Ibovespa acompanha melhora em Nova York e fecha em alta, mas dólar tem mais um dia sob pressão
Em uma semana decisiva para a política monetária nacional e internacional, os investidores aproveitaram um alívio no cenário externo para ignorar os ruídos locais - pelo menos na Bolsa

A semana começa com novidades para os investidores brasileiros. A partir desta segunda-feira (15), a bolsa de valores brasileira volta a fechar às 17h, acompanhando suas “primas” americanas e o início do horário de verão nos Estados Unidos.
E não é só no horário de negociações que o mercado brasileiro acompanha os acontecimentos em Nova York. Na próxima quarta-feira (17) tanto o Banco Central brasileiro quanto o Federal Reserve devem anunciar as suas decisões de política monetária.
Enquanto por aqui a perspectiva é de que a taxa de juros seja elevada - com o consenso de mercado por um aumento de 50 pontos-base ou 75 pontos-base -, nos Estados Unidos a projeção é de que os juros sejam mantidos nos patamares atuais.
Na decisão do Fed, os investidores estarão mesmo de olho no comunicado, que deve trazer algum indicativo que acalme o mercado com relação ao temor de uma pressão inflacionária mais forte, principalmente após a aprovação do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão nos EUA.
Esse compasso de espera pelas decisões deixou as bolsas bem instáveis pela manhã - tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, onde os investidores também pesam mais ruídos políticos, ainda que para o analista Victor Benndorf, da Apollo Investimentos, esse aumento da Selic já se encontre precificado.
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Pela manhã, também tivemos o vencimento de opções, movimento que costuma pressionar as principais empresas da bolsa. Ao longo da tarde, no entanto, uma melhora do quadro em Nova York - que foi puxada por um alívio dos Treasuries - permitiu que o Ibovespa se firmasse em alta. A bolsa brasileira fechou o dia com um avanço de 0,60%, aos 114.850 pontos.
No entanto, no dólar e nos juros, o que prevaleceu foi a cautela. O Banco Central voltou a mostrar que de fato está desconfortável com o patamar elevado da moeda americana e voltou a fazer atuações extras no mercado de câmbio quando a cotação chegou a R$ 5,66. No fim, a divisa avançou 1,54%, aos R$ 5,6395.
Além da expectativa pela decisão dos BCs nos próximos dias, hoje o mercado também monitorou a possível saída do ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Ainda que os analistas não vejam a mudança fazendo preço significativo no mercado, ninguém gosta de instabilidade, e os investidores buscam notícias positivas sobre o cronograma de vacinação que possam de fato refletir na melhora da atividade econômica.
No aguardo do Copom, o mercado de juros futuros segue precificando uma alta da Selic e teve mais um dia de alta, principalmente na ponta mais curta. Confira as taxas de fechamento de hoje:
- Janeiro/2022: de 4,22% para 4,29%
- Janeiro/2023: de 5,96% para 6,04%
- Janeiro/2025: estável em 7,40%
- Janeiro/2027: de 7,96% para 7,94%
Mais um ministro na corda bamba
Rumores repercutidos por diversos jornais afirmam que o atual ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, estaria pronto para deixar a pasta. No entanto, nada ainda foi confirmado. A imprensa já noticiou que Ludhmila Hajjar, cotada para substituir Pazuello, recusou o cargo por diferenças com o governo federal.
Se confirmada, essa será a terceira troca no Ministério da Saúde no meio da pior crise sanitária mundial, que já teve à sua frente Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, ambos médicos, antes de ser encabeçada por Pazuello, general da reserva.
Para os especialistas, a saída de Pazuello seria uma forma de minar as investigações de uma CPI que investiga a atuação do governo diante da crise do coronavírus e aliviaria também as investigações que rolam no Supremo Tribunal Federal (STF).
Bruno Madruga, sócio da Monte Bravo Investimentos, acredita que embora o mercado observe de perto essa possível troca, a notícia não mexeu de fato com os mercados hoje. Mesma visão compartilhada pelo analista da Apollo Investimentos e por Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.
Victor Benndorf afirma que “muita coisa ruim já está precificada por aqui” e a possibilidade de troca de ministro neste momento só mostra o quão grave é a situação da pandemia no país, mas esse já é um fato conhecido do mercado. O consenso é que os investidores estão de olho mesmo é no cumprimento do cronograma de vacinação, nas negociações de novas vacinas e na melhoria da logística de distribuição.
“Lógico que se vier um nome que passe confiança é melhor que um nome que desagrade. Mas mesmo colocando pessoas competentes no ministério não foi suficiente, houve problema de organização. Não é uma questão do nome e sim da capacidade do Brasil em adquirir vacinas lá fora."
- Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.
A semana dos BCs
Nesta semana, temos reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidirá sobre os rumos da taxa básica de juros no Brasil. A expectativa do mercado é de uma retomada do ciclo de alta da Selic. Nos Estados Unidos, os investidores esperam uma manutenção do cenário atual, mas estão de olho nas sinalizações dadas pelo Federal Reserve, já que há temores de uma disparada inflacionária.
No mercado americano, ainda existe uma repercussão do pacote fiscal sancionado na semana passada, já que os cheques de US$ 1,4 mil aos americanos mais vulneráveis devem começar a ser enviados nesta semana. Hoje, um discurso feito por Joe Biden ajudou as bolsas americanas a se recuperarem. Biden voltou a falar sobre a importância do pacote fiscal para recuperar a espinha dorsal da economia americana.
Os títulos do Tesouro americano têm tirado o sono dos investidores mundiais, mas hoje deram uma trégua, o que beneficiou as bolsas.
O Dow Jones fechou o dia em alta de 0,53%, o S&P 500 avançou 0,65% e o Nasdaq teve o melhor desempenho, subindo 1,05%.
Sobe e desce
Os papéis da Copel despontam como a maior alta do dia, após anunciar um desdobramento de ações na proporção de 1 para 10, o que, na visão dos analistas da Ativa Research, deve dar maior liquidez aos papéis.
As ações das companhias aéreas brasileiras pegam carona com o movimento visto no exterior, de olho na recuperação econômica e perspectivas de vacinação em massa. Lá fora, a American Airlines subiu mais de 8%.
Benndorf, da Apollo Investimentos, também destaca que o mercado brasileiro segue buscando ativos de setores descontados pela crise com a perspectiva de novas vacinas. Confira as principais altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| CPLE6 | Copel PNB | R$ 6,77 | 7,46% |
| GOLL4 | Gol PN | R$ 24,29 | 6,63% |
| AZUL4 | Azul PN | R$ 42,80 | 4,06% |
| JHSF3 | JHSF ON | R$ 7,07 | 3,82% |
| TOTS3 | Totvs ON | R$ 28,70 | 3,76% |
A queda da CSN acompanha mais um dia de recuo do preço do minério de ferro no mercado internacional. Confira as principais quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 35,84 | -4,73% |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 23,64 | -3,79% |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 90,78 | -2,92% |
| IRBR3 | IRB ON | R$ 6,02 | -2,75% |
| B3SA3 | B3 ON | R$ 54,13 | -2,19% |
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