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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

AÇÕES EM QUEDA FORTE

Amazon (AMZO34) aposta pesado em IA. Por que investimentos de R$ 1 trilhão assusta mercado e até o BTC pagou o pato?

Amazon combina resultados mistos com a maior aposta em IA entre as big techs, assusta investidores e ações sofrem em Wall Street, com efeitos até no Bitcoin e outras critpomoedas

Bia Azevedo
Bia Azevedo
6 de fevereiro de 2026
11:58 - atualizado às 16:21
Amazon
A trilionária Amazon - Imagem: Shutterstock

A Amazon apostou todas as suas fichas nos investimentos em inteligência artificial. A companhia fundada por Jeff Bezos está caindo forte em Nova York depois de divulgar resultados mistos no quarto trimestre de 2025 e um investimento de US$ 200 bilhões (ou R$ 1 trilhão, nas cotações atuais) em infraestrutura de IA, o maior montante entre as big techs.

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Por volta das 11h20, os papéis caíam quase 8,17% no pré-mercado da Nasdaq — que, por sua vez, caía 1,38% no mesmo horário em meio a aversão a risco generalizada que toma os mercados. A empresa é negociada no Brasil pela BDR (Brazilian Depositary Receipts, ou recibos de ações) AMZO34.

A maior parte dos recursos anunciados ontem será direcionada ao Amazon Web Services (AWS). O desempenho da área de computação em nuvem decepcionou investidores, com crescimento de 24% em 2025 — abaixo do avanço registrado por concorrentes como Microsoft (MSFT34), de 39%, e Alphabet (GOGL3), dona do Google, de 48%.

O faturamento do segmento, no entanto, alcançou US$ 35,58 bilhões, acima dos US$ 34,93 bilhões projetados, segundo dados da StreetAccount.

No período, a big tech registrou receita levemente acima do esperado, de US$ 213,39 bilhões versus os US$ 211,33 bilhões estimado pelo consenso Lseg. O lucro por ação foi de US$ 1,95, pouco menor do que o US$ 1,97 projetado pelos analistas.

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Wall Street também acompanhava de perto os números de outras divisões estratégicas da companhia. Uma delas é a área de publicidade, que somou US$ 21,32 bilhões em receita, superando por pouco a projeção de US$ 21,16 bilhões.

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O investimento multibilionário da Amazon

A previsão de investimentos da Amazon veio cerca de US$ 50 bilhões acima das expectativas. A companhia também informou ter investido cerca de US$ 131 bilhões em compras de propriedades e equipamentos em 2025, um aumento em relação a cerca de US$ 83 bilhões no ano anterior.

Em comunicado, o CEO Andy Jassy afirmou estar confiante em relação ao retorno desses investimentos, à medida em que a demanda por IA segue cada vez mais forte.

“Com uma demanda muito robusta por nossas ofertas atuais e por frentes emergentes como IA, chips, robótica e satélites, esperamos investir cerca de US$ 200 bilhões em gastos de capital em toda a Amazon em 2026 e antecipamos um forte retorno de longo prazo sobre o capital investido”, disse Jassy.

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O executivo disse que a empresa precisa do capital para acompanhar a alta demanda pela computação de IA da Amazon, que exige mais infraestrutura, como data centers, chips e equipamentos de rede.

Apesar de ter liderado o maior anúncio de investimentos, a Amazon não está sozinha nessa corrida.

Outras big techs também vêm elevando suas apostas em inteligência artificial. Recentemente, quatro das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos divulgaram seus planos de aportes para 2026 — todos com foco quase exclusivo em IA. Somados, os valores chamam atenção: US$ 650 bilhões.

Até o bitcoin entrou na roda

A aversão a risco que se espalhou pelos mercados com o anúncio da Amazon. Contaminado pelo movimento, o bitcoin intensificou sua queda acentuada da semana, sendo negociado abaixo dos US$ 70 mil pela primeira vez em 15 meses. Na última semana, a queda se aproxima dos 20%.

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As empresas de tecnologia e as criptomoedas costumam andar juntas porque, na prática, respondem aos mesmos gatilhos de risco no mercado financeiro. Vistos pelos investidores como ativos de crescimento, seu valor depende menos do presente e mais da expectativa de resultados futuros.

Quando o mercado está confortável com risco, juros e liquidez, esses ativos tendem a se valorizar juntos. Quando o humor vira, a correlação aparece do outro lado.

A temporada de balanços das big techs, marcada por anúncios bilionários de investimentos em inteligência artificial, reacendeu dúvidas sobre o tempo de retorno desses aportes. Com isso, cresce a percepção de risco.

As criptos também reagem a uma combinação de fatores macroeconômicos e geopolíticos, como a escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã.

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Além disso, a perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos fortalece o dólar e reduz a liquidez disponível para ativos mais voláteis, como o bitcoin. Esse cenário tende a manter o mercado pressionado enquanto não houver sinais claros de alívio nesses vetores.

Vale lembrar que a indicação de Kevin Warsh para o comando do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) atingiu o mercado como uma faca de dois gumes.

Se, por um lado, Warsh já declarou que é um defensor dos juros mais baixos, por outro, reduzir as taxas a despeito dos índices de inflação elevados e estabilidade de emprego pouco confiável é visto com maus olhos pelo mercado.

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