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Mercado interpreta que a troca se trata de uma estratégia de dar um choque de credibilidade junto aos fornecedores

Depois de arrumar a casa, a rede supermercados Dia acaba de trocar o presidente no País e quer ampliar a fatia de produtos de marca própria nas lojas para voltar ao azul.
O paraibano Marcelo Maia, ex-diretor do Magazine Luiza e sócio da Lojas Maia, vendida para o Magazine em 2010, assumiu nesta segunda-feira (17) a presidência da rede de supermercados no lugar de Marin Dokozic.
A empresa não revela o motivo da mudança. O mercado interpreta que a troca se trata de uma estratégia de dar um choque de credibilidade junto aos fornecedores.
O executivo tem experiência no varejo nacional e é próximo do fundo de investimento LetterOne, que detém 69% ações da varejista no mundo. Com operações na Espanha, Portugal, Argentina e Brasil, as vendas do grupo somaram ¤ 5 bilhões de janeiro a setembro de 2019, com recuo de 7,4% ante 2018.
Maia disse que quer ampliar a fatia de produtos de marca própria nas lojas. No passado, esses itens chegaram a responder por mais de 30% da oferta. "No segundo semestre, vamos vir forte com trabalho de marca própria, tem muita coisa nova", afirmou. Ele trabalha com a perspectiva de aumentar essa parcela para até 50%.
Além de criar uma identidade, a marca própria melhora a margem de vendas, pois é um produto que tem preço menor já que não inclui despesas de marketing e propaganda.
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Outra incumbência do executivo é resgatar a "brasilidade" das lojas. Seu antecessor, era croata e ficou um ano à frente da operação no Brasil. De janeiro a setembro de 2019, fechou um centro de distribuição e 313 lojas, a maioria franquias.
Apesar do enxugamento, as vendas brutas caíram no Brasil 15% em moeda local ante o mesmo período de 2018, segundo o balanço da empresa. Foi o pior resultado nessa métrica entre todos os países onde a empresa atua e do conglomerado, aponta o balanço.
Especialistas dizem que a rede perdeu mercado, pressionada pela forte concorrência nos dois segmentos em que atua: o varejo de descontos e as lojas de vizinhança. Pelo potencial do mercado brasileiro, o País teria sido escolhido pelo grupo para fazer essa virada, dizem fontes.
Maia conhece a operação do varejo brasileiro como ex-dono de empresa e estudioso. Fez mestrado na London Business School, em Londres. Nessa época, se aproximou do fundo LetterOne. Desde agosto de 2019, vinha atuando como consultor contratado pelo fundo. Apesar da proximidade, ele não revela números de desempenho.
O Dia tem capital aberto na bolsa de Madri. O principal investidor do fundo é Mikhail Fridman, dono do grupo X5 Retail, que lidera o varejo alimentar na Rússia, com mais de 15 mil lojas. No Brasil, o Dia tinha em setembro 883 lojas e seis centros de distribuição.
*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo
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