A Prio (PRIO3) já deu o que tinha que dar? Depois de subirem 20% no ano, papéis ainda podem disparar; Itaú BBA aponta gatilhos
A empresa vive seu melhor momento operacional, mas o Itaú BBA avalia que boa parte das principais entregas já está no preço; entenda quais gatilhos podem provocar novas altas

As ações da Prio (PRIO3) estão vivendo um baita ano até aqui, com valorização de mais de 20%, bem acima da alta de 12% do Ibovespa no mesmo período. Para o Itaú BBA, a companhia atravessa seu melhor momento até agora, depois de anos marcados pela espera por licenças ambientais e desafios operacionais que limitaram a execução dos projetos.
No entanto, o mercado parece já ter precificado boa parte das principais entregas esperadas pela companhia. Um exemplo é o avanço do projeto Wahoo — campo que recebeu licença ambiental em meados do ano passado e está na fase final antes do início da produção.
Além disso, o preço da ação já parece embutir uma redução relevante nos custos de operação (opex) do campo de Peregrino, do qual a companhia comprou uma participação de 40% no ano passado.
Diante desse cenário, o Itaú BBA relata que o debate agora deixa de ser sobre execução e passa a girar em torno do valuation.
A questão central é quanto das melhorias recentes e das perspectivas de crescimento já estão refletidas no preço da ação — e até que ponto os investidores estão se antecipando aos próximos catalisadores, especialmente em um cenário estruturalmente menos favorável para o petróleo.
O que parece já estar precificado nas ações
A empresa tem sido favorecida na bolsa por um alinhamento de astros. O primeiro deles é o andamento de acordo com o projeto Wahoo, que tem o início da produção previsto para março.
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A entrada efetiva de Wahoo em operação é vista como marco importante para consolidar a virada operacional da companhia e destravar geração adicional de caixa nos próximos trimestres.
Segundo o Itaú BBA, as atividades de conexão dos poços à plataforma de Peregrino avançam bem, aumentando a probabilidade de o primeiro óleo sair já em março, com aceleração rápida de produção nos meses seguintes.
A expectativa do banco é que a produção comece inicialmente com dois poços, avance rapidamente para três ainda no mesmo mês e alcance cerca de 40 mil barris por dia (kbpd) em abril.
Na avaliação do banco, esse patamar de produção já está em grande parte precificado pelo mercado, o que explica parte da forte alta recente das ações.
Os analistas também citam que iniciativas de eficiência operacional vêm avançando no campo de Peregrino, com redução de despesas operacionais (opex) e melhora na gestão dos custos.
Para completar, os preços do petróleo ficaram acima do esperado no curto prazo, reforçando a geração de caixa e dando suporte adicional a uma tese que hoje carrega riscos menores do ponto de vista operacional e financeiro.
O que pode destravar novas altas para a Prio?
Segundo o Itaú BBA, no horizonte próximo, alguns vetores positivos ainda podem sustentar uma nova rodada de valorização da ação.
Entre eles estão a perfuração de novos poços em Frade, a desaceleração do declínio natural de produção no campo e medidas para reforçar a produção em Albacora Leste.
Com esse conjunto de avanços, as estimativas do banco apontam que a ação pode chegar a R$ 61 em um cenário de petróleo a US$ 60 por barril, o que representaria uma alta de cerca de 18% rente ao fechamento da última terça (3). Com o barril em torno de US$ 65, o valor poderia se aproximar de R$ 71, abrindo espaço para uma valorização próxima de 40%.
Outro ponto relevante é a política de remuneração aos acionistas, que deve ser anunciada em breve. O Itaú BBA vê espaço para um dividend yield em torno de 24%.
“Quando se observa a sensibilidade aos preços do petróleo, a leitura segue positiva. Com o Brent a US$ 60 por barril, a Prio teria capacidade de gerar caixa suficiente para sustentar yields elevados nos próximos anos, incluindo um estimado de 24% em 2027”, escreve o time em relatório.
Em um cenário mais conservador, com o barril a US$ 50, a geração de caixa e a distribuição de proventos seriam menores, mas ainda positivas. Já em um ambiente mais favorável, com o Brent a US$ 70, os retornos aos acionistas poderiam ser significativamente maiores, com dividendos bastante elevados, reforçando a atratividade da ação.
O Itaú BBA tem recomendação de compra para os papéis.
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