confesso, chegou a me preocupar – mas tudo indica que foi um efeito pontual de um represamento do reporte de casos no estado de São Paulo.
Ao que tudo indica, a vacinação parece de fato estar surtindo efeito. Aqui no Brasil, já são 92 milhões de pessoas totalmente vacinadas, o que corresponde a 43% da população nacional.
O cenário-base, então, é de reabertura crescente. Um quarto trimestre bem próximo do normal em termos de compras de Black Friday e Natal. Entretanto, temos o outro lado: a subida da dupla inflação + juros. O aumento de preços vem:
- das tarifas de energia, que estão mais altas por causa da nossa crise hídrica;
- dos preços de alimentos, pelo mesmo efeito;
- das commodities, que foram inflacionadas pelas rupturas de cadeia vindas da pandemia
- do dólar mais alto, causado pela nossa turbulência política e que afeta bens importados, como eletrônicos e automóveis
- da crise de escassez dos semicondutores, que persiste, também pela ruptura de cadeias
O Banco Central, corretamente e agindo dentro do seu papel, tem escalado a Selic para controlar os preços pelo lado da demanda. A entidade está correta; entretanto, esse mecanismo passa, inevitavelmente, por uma desaceleração da demanda.
Mas desacelera a demanda por tudo?
Não.
Leia Também
Tem um efeito mais forte sobre a demanda por varejistas que comercializam bens de preço mais alto – notadamente aqueles que chamamos de bens duráveis. Eletrodomésticos, eletrônicos, automóveis, imóveis.
Veja a relevância que o crédito tem na venda das Casas Bahia (76% da receita 2020 da Via foi feita por meio de cartão de crédito ou carnê). Ou mesmo no caso do Magazine Luiza, que teve 75% da sua receita em 2020 feita com o uso de crédito.
Os bens não duráveis, por outro lado, como vestuário, cosméticos e itens de higiene pessoal tendem a ser menos afetados, simplesmente porque dependem menos de crédito.
O leitor começa a enxergar aonde quero chegar?
Leia também:
- Onde investir: Natura (NTCO3) e outras 2 ações ESG para os próximos 3 anos
- É hora de comprar bolsa? Como identificar as melhores barganhas em meio à queda das ações
- As principais apostas na bolsa do fundo que rende mais de 20% no ano
O saldo para as varejistas
Esse pano de fundo é positivo para varejistas como Marisa, Lojas Renner, Arezzo e Alpargatas. Por outro lado, não tão positivo para Via, B2W, Americanas e Magazine Luiza.
Mas espere. Não estou falando para comprar ações do primeiro grupo, de não duráveis, e vender o segundo, de duráveis. Muita calma nessa hora.
É preciso entender que o mercado se antecipa. Grande parte dessa narrativa já está refletida nos preços, e qualquer surpresa positiva na inflação ou nos juros vira essa narrativa de cabeça para baixo, e inverte a matriz de probabilidades a favor das varejistas de duráveis.
Hoje, meu foco foi lhe ajudar a entender o operacional. Nunca podemos perder o olho dele – o preço de tela, às vezes, nos desvia do que realmente importa: a empresa por trás da cotação.
Um abraço,
Larissa
O Mirassol das criptomoedas, a volta dos mercados após o Natal e outros destaques do dia
Em um ano em que os “grandes times”, como o bitcoin e o ethereum, decepcionaram, foram os “Mirassóis” que fizeram a alegria dos investidores
De Volta para o Futuro 2026: previsões, apostas e prováveis surpresas na economia, na bolsa e no dólar
Como fazer previsões é tão inevitável quanto o próprio futuro, vale a pena saber o que os principais nomes do mercado esperam para 2026
Tony Volpon: Uma economia global de opostos
De Trump ao dólar em queda, passando pela bolha da IA: veja como o ano de 2025 mexeu com os mercados e o que esperar de 2026
Esquenta dos mercados: Investidores ajustam posições antes do Natal; saiba o que esperar da semana na bolsa
A movimentação das bolsas na semana do Natal, uma reportagem especial sobre como pagar menos imposto com a previdência privada e mais
O dado que pode fazer a Vale (VALE3) brilhar nos próximos dez anos, eleições no Brasil e o que mais move seu bolso hoje
O mercado não está olhando para a exaustão das minas de minério de ferro — esse dado pode impulsionar o preço da commodity e os ganhos da mineradora
A Vale brilhou em 2025, mas se o alerta dessas mineradoras estiver certo, VALE3 pode ser um dos destaques da década
Se as projeções da Rio Tinto estiverem corretas, a virada da década pode começar a mostrar uma mudança estrutural no balanço entre oferta e demanda, e os preços do minério já parecem ter começado a precificar isso
As vantagens da holding familiar para organizar a herança, a inflação nos EUA e o que mais afeta os mercados hoje
Pagar menos impostos e dividir os bens ainda em vida são algumas vantagens de organizar o patrimônio em uma holding. E não é só para os ricaços: veja os custos, as diferenças e se faz sentido para você
Rodolfo Amstalden: De Flávio Day a Flávio Daily…
Mesmo com a rejeição elevada, muito maior que a dos pares eventuais, a candidatura de Flávio Bolsonaro tem chance concreta de seguir em frente; nem todas as candidaturas são feitas para ganhar as eleições
Veja quanto o seu banco paga de imposto, que indicadores vão mexer com a bolsa e o que mais você precisa saber hoje
Assim como as pessoas físicas, os grandes bancos também têm mecanismos para diminuir a mordida do Leão. Confira na matéria
As lições do Chile para o Brasil, ata do Copom, dados dos EUA e o que mais movimenta a bolsa hoje
Chile, assim como a Argentina, vive mudanças políticas que podem servir de sinal para o que está por vir no Brasil. Mercado aguarda ata do Banco Central e dados de emprego nos EUA
Chile vira a página — o Brasil vai ler ou rasgar o livro?
Não por acaso, ganha força a leitura de que o Chile de 2025 antecipa, em diversos aspectos, o Brasil de 2026
Felipe Miranda: Uma visão de Brasil, por Daniel Goldberg
O fundador da Lumina Capital participou de um dos episódios de ‘Hello, Brasil!’ e faz um diagnóstico da realidade brasileira
Dividendos em 2026, empresas encrencadas e agenda da semana: veja tudo que mexe com seu bolso hoje
O Seu Dinheiro traz um levantamento do enorme volume de dividendos pagos pelas empresas neste ano e diz o que esperar para os proventos em 2026
Como enterrar um projeto: você já fez a lista do que vai abandonar em 2025?
Talvez você ou sua empresa já tenham sua lista de metas para 2026. Mas você já fez a lista do que vai abandonar em 2025?
Flávio Day: veja dicas para proteger seu patrimônio com contratos de opções e escolhas de boas ações
Veja como proteger seu patrimônio com contratos de opções e com escolhas de boas empresas
Flávio Day nos lembra a importância de ter proteção e investir em boas empresas
O evento mostra que ainda não chegou a hora de colocar qualquer ação na carteira. Por enquanto, vamos apenas com aquelas empresas boas, segundo a definição de André Esteves: que vão bem em qualquer cenário
A busca pelo rendimento alto sem risco, os juros no Brasil, e o que mais move os mercados hoje
A janela para buscar retornos de 1% ao mês na renda fixa está acabando; mercado vai reagir à manutenção da Selic e à falta de indicações do Copom sobre cortes futuros de juros
Rodolfo Amstalden: E olha que ele nem estava lá, imagina se estivesse…
Entre choques externos e incertezas eleitorais, o pregão de 5 de dezembro revelou que os preços já carregavam mais política do que os investidores admitiam — e que a Bolsa pode reagir tanto a fatores invisíveis quanto a surpresas ainda por vir
A mensagem do Copom para a Selic, juros nos EUA, eleições no Brasil e o que mexe com seu bolso hoje
Investidores e analistas vão avaliar cada vírgula do comunicado do Banco Central para buscar pistas sobre o caminho da taxa básica de juros no ano que vem
Os testes da família Bolsonaro, o sonho de consumo do Magalu (MGLU3), e o que move a bolsa hoje
Veja por que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência derrubou os mercados; Magazine Luiza inaugura megaloja para turbinar suas receitas