Ibovespa começa novembro com o pé direito e sobe 2%, mas dólar e juros seguem pressionados; Inter sobe quase 20%
O Ibovespa recupera parte das perdas recentes, mas o dólar e o mercado de juros seguiram pressionados pelas incertezas no radar

O primeiro pregão de novembro não seguiu exatamente o roteiro de terror que poderia se esperar após a queda de 6% em outubro e uma agenda recheada de eventos importantes — e com mais uma ameaça de greve dos caminhoneiros no radar.
Mas as rodovias não foram paralisadas e as bolsas em Wall Street voltaram a renovar os seus recordes históricos de fechamento. Como esta segunda-feira (01) é véspera de feriado, a baixa liquidez favoreceu os negócios e o Ibovespa conseguiu fechar em alta de 1,98%, aos 105.550 pontos — ajudado pelo bom desempenho do setor financeiro após o prospecto de listagem do Nubank e o otimismo do mercado com a política de preços da Petrobras.
Embora o dia tenha sido tranquilo na bolsa, o dólar à vista e o mercado de juros não deixaram os investidores esquecerem que o risco fiscal segue elevado no Brasil e que devemos ter decisão de política monetária nos Estados Unidos em breve, com indicação da redução do programa de compra de ativos.
Acompanhando o movimento visto no exterior, o dólar à vista operou o dia todo em alta e fechou a sessão em alta de 0,43%, a R$ 5,6700; desde o começo do ano, o dólar já sobe mais de 9% em relação ao real.
No mercado de juros, o dia também foi de cautela. As casas de análise seguem revisando para cima as projeções para a inflação e o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou que os economistas já esperam que a inflação em 2021 chegue a 9,17%. Confira as taxas de fechamento :
- Janeiro de 2022: de 8,39% para 8,38%
- Janeiro de 2023: de 12,32% para 12,36%
- Janeiro de 2025: de 12,37% para 12,56%
- Janeiro de 2027: de 12,33% para 12,56%
Por que a bolsa subiu?
O movimento visto na bolsa se deve muito mais a um movimento de correção do que a uma melhora no cenário político-econômico doméstico: sem eventos relevantes da agenda de indicadores nesta segunda-feira, os investidores aproveitam para recompor parte de suas posições; o clima ameno visto lá fora também ajuda a desestressar a bolsa.
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No entanto, vale ressaltar que a semana deve ser turbulenta: por aqui, a ata da última reunião do Copom e a votação da PEC dos Precatórios, ambas na próxima quarta-feira, têm potencial para mexer com o preço dos ativos — caso o rompimento do teto de gastos seja confirmado pelo Congresso, é de se esperar uma movimentação intensa nas curvas de juros e no mercado de câmbio, com desdobramentos para a bolsa.
Lá fora, a decisão de juros do Fed e os dados do payroll, no fim da semana, também serão acompanhados de perto pelos investidores e podem trazer desdobramentos importantes aos mercados emergentes, como o Brasil.
Petrobras nos holofotes
A Petrobras não tem tido um dia de descanso. O presidente Jair Bolsonaro está fora do país , mas voltou a atacar a estatal. Segundo ele, os dividendos da companhia poderiam ser utilizados para reduzir o valor do diesel e um reajuste deve acontecer nos próximos 20 dias.
A petroleira foi rápida na resposta e garantiu ao mercado que não houve nenhuma mudança na forma de divulgação da sua política de preços e ajudou o Ibovespa a fechar o dia em alta firme.
[captacao]
Ibovespa: altas e baixas
Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa nesta manhã de segunda-feira (1):
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 42,31 | 19,18% |
| BIDI4 | Banco Inter PN | R$ 14,48 | 18,40% |
| COGN3 | Cogna ON | R$ 2,80 | 12,90% |
| CASH3 | Meliuz ON | R$ 3,66 | 10,57% |
| AZUL4 | Azul PN | R$ 27,10 | 8,97% |
A maior alta do dia ficou com o Banco Inter, que pegou carona no valor de mercado pretendido pelo Nubank ao abrir o seu capital na Nyse e na B3.
Na ponta positiva, menção honrosa também para a Cogna ON (COGN3), que concluiu a operação de troca de ativos com a Eleva Educação, anunciada em fevereiro — a antiga Kroton vendeu suas unidades de ensino fundamental, enquanto a Eleva negociou seu sistema de ensino.
Para o BTG Pactual, no entanto, a notícia não traz grandes desdobramentos à Cogna. "Investidores mais confiantes na tese de investimento acreditavam que essa transação iria melhorar a alavancagem da Cogna, mas isso não se concretizou; o endividamento ainda depende da recuperação de suas atividades centrais", diz o banco, em relatório enviado aos clientes.
Fora do Ibovespa, destaque para Burger King (BKBR3). Em meio à instabilidade nos mercados e a desvalorização de suas ações, a empresa cancelou a compra das operações da Domino's no Brasil — uma transação que, embora fizesse sentido no lado qualitativo, era criticada por sua arquitetura.
O Vinci Partners, controlador da Domino's, também tinha uma fatia de cerca de 6% no Burger King; assim, caso a transação fosse concluída, o fundo ficaria com mais de 20% da nova empresa, o que desagradou os acionistas minoritários do BK Brasil.
Confira também as cinco maiores baixas do índice:
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| JBSS3 | JBS ON | R$ 37,16 | -4,84% |
| MRFG3 | Marfrig ON | R$ 25,44 | -4,00% |
| CCRO3 | CCR ON | R$ 11,11 | -2,80% |
| ASAI3 | Assaí ON | R$ 14,98 | -2,03% |
| KLBN11 | Klabin units | R$ 22,13 | -2,03% |
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