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Tempestade depois da bonança

Incertezas com covid-19 e Trump pesam e Ibovespa tem queda firme; dólar vai a R$ 5,50

Depois de uma semana de recordes, as bolsas globais voltaram a ficar no vermelho. O mercado precifica o avanço do coronavírus e a tensão política nos Estados Unidos

tempestade na bolsa
Imagem: Shutterstock

A primeira semana de 2021 foi daquelas para bolsa nenhuma botar defeito. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, renovou seguidas vezes o seu topo, rompendo pela primeira vez a marca dos 125 mil até terminar a semana com mais um recorde de fechamento, aos 125.076,63 pontos — a menos de 250 pontos de sua máxima intraday. 

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Lá fora, o movimento foi semelhante. Impulsionadas pela perspectiva de recuperação econômica — com o progresso da vacinação em diversos países e promessas de novos estímulos após a concretização da "onda azul" no Senado americano — os investidores foram às compras, levando os índices em Wall Steet a também atingirem suas máximas históricas. 

Hoje, no entanto, o cenário mudou e velhos fantasmas ditaram o ritmo dos negócios. A aversão ao risco reinou durante todo o dia, levando o Ibovespa a fechar esta segunda-feira (11) em queda de 1,46%, aos 123.255,13, em linha com o movimento de realização de lucros também visto nos Estados Unidos, Europa e Ásia, mas distante das mínimas, quando chegou ao patamar dos 122 mil.

Em Nova York, as perdas mais expressivas vieram do setor de tecnologia, com o Nasdaq recuando 1,25%. A cautela global seguiu pressionando o dólar, que havia encerrado a primeira semana de 2021 com uma valorização de 4,1%. A moeda americana terminou o dia em alta de 1,61%, a R$ 5,5031. Essa foi a primeira vez que a moeda ultrapassou a casa dos R$ 5,50 desde 13 de novembro.

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Tech em baixa

O índice Nasdaq foi o destaque negativo das bolsas americanas hoje. Um dos destaques negativos foram os papéis do Twitter, que chegaram a cair 12% após a plataforma suspender indefinidamente o presidente Donald Trump. A Alphabet (controladora do Google) e a Apple também sofreram após banirem a rede social Parler, utilizada com “alternativa” pelos apoiadores do ex-presidente.

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O Dow Jones e o S&P 500 apresentaram quedas menos acentuadas de, respectivamente, 0,29% e 0,66%. O noticiário corporativo deve seguir agitando as bolsas americanas nos próximos dias, com o início da temporada de balanços do 4º trimestre.

Mais do que uma correção

O movimento visto nas bolsas globais hoje vai além de simplesmente uma correção após as altas expressivas dos últimos dias. Ainda que a vacinação contra a covid-19 avance em muitos países, pesa nos negócios o cenário da pandemia, que acabou de cruzar a linha dos 90 milhões de infectados.

China, Europa e partes dos Estados Unidos voltaram a anunciar medidas de lockdown. O governo chinês até mesmo cancelou as celebrações do Ano Novo chinês, um dos feriados mais tradicionais do continente asiático, em diversas províncias. 

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O endurecimento das regras também acontece no Brasil, com destaque para duas capitais — Belo Horizonte e Manaus — restabelecendo medidas mais restritivas de isolamento, com o funcionamento apenas de serviços considerados essenciais, o que mexe com as ações do setor de consumo. O Brasil é o segundo país em números de óbitos, perdendo apenas para os Estados Unidos. 

Enquanto lá fora, em maior ou menor grau, existe alguma movimentação em torno da vacina, por aqui a situação ainda é um tanto quanto indefinida. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, deve se reunir amanhã com os governadores para uma definição mais detalhada de um plano de vacinação. Hoje, no entanto, o ministro afirmou que a vacina chegará aos estados 3 ou 4 dias após o aval da Anvisa, mas sem cravar uma data, apenas dizendo que "a vacina vai começar no Dia D, na Hora H".  

Atualmente duas opções de imunizante aguardam autorização da Anvisa — a desenvolvida pela AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford e a FioCruz, e a CoronaVac, que contou com a participação do Instituto Butantan. 

O risco fiscal também volta a rondar o cenário, já que o prolongamento da situação pode acabar pesando mais uma vez sobre as contas públicas. 

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Washington em alerta

Voltando ao exterior, o clima político em Washington segue não ajudando e os últimos dias do governo Trump prometem ser agitados. 

Faltando menos de duas semanas para o fim do mandato do republicano, os democratas apresentaram um novo pedido de impeachment contra o atual presidente. Na semana passada, apoiadores de Trump invadiram o Capitólio durante a cerimônia de certificação da vitória de Biden. A confusão deixou cinco mortos, motivando o novo pedido sob a justificativa de que Trump incitou uma insurreição  

Além disso, os investidores estão de olho na possibilidade de novos estímulos, que tanto animou os mercados na semana passada, minguarem. Alguns integrantes do Federal Reserve sinalizaram que o BC americano pode começar a reduzir o ritmo de compras de títulos já em 2021. 

Sobe e desce

Só se fala nela: a possibilidade de fusão entre Hapvida e NotreDame Intermédica e que pode criar a maior operadora de saúde em números de beneficiários do país. Os analistas estão otimistas com o potencial da nova gigante de saúde. Com esse desempenho dos dois últimos pregões, as companhias acumulam um valor de mercado superior a R$129 bilhões.

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A PetroRio foi outro destaque positivo, indo na contramão da cotação do petróleo, que também teve um dia de correção, e saltou 4%. Os investidores repercutiram os dados operacionais de dezembro divulgados pela companhia no último fim de semana. A empresa fechou 2020 com um aumento de 23% na produção diária de petróleo e suas ações dobraram de valor.

CÓDIGOCOMPANHIAVALORVARIAÇÃO
GNDI3Intermédica ONR$ 101,5011,05%
HAPV3Hapvida ONR$ 18,158,16%
PRIO3PetroRio ONR$ 77,484,07%
BRKM5Braskem PNAR$ 25,051,46%
USIM5Usiminas PNAR$ 16,751,45%

A Copel foi o grande destaque negativo do dia, caindo mais de 5%. O governo do Paraná manifestou a intenção de vender parte da sua participação e encerrar os estudos para a implementação de Units. O governo paranaense também pediu a distribuição de dividendos extraordinários. A XP investimentos (assim como o restante do mercado) não viu com bons olhos o movimento.

Políticas de isolamento social não favorecem em nada empresas de varejo e shoppings, que ficaram na parte de baixo da tabela até a reta final do pregão, quando a maior parte conseguiu se recuperar. No fim de semana, a Multiplan anunciou a interrupção nas atividades de três unidades na capital mineira. Em BH, somente serviços essenciais estão autorizados a funcionar. 

CÓDIGOCOMPANHIAVALORVARIAÇÃO
CPLE6Copel PNBR$ 69,31-5,47%
YDUQS3Yduqs ONR$ 32,545,27%
UGPA3Ultrapar ONR$ 23,77-4,84%
ENGI11Energisa UNTR$ 47,02-4,88%
MULT3Multiplan ONR$ 21,32-4,74%

O setor de commodities como um todo seguiu a tendência de correção do restante do mercado, mas as siderúrgicas e mineradoras tiveram um dia bem agitado após um relatório do Credit Suisse. 

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As ações da Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e da Gerdau (GGBR4) chegaram a liderar as quedas do dia após o banco suíço rebaixar a recomendação dos papéis para neutro. As companhias recuperaram parte das perdas ao longo do dia, encerrando a sessão em quedas de 1,71% e 2,75%, respectivamente.

Juros

O mau humor generalizado também afetou os juros futuros, acompanhando uma alta também das taxas do Tesouro americano, que precificam a possibilidade de novos estímulos. Confira as taxas de fechamento dos DIs:

  • Janeiro/2022: de 3,12% para 3,19%
  • Janeiro/2023: de 4,64% para 4,86%
  • Janeiro/2025: de 6,24% para 6,48%
  • Janeiro/2027: de 7,03% para 7,21%
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