Ibovespa pisa no freio do rali e dólar sobe forte de olho nos EUA e em Guedes
O comportamento dos mercados por aqui deve seguir diretamente ligado com o que acontece no mercado norte-americano

Com um clima mais pesado no exterior, o Ibovespa tem uma pausa no rali de novembro no pregão desta sexta-feira. Após abrir em leve alta, o principal índice da B3 passou a operar no vermelho. Por volta das 15h, recuava 0,76%, aos 105.860 pontos. Ainda assim, no acumulado de novembro a bolsa registra valorização de vigorosos 12,9%.
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O comportamento dos mercados por aqui segue diretamente ligado ao (mau) humor externo. Em Nova York, os índices Dow Jones e S&P500 operam em queda, mas o Nasdaq consegue se sustentar em leve alta.
A indicação do secretário do Tesouro do país, Steven Mnuchin, de que deixará expirar diversos programas de emergência do Federal Reserve (banco central americano, o Fed), colocou pressão sobre os negócios.
Mnuchin disse que vários programas novos que têm sustentado o crédito corporativo e os empréstimos municipais terminam em 31 de dezembro. Após o secretário reiterar o fim dos estímulos, a bolsa acelerou as perdas.
O chefe do Tesouro americano ainda pediu ao Fed a devolução de mais de US$ 70 bilhões em fundos que já haviam sido transferidos ao banco central para cobrir perdas com empréstimos.
Quem não gostou nada disso foi o... Fed. Charles Evans, presidente da distrital de Chicago do BC norte-americano, afirmou à rede CNBC que está "decepcionado" com o Tesouro pela suspensão da linha de empréstimos de emergência.
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Não bastassem as caneladas entre o Tesouro dos EUA e o Fed, medidas de restrição contra a disseminação da covid no país também são um fator de cautela. Nova York já decidiu por fechar as escolas públicas, enquanto o estado da Califórnia decidiu instituir um toque de recolher de 22h às 5h do horário local.
Mas a batalha contra o coronavírus também traz boas notícias. A farmacêutica Pfizer anunciou que planeja pedir aos órgãos reguladores de saúde dos Estados Unidos nesta sexta-feira a aprovação para uso emergencial da vacina contra a covid-19, desenvolvida em parceria com a BioNTech.
Por aqui, vale a pena acompanhar também o comportamento do dólar depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, falou em "vender um pouco de reservas" para reduzir o tamanho da dívida brasileira.
Até agora, a declaração teve o efeito oposto do esperado. A moeda norte-americana era cotada a R$ 5,377, em alta expressiva de 1,20% por volta das 15h. Os juros futuros também têm alta nas taxas na maioria dos vencimentos na B3.
Destaques da bolsa:
- As ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) sobem após a rede de supermercados dar mais um passo no processo de cisão da unidade de atacarejo Assaí com aval dos credores para segregar os negócios.
- As ações da CVC (CVCB3) operam em queda após anunciar acordo de renegociação de uma dívida de R$ 1,6 bilhão com credores de debêntures;
- PetroRio (PRIO3) lidera as quedas do Ibovespa após a disparada do pregão de ontem com a compra das dois campos de petróleo de Wahoo e Itaipu;
- Fora do Ibovespa, um dos destaques é Arezzo (ARZZ), que sobem após a varejista de calçados anunciar uma nova aquisição, da TROC.com.br, brechó online de roupas e acessórios de luxo.
- A Ânima (ANIM3) também sobe na bolsa em reação ao anúncio da aquisição da MedRoom, startup que desenvolve produtos de realidade virtual e realidade aumentada para a educação médica.
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