27 ações diferentes no top 3 das corretoras: as lições de setembro sobre diversificação de carteira
11 corretoras listaram suas 3 ações favoritas e divergiram bastante. Isso diz muito sobre o momento que vive o mercado

Quem me conhece hoje em dia costuma estranhar quando eu digo que era o “nerd” da escola. Meu jeito expansivo e falador de jornalista contrasta bastante com o menino calado da primeira fileira e que sempre tirava notas altas.
De todas as minhas características adolescentes, sem dúvida a mais marcante era sempre usar um moletom amarelo. A peça para mim funcionava como um amuleto: fazia provas, apresentava trabalhos e inclusive prestei as duas fases do vestibular (em pleno verão) com o tal moletom. De fato, esse costume era estranho, mas ninguém pode dizer que não me trouxe sorte.
Com o tempo percebi que não dava para seguir usando a mesma peça de roupa nos grandes momentos da minha vida, sobretudo nos profissionais. Aprendi na prática que apostar todas as fichas em um só amuleto nem sempre traz somente benefícios.
[captacao]
No mundo dos investimentos, essa discussão cai como uma luva. Sempre falamos aqui no Seu Dinheiro sobre a importância de você manter uma carteira diversificada para proteger seu patrimônio. Afinal, o bom investidor é aquele que está preparado para todas as situações do mercado.
Foi justamente esse pensamento que eu tive quando me deparei com as ações recomendadas pelos analistas para setembro. De longe, esse foi o mês em que as corretoras mais diversificaram suas apostas para a bolsa. Para você ter uma ideia, são 27 ações diferentes indicadas dentro do Top 3 de 11 corretoras.
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Essas diversas estratégias podem ser vistas como um reflexo do momento mais desafiador que a bolsa tem vivido. Em agosto, o Ibovespa embarcou em uma montanha-russa, chegando a ir abaixo dos 96 mil pontos, e só conseguiu recuperar parte das perdas aos 48’ do segundo tempo, fechando com um saldo negativo de 0,67%. Para setembro, a previsão de mais turbulências não pode ser descartada, já que a guerra comercial EUA-China continua firme e forte, assombrando as bolsas mundo afora.
Mesmo com diferentes apostas, algumas ações conseguiram se destacar entre as indicações dos analistas, e é sobre elas que quero falar com você hoje. Além da veterana Petrobras (PETR4), JBS (JBSS3), brMalls (BRML3) e Kroton (KROT3) também foram as mais indicadas. Saiba o que está por trás de cada uma delas.
JBS: euforia pós-balanço
A processadora de carnes com atuação mundial está com tudo no mercado desde que divulgou seu balanço do segundo trimestre de 2019. O lucro de R$ 2,18 bilhões e uma geração de caixa recorde (R$ 5,098 bilhões), a JBS viu seu conceito subir entre os analistas do mercado e passou a figurar entre as principais indicações de setembro.
A Mirae Asset justificou a sua aposta tanto pela excelente reação das ações ao balanço como pela expectativa de que bons desempenhos continuem sendo registrados nos próximos trimestres. O apoio para esse otimismo está justamente na alta da demanda por carne no Brasil e na melhora dos preços praticados nos Estados Unidos, importante mercado consumidor da JBS.
É também na maior demanda de proteína animal que o analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, concentra sua recomendação. Para ele, JBS é uma boa aposta para quem deseja surfar em uma onda de maior demanda e resultados positivos.
A Ativa aponta que, embora posicionada em um setor complexo e com diversos riscos na mesa, a JBS dispõe de uma operação mundial bastante diversificada. Na prática, isso ajuda a atenuar qualquer impacto pontual dentro do negócio.
Vale ressaltar ainda que a companhia tem passado por um importante processo de desinvestimentos, com o objetivo claro de diminuir o endividamento líquido.
Para quem deseja ir além das ações, no fim de agosto o frigorífico aprovou a emissão de R$ 600 milhões em debêntures. O montante arrecadado na operação será destinado para a compra de novas cabeças de gado.
brMalls: na onda da economia
O movimento de queda nos juros tem como objetivo principal o estímulo à atividade econômica brasileira. E nesse jogo quem pode sair ganhando são empresas de varejo e administradoras de shoppings, como a brMalls (BRML3). A companhia surfa em uma onda de otimismo que tem se instalado no setor de shoppings centers, que há alguns anos sofre com os efeitos da crise econômica.
Aliado a isso, a brMalls também tem feito o dever de casa ao se desfazer de ativos que não agregavam ao seu plano de negócios. A expectativa da Ativa Investimentos, uma das corretoras que indicou a ação, é de que o plano de venda de participações pode impactar positivamente nos próximos resultados da companhia.
Outro destaque para a empresa é a sua recém-fechada parceria com o Mercado Livre. O acordo, que busca soluções de marketplace, é uma das apostas para integrar os meios de negócios físico e digital.
Kroton: a queridinha das salas de aula
O setor de educação como um todo vive um período de desafios após os cortes do governo em programas de ensino superior como o Fies. Mas uma empresa que vem se destacando para reverter esse quadro: a Kroton.
Dona de grandes marcas de ensino como Anhanguera, Anglo, Unopar e Colégio Pitágoras, a empresa tem investido em aquisições para ganhar terreno no mercado competitivo. Sua mais recente compra, a Somos Educação, contribuiu para um aumento de 14,1% na receita líquida da empresa no segundo trimestre do ano.
A indicação das corretoras para as ações ordinárias da Kroton em muito se apoiam nas expectativas de expansão contínua dos negócios da empresa, que tende a levar uma fatia cada vez maior do ensino privado no país.
Petrobras: hora da reviravolta
A gestão de Roberto Castello Branco na Petrobras ganhou a confiança do mercado e assim permanece para o mês de setembro. A estatal mantém firme a sua iniciativa de desinvestimentos e as expectativas são positivas para que consiga reduzir seu endividamento.
Os analistas da Necton, que indicaram Petrobras no seu Top 3 de ações recomendadas, afirmam a manutenção dos preços do petróleo no exterior joga a favor da companhia. Na prática, isso significa que a Petrobras deve manter seus níveis robustos de receita líquida, contribuindo para um bom resultado financeiro dos próximos trimestres.
Falando um pouco mais sobre o desempenho das ações, os analistas da Toro Investimentos apontam para uma oportunidade de compra no momento. A visão se baseia no período difícil que os papéis tiveram em agosto, com uma desvalorização de mais de 10% em quase 30 dias. Já nos três primeiros pregões de setembro, as ações preferenciais da estatal já acumulam ganhos de quase 3%.
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