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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

A arte da guerra (comercial)

Trump traz alívio, mas bolsas de NY e Ibovespa ainda fecham no vermelho

Declarações do presidente dos Estados Unidos fizeram os índices acionários americanos e o Ibovespa se afastarem das mínimas, mas não foram suficientes para zerar as preocupações do mercado

Victor Aguiar
Victor Aguiar
9 de maio de 2019
10:29 - atualizado às 9:51
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Ibovespa devolveu parte dos ganhos de ontem e retornou ao nível de 94 mil pontos - Imagem: Seu Dinheiro

Os mercados globais estão com os nervos à flor da pele. Afinal, as negociações comerciais entre Estados Unidos e China parecem ter atingido um estágio decisivo — e o desfecho ainda é incerto. Como resultado, tanto as bolsas americanas quanto o Ibovespa tiveram um dia de oscilações intensas, encerrando a sessão em queda.

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Mas, apesar do desempenho negativo nesta quinta-feira (9), os mercados acionários terminaram longe das mínimas. E isso porque, em meio ao amplo pessimismo dos agentes financeiros em relação à guerra comercial, uma declaração do presidente americano, Donald Trump, trouxe algum alívio às negociações.

Ao ser questionado se um entendimento entre as partes será alcançado, Trump disse ainda ser possível chegar a um acordo nesta semana. Contudo, o presidente americano afirmou ter uma "excelente alternativa" —  não ficou claro se ele fazia referência a uma contraproposta ou à imposição de tarifas maiores a bens chineses.

Para os mercados, a sinalização foi suficiente para gerar uma melhora no humor: as bolsas americanas, que chegaram a cair mais de 1% durante a manhã, reduziram as perdas: o Dow Jones fechou em queda de 0,54%, o S&P 500 recuou 0,3% e o Nasdaq teve perda de 0,41%. E o Ibovespa acompanhou esse movimento.

O principal índice da bolsa brasileira fechou em baixa de 0,83%, aos 94.807,85 pontos — na mínima do dia, chegou a cair 1,79%, aos 93.883,23 pontos. O mercado de câmbio também reagiu à fala de Trump. Por aqui, o dólar à vista terminou a sessão em alta de 0,48%, a R$ 3,9519, após tocar os R$ 3,9812 mais cedo (+1,22%).

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A tensão elevada dos mercados no período da manhã estava ligada à chegada de uma delegação chinesa a Washington para dar continuidade ao diálogo entre os países. Mas, em meio à retórica protecionista adotada pelos governos das duas potências nesta semana, um desfecho amistoso para a guerra comercial parecia distante.

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Essa escalada nos atritos entre americanos e chineses ganhou um novo episódio ontem. O Ministério do Comércio da China divulgou comunicado dizendo lamentar uma eventual elevação nas tarifas impostas pelos Estados Unidos e prometendo retaliar caso esse cenário se confirme.

A retomada nas tensões comerciais teve início no último fim de semana, quando Trump, anunciou que subiria as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, de 10% para 25%, a partir desta sexta-feira.

"As informações estão desencontradas. Lideranças chinesas já estão nos Estados Unidos, mas, até agora, vai haver aumento de tarifas amanhã", destaca Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial Research. "O resto é ruído".

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Figueredo ainda lembra que as demais bolsas americanas estavam em suas máximas históricas há poucos dias, o que, por si só, já abre espaço para um movimento de correção — o S&P 500 e o Nasdaq tiveram hoje o quarto pregão consecutivo no campo negativo.

Ajustes pós-Copom

As curvas de juros, por outro lado, operaram em queda nesta quinta-feira, reagindo às sinalizações emitidas ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

A autoridade manteve a taxa Selic em 6,5% ao ano, conforme esperado pelo mercado, e acenou que os juros permanecerão no atual patamar dado o elevado grau de incerteza que cerca a economia brasileira.

Nesse contexto, os DIs com vencimento em janeiro de 2020 caíram de 6,43% para 6,40%, enquanto os DIs para janeiro de 2021 recuaram de 7% para 6,93%. Na ponta longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 tiveram  baixa de 8,10% para 8,06%, e as para janeiro de 2025 foram de 8,61% para 8,58%.

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Banco do Brasil destoa

A estatal divulgou ontem seus números trimestrais — e surpreendeu positivamente o mercado. O Banco do Brasil teve lucro líquido de R$ 4,247 bilhões entre janeiro e março de 2019, o que representa um aumento de 40,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Com o resultado, analistas projetam que o lucro do BB em 2019 deve ficar perto o teto das projeções.

As ações ON do banco (BBAS3) fecharam em alta de 0,87% e foram na contramão do restante do setor: Itaú Unibanco PN (ITUB4) recuou 1,24%, Bradesco PN (BBDC4) teve perda de 1,750%, Bradesco ON (BBDC3) teve baixa de 1,97% e as units do Santander Brasil (SANB11) tiveram queda de 1,77%.

MRV agrada

As ações ON da MRV (MRVE3) avançaram 4,49% e aparecem entre as maiores altas do Ibovespa nesta manhã, após a empresa reportar crescimento de 18,2% em seu lucro líquido na base anual, chegando a R$ 189 milhões no primeiro trimestre deste ano.

Os resultados agradaram os analistas, que elogiaram especialmente o crescimento de 22,7% na receita líquida, para R$ 1,5 bilhão.

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GPA pressionado

As ações PN do Grupo Pão de Açúcar (GPA) (PCAR4) caíram 4,32% e apareceram entre as maiores perdas do Ibovespa nesta quinta-feira, após o francês Casino — dono da empresa, da Via Varejo e do Assaí no Brasil — confirmar que estuda diversas opções estratégicas na América Latina, no contexto de uma revisão permanente de seus investimentos.

No entanto, o Casino diz que, até o momento, esses esforços não geraram elementos novos que justificassem uma divulgação ao mercado — aumentando o burburinho em relação a uma possível reestruturação dos ativos do grupo francês na região, unindo os ativos brasileiros ao Grupo Êxito, da Colômbia. Ontem, os papéis do GPA já haviam recuado 7,43%.

Em meio às notícias, o mercado quase não repercute o resultado trimestral do GPA: a empresa encerrou o primeiro trimestre deste ano com lucro líquido aos controladores de R$ 149 milhões, considerando apenas as operações em continuidade — a cifra representa um crescimento de 94,5% na base anual. A receita líquida avançou 12% na mesma base de comparação, para R$ 12,7 bilhões.

CSN e Braskem em queda

Duas outras empresas que reportaram seus números trimestrais também aparecem entre os destaques negativos do Ibovespa: a siderúrgica CSN e a petroquímica Braskem.

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A CSN encerrou o primeiro trimestre de 2019 com lucro líquido de R$ 86,7 milhões, queda de 94% ante o R$ 1,486 bilhão do mesmo período do ano passado — vale ressaltar, no entanto, que o resultado dos três primeiros meses de 2018 foi impulsionado por um ganho de R$ 1,79 bilhão na linha de outras receitas.

Nesse contexto, as ações ON da empresa (CSNA3) caíram 0,14% nesta quinta-feira. Analistas destacaram que os resultados do segmento de mineração compensaram a fraqueza da divisão de siderurgia no trimestre.

Já os papéis PNA da Braskem (BRKM5) recuaram 7,36% após a empresa reportar lucro líquido de R$ 1,028 bilhão entre janeiro e março deste ano, queda de 2% na base anual.

Outros balanços

Os papéis PN da Telefônica Brasil (VIVT4) caíram 0,55%, apesar de o lucro líquido da companhia ter avançado 22,2% na base anual, para R$ 1,342 bilhão. Azul PN (AZUL4), por sua vez, subiram 2,7% — a companhia aérea teve lucro de R$ 137,7 milhões, queda de 10,1% na mesma base de comparação.

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Papel e celulose avança

Num dia amplamente negativo para o Ibovespa, o setor de papel e celulose desponta entre as principais altas do índice: as ações ON da Suzano (SUZB3) subiram 6,98% e as units da Klabin (KLBN11) avançaram 3,71%.

O viés exportador dessas empresas faz com que as ações reajam positivamente ao fortalecimento do dólar, uma vez que o câmbio interfere diretamente na geração de receita de tais companhias. Mas uma fonte aponta que o noticiário referente ao setor também ajuda a impulsionar os papéis.

Segundo essa fonte, uma matéria da agência RISI afirma que a Suzano pretende reduzir sua produtividade entre 1 e 1,5 milhão de toneladas de celulose, o que representa algo entre 10% e 14% de sua capacidade, de modo a reduzir seus estoques. E a medida, se confirmada, pode provocar um aumento nos preços da commodity.

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