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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Mercados receosos

Cautela global faz o dólar subir a R$ 4,18, renovando a máxima no ano

O ambiente de maior aversão ao risco continuou pressionando o dólar, levando a moeda ao maior nível desde setembro de 2018. O Ibovespa também sentiu os efeitos da prudência e fechou em queda

Victor Aguiar
Victor Aguiar
13 de novembro de 2019
10:32 - atualizado às 10:49
Dólar em alta
Imagem: Shutterstock

Uma das palavras que eu mais ouvi e escrevi nos últimos dias foi 'cautela' — ou alguma de suas variantes. Ao ligar para algum analista de mercado ou mandar mensagem de WhatsApp para algum operador, o tom da conversa é sempre o mesmo — não dá tempo nem de perguntar sobre o dólar à vista ou ou Ibovespa:

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  • Turbulências na América Latina? É melhor ter cautela
  • E o Bolsonaro trocando de partido? Xi, isso aí traz muito ruído, o pessoal fica cauteloso
  • Guerra comercial entre EUA e China, vai ou não vai? Ah, na dúvida, já sabe...
  • Lula livre? Putz, ninguém quer admitir, mas isso gera uma boa dose de cautela.

Cautela, cautela, cautela. E sabe qual o resultado disso tudo? O dólar à vista fechou a R$ 4,1856 nesta quarta-feira (13), em alta de 0,46% — uma nova máxima em 2019 e a maior cotação de encerramento desde 13 de setembro de 2018, quando valia $ 4,1998. Desde o início do ano, a moeda acumula ganhos de 8,12%.

E o Ibovespa não ficou para trás: o principal índice da bolsa brasileira terminou a sessão em queda de 0,65%, aos 106.059,95 pontos, o menor nível desde 21 de outubro. Mas, na mínima, chegou a cair bem mais, tocando os 105.260,78 pontos (-1,40%).

Novamente, houve uma forte aversão ao risco em relação às divisas de emergentes, com o dólar se fortalecendo ante quase todos os ativos dessa natureza. O destaque, mais uma vez, foi o peso chileno, que passa por forte desvalorização em meio aos protestos no país.

A toada dos mercados seguiu igual a dos últimos dias: por aqui, os agentes financeiros continuaram monitorando eventuais desdobramentos no cenário político, considerando a soltura do ex-presidente Lula e a saída do presidente Jair Bolsonaro do PSL, temendo que esse rearranjo de forças possa, de alguma maneira, trazer tensão ao país.

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Lá fora, as turbulências na América Latina também permaneceram no radar, com foco nas instabilidades no Chile e na Bolívia. Nesse cenário, operadores e analistas apontaram que há um aumento na percepção de risco em relação aos ativos da região, o que afastou os investidores estrangeiros — e acabou afetando os mercados brasileiros.

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O quadro de maior prudência ainda incluiu as incertezas ligadas à guerra comercial entre Estados Unidos e China: o panorama continua nebuloso, sem uma definição clara quanto à assinatura da primeira fase de um acordo entre as potências e a possível retirada das tarifas protecionistas por ambas as partes.

E relatos de que as negociações entre Washington e Pequim teriam emperrado novamente contribuíram para tirar força das bolsas americanas: o Nasdaq caiu 0,07% e o S&P 500 teve leve alta de 0,07% — a exceção foi o Dow Jones, que subiu 0,33%, impulsionado pelo bom desempenho das ações da Disney.

"Nosso cenário interno, tanto em relação à política no Brasil quanto na América Latin, continua pressionando bastante [os ativos]. Mas, hoje, os demais mercados globais também estão ruins, o que faz com que a gente acabe assumindo um tom mais negativo", diz Gabriel Machado, analista da Necton.

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Ele pondera, no entanto, que o Ibovespa vinha de uma sequência bastante positiva, com renovações sucessivas de recordes. Assim, os ruídos na cena política doméstica e os demais fatores de incerteza no front internacional acabam desencadeando um movimento de correção — algo natural e que não muda a visão positiva para a bolsa no longo prazo.

Juros estáveis

Com a nova sessão de ganhos do dólar à vista, os juros de curto prazo fecharam em alta, enquanto os DIs mais longos exibiram um certo viés de estabilidade. As curvas com vencimento em janeiro de 2021 avançaram de 4,56% para 4,62%, e as para janeiro de 2023 foram de 5,70% para 5,73%.

No vértice mais extenso, as curvas para janeiro de 2025 tiveram leve alta de 6,34% para 6,35%, enquanto as com vencimento em janeiro de 2027 caíram de 6,69% para 6,67%.

Reta final dos balanços

Por fim, a temporada de balanços corporativos também mexeu com o Ibovespa. Entre os destaques, MRV ON (MRVE3) recuou 0,51% após reportar uma baixa de 8% no lucro líquido na base anual, para R$ 160 milhões — os resultados não foram bem recebidos pelos analistas.

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Cogna ON (COGN3) sobe 1,79% — a antiga Kroton registrou um lucro líquido ajustado de R$ 135 milhões no trimestre, cifra 62,2% menor que a vista há um ano. Veja um resumo dos números que foram divulgados recentemente nesta matéria especial.

Investigação

Outro destaque negativo da sessão é Via Varejo ON (VVAR3), em queda de 1,99%, em meio à notícia de que a empresa recebeu denúncias anônimas quanto à possíveis irregularidades contábeis — a dona das Casas Bahia e do Ponto frio diz que um comitê de investigação foi formado e que, até o momento, nenhum problema.quase todos os ativos dessa natureza. O destaque, mais uma vez, foi o peso chileno, que passa por forte desvalorização em meio aos protestos no país.vencimento em janeiro de 2027 caíram de 6,69% para 6,67%.

Reta final dos balanços

Por fim, a temporada de balanços corporativos também mexe com o Ibovespa. Entre os destaques, MRV ON (MRVE3) recua 0,68% após reportar uma baixa de 8% no lucro líquido na base anual, para R$ 160 milhões — os resultados não foram bem recebidos pelos analistas.

Cogna ON (COGN3) sobe 2,21% — a antiga Kroton registrou um lucro líquido ajustado de R$ 135 milhões no trimestre, cifra 62,2% menor que a vista há um ano. Veja um resumo dos números que foram divulgados recentemente nesta matéria especial.

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Investigação

Outro destaque negativo da sessão é Via Varejo ON (VVAR3), em queda de 1,97%, em meio à notícia de que a empresa recebeu denúncias anônimas quanto à possíveis irregularidades contábeis — a dona das Casas Bahia e do Ponto frio diz que um comitê de investigação foi formado e que, até o momento, nenhum problema foi constatado.

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