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Por um lado, reabertura. Por outro, juros mais altos. Como ficam as ações das varejistas?

Esse pano de fundo é positivo para varejistas como Marisa, Lojas Renner, Arezzo e Alpargatas. Mas não é tão bom para Via, B2W, Americanas e Magazine Luiza

3 de outubro de 2021
8:00 - atualizado às 14:08
terminal de venda em varejista
Quem se beneficia no saldo entre a volta da economia e a alta da Selic? Imagem: Shutterstock

O avanço da vacinação no Brasil, que está com 43% da sua população imunizada, traz um vento favorável para o varejo nacional. Por outro lado, a subida da inflação tem causado uma forte reação do Banco Central, que sobe os juros para controlar os preços. Quem se beneficia, no saldo desses dois vetores?

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Houve um pequeno repique nos casos de covid na última semana – episódio que, confesso, chegou a me preocupar – mas tudo indica que foi um efeito pontual de um represamento do reporte de casos no estado de São Paulo.

Interface gráfica do usuário, Gráfico, Histograma

Descrição gerada automaticamente
Fonte: JHU CSSE

Ao que tudo indica, a vacinação parece de fato estar surtindo efeito. Aqui no Brasil, já são 92 milhões de pessoas totalmente vacinadas, o que corresponde a 43% da população nacional.

Gráfico, Gráfico de linhas

Descrição gerada automaticamente
Fonte: Consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

O cenário-base, então, é de reabertura crescente. Um quarto trimestre bem próximo do normal em termos de compras de Black Friday e Natal. Entretanto, temos o outro lado: a subida da dupla inflação + juros. O aumento de preços vem:

  • das tarifas de energia, que estão mais altas por causa da nossa crise hídrica;
  • dos preços de alimentos, pelo mesmo efeito;
  • das commodities, que foram inflacionadas pelas rupturas de cadeia vindas da pandemia
  • do dólar mais alto, causado pela nossa turbulência política e que afeta bens importados, como eletrônicos e automóveis
  • da crise de escassez dos semicondutores, que persiste, também pela ruptura de cadeias

O Banco Central, corretamente e agindo dentro do seu papel, tem escalado a Selic para controlar os preços pelo lado da demanda. A entidade está correta; entretanto, esse mecanismo passa, inevitavelmente, por uma desaceleração da demanda.

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Mas desacelera a demanda por tudo?

Não.

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Tem um efeito mais forte sobre a demanda por varejistas que comercializam bens de preço mais alto – notadamente aqueles que chamamos de bens duráveis. Eletrodomésticos, eletrônicos, automóveis, imóveis.

Veja a relevância que o crédito tem na venda das Casas Bahia (76% da receita 2020 da Via foi feita por meio de cartão de crédito ou carnê). Ou mesmo no caso do Magazine Luiza, que teve 75% da sua receita em 2020 feita com o uso de crédito.

Os bens não duráveis, por outro lado, como vestuário, cosméticos e itens de higiene pessoal tendem a ser menos afetados, simplesmente porque dependem menos de crédito.

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O leitor começa a enxergar aonde quero chegar?

Leia também:

O saldo para as varejistas

Esse pano de fundo é positivo para varejistas como Marisa, Lojas Renner, Arezzo e Alpargatas. Por outro lado, não tão positivo para Via, B2W, Americanas e Magazine Luiza.

Mas espere. Não estou falando para comprar ações do primeiro grupo, de não duráveis, e vender o segundo, de duráveis. Muita calma nessa hora.

É preciso entender que o mercado se antecipa. Grande parte dessa narrativa já está refletida nos preços, e qualquer surpresa positiva na inflação ou nos juros vira essa narrativa de cabeça para baixo, e inverte a matriz de probabilidades a favor das varejistas de duráveis.

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Hoje, meu foco foi lhe ajudar a entender o operacional. Nunca podemos perder o olho dele – o preço de tela, às vezes, nos desvia do que realmente importa: a empresa por trás da cotação.

Um abraço,

Larissa

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