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O Ibovespa renovou os recordes de fechamento pelo quinto pregão consecutivo; no câmbio, o dólar foi às mínimas em quase um ano

Mais uma sessão, mais um recorde — essa tem sido a rotina do Ibovespa nos últimos dias. Nesta sexta-feira (4), contudo, o principal índice da bolsa brasileira chegou a uma marca especial: pela primeira vez na história, encerrou um pregão acima dos 130 mil pontos, coroando uma sequência de sete avanços consecutivos.
A nova máxima em termos nominais, no entanto, não foi conquistada com facilidade. O Ibovespa passou boa parte do dia em queda, virando para o campo positivo apenas no meio da tarde. Foi o suficiente para que o índice encerrasse em alta de 0,40%, aos 130.125,78 pontos.
Somente nesta semana, o Ibovespa acumulou ganhos de 3,64%; em 2021, o salto já chega a 9,33%.
Essa sequência de recorde atrás de recorde tem sido sustentada por dois fatores, um interno e um externo. Por aqui, a surpresa positiva com o PIB do primeiro trimestre elevou as expectativas em relação ao desempenho da economia brasileira em 2021, dando impulso à bolsa.
E, lá fora, a percepção é a de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) não vai mudar de postura tão cedo. Com o mercado de trabalho americano ainda fragilizado, os estímulos econômicos e os juros baixos devem continuar como estão por mais tempo.
Essa combinação também foi bastante benéfica para o mercado de câmbio: o dólar à vista caiu 0,95% hoje, indo às mínimas em quase um ano. Os R$ 5,0356 de hoje representam a menor cotação de fechamento desde 10 de junho de 2020, quando a moeda americana valia R$ 4,9355.
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Comecemos a análise pelo primeiro dos fatores: a expectativa mais favorável em relação à economia brasileira. A alta de 1,2% do PIB nacional no primeiro trimestre ficou acima das expectativas do mercado e desencadeou uma onda de revisões positivas nas projeções para o ano.
É verdade que os dados de produção industrial em abril ficaram abaixo das previsões. No entanto, os números da indústria não foram suficientes para jogar água no chope da bolsa, que continuou sendo impulsionada pelo otimismo com a economia no curto prazo.
Especialistas alertam, no entanto, que há inúmeros fatores de risco no radar ainda em 2021. A pandemia segue fora de controle no país e o ritmo de vacinação continua lento; além disso, a crise hídrica em diversos estados aumenta o temor quanto a um novo colapso no sistema elétrico — o que, obviamente, causaria grandes impactos aos níveis de atividade do país.
Mas, ao menos por enquanto, o Ibovespa não quer saber de colocar esses riscos na conta. As revisões do PIB para cima e o discurso de que o ambiente político em Brasília está mais calmo, com avanços na pauta econômica (a CPI da Covid não tem feito preço na bolsa), são suficientes para dar força ao mercado de ações.

O segundo fator, de origem externa, foi particularmente importante para o comportamento do dólar, embora também tenha tido influência na bolsa.
Nesta sexta-feira, foi divulgado o relatório de empregos dos EUA em maio — e a expectativa era elevada, considerando os dados mais animadores do mercado de trabalho divulgados ontem.
No entanto, o payroll decepcionou: ao todo, foram criados 559 mil novos postos de trabalho nos EUA no mês passado, número que ficou abaixo das expectativas do mercado. A taxa de desemprego, por outro lado, ficou em 5,8% — o consenso era de um indicador mais próximo de 6%.
Com os dados de emprego ainda sem indicar uma retomada firme, o mercado acredita que o Fed continuará de braços cruzados, sem nem pensar em tirar estímulos da economia ou sinalizar um cronograma para a alta da taxa de juros.
E por que isso é importante? Com o entendimento de que os juros dos EUA devem ficar no nível de 0% a 0,25% ao ano por um período prolongado, o rendimento dos títulos do Tesouro americano também ficará contraído num horizonte mais longo.
E, com esses investimentos rendendo muito pouco, muitos investidores começam a partir para ativos mais arriscados, especialmente nos mercados emergentes — o que anima a bolsa e as moedas desses países.
É nesse contexto que o dólar à vista acumulou baixa de 3,39% na semana e aproximou-se ainda mais do nível dos R$ 5,00. E, para ajudar, muitas empresas brasileiras estão captando recursos no exterior e trazendo-os para o país, aproveitando a percepção de que a economia tende a se recuperar.
Por fim, há ainda a expectativa do mercado em relação à Selic. Com a inflação ganhando força e o risco hídrico lançando uma sombra nos índices de preço, acredita-se que o Copom irá aumentar a taxa de juros num ritmo mais rápido.
Com isso, os investimentos no país ficarão ainda mais atrativos em relação aos títulos do Tesouro americano — mais um fator que ajuda a explicar a queda tão brusca do dólar.

Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa nesta sexta-feira:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO | VARIAÇÃO |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 27,11 | 7,41% |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 58,91 | 5,35% |
| IGTA3 | Iguatemi ON | R$ 45,58 | 5,02% |
| MULT3 | Multiplan ON | R$ 27,51 | 4,80% |
| BRML3 | BR Malls ON | R$ 11,75 | 4,35% |
Confira também as cinco maiores quedas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO | VARIAÇÃO |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | R$ 14,51 | -3,20% |
| EMBR3 | Embraer ON | R$ 17,26 | -3,14% |
| GGBR4 | Gerdau PN | R$ 32,46 | -2,79% |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 19,05 | -2,76% |
| BRFS3 | BRF ON | R$ 28,65 | -2,48% |
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