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Ruídos de comunicação e especulações a respeito da reforma da Previdência e da guerra comercial fizeram o Ibovespa fechar no menor nível desde 3 de setembro
Um diz que me diz tomou conta das mesas de operação nesta segunda-feira (7). Em meio aos ruídos sobre os desdobramentos da guerra comercial e às conversas desencontradas quanto à reforma da Previdência, o Ibovespa e o dólar à vista foram ficando mau-humorados — e terminaram o dia de cabeça quente.
O principal índice da bolsa brasileira passou a sessão todo no campo negativo, mas, durante a manhã, até tentou se manter perto da estabilidade. No entanto, conforme o dia foi passando, o mercado foi azedando cada vez mais. E, como resultado, fechou em queda firme, muito perto das mínimas intradiárias.
Ao fim do pregão, o Ibovespa recuou 1,93%, aos 100.572,77 pontos — é o menor nível de encerramento desde 3 de setembro, quando o índice estava abaixo dos 100 mil pontos. Somente em outubro, a bolsa brasileira já acumula perdas de 3,98%.
Nos Estados Unidos, as praças acionárias também fecharam no vermelho, mas com baixas bem menos intensas: o Dow Jones caiu 0,36%, o S&P 500 recuou 0,45% e o Nasdaq encerrou em queda de 0,33%, também em meio à guerra de narrativas a respeito das negociações entre os governos americano e chinês.
No câmbio, o dia foi igualmente marcado por estresse: o dólar à vista subiu 1,19%, a R$ 4,1045, e devolveu boa parte das perdas acumuladas nas últimas três sessões. Lá fora, a moeda americana se fortaleceu em relação às demais divisas emergentes, mas num movimento bem mais suave do que o visto por aqui.
Tanto no Brasil quanto no exterior, o saldo das mudanças constantes de discurso foi o mesmo: ao fim do dia, o mercado ficou inseguro, sem saber no que acreditar. E, num cenário como esse, a reação natural foi partir para a defesa, reduzindo a aversão ao risco — o que derrubou o Ibovespa e fez o dólar dar um salto.
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Em termos globais, um assunto domina a atenção dos agentes financeiros: a nova rodada de negociações oficiais entre Estados Unidos e China, com início previsto para essa semana. E, às vésperas das conversas, o noticiário a respeito dos bastidores do encontro ficou bastante ruidoso.
Ainda durante a manhã, os mercados reagiram negativamente às notícias de que a delegação chinesa não estaria tão disposta a abrir mão de alguns pontos nas negociações com os americanos, sem se comprometer com uma agenda de reformas que envolva as políticas industriais ou os subsídios do governo.
O humor dos agentes financeiros globais melhorou um pouco com as declarações do diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, dizendo que o país está aberto às propostas da China na rodada de negociações comerciais.
Durante a tarde, o tom foi de otimismo pontual: segundo a imprensa americana, ambas as partes teriam cegado a algum tipo de entendimento, acertando de antemão um acordo prévio que englobasse alguns items em que as duas potências estariam de acordo.
Mas, com tantas idas e vindas a respeito do que pode acontecer ou não na rodada de negociações desta semana, o sentimento de cautela logo voltou a tomar conta das negociações, firmando as bolsas americanas no campo negativo e fazendo o dólar se fortalecer em relação às divisas emergentes.
"Temos mais do mesmo nesta segunda-feira, e o mesmo é ruim", diz um operador, referindo-se à falta de previsibilidade quanto ao que pode acontecer na guerra comercial. "E, por aqui, não temos nenhuma grande novidade, nada que dispare um gatilho para reverter essa tendência de queda".
Por aqui, a tramitação da reforma da Previdência também foi alvo de especulações: embora o cronograma oficial ainda estabeleça o dia 15 como data-limite para a votação do texto em segundo turno pelo plenário do Senado, ganha cada vez mais força a leitura de que esse prazo sofrerá novos atrasos.
Em Brasília, o clima é de incertezas em relação às disputas pelos recursos da cessão onerosa, o que tem travado a pauta de discussões da Câmara e do Senado. No momento, o entendimento é o de que é preciso chegar a algum tipo de acerto quanto à partilha — mas, por enquanto, ainda não há nenhum sinal de acordo.
Nesse cenário, o senador Major Olímpio (PSL-SP) afirmou, em entrevista ao Broadcast, que a Previdência poderá ser votada pelo plenário da Casa em segundo turno apenas no dia 22 — vale lembrar que um número relevante de senadores viajará ao Vaticano para acompanhar a cerimônia de canonização de Irmã Dulce, o que pode atrasar ainda mais a tramitação.
Nesse contexto, quaisquer declarações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ou movimentações de bastidores para tentar dar celeridade ao processo, podem mexer com o andamento dos mercados nos próximos dias. Por ora, os agentes financeiros preferiram assumir um tom de maior cautela quanto ao panorama político.
Ainda por aqui, boatos quanto à possibilidade de renúncia do ministro da Economia, Paulo Guedes, em fevereiro, circularam entre as mesas de operação e também contribuíram para trazer instabilidade às negociações.
Em meio à alta do dólar à vista e ao noticiário conturbado, tanto no Brasil quanto no exterior, a curva de juros fechou em leve alta, tanto na ponta curta quanto na longa.
As curvas para janeiro de 2021, por exemplo, subiram de 4,86% para 4,88%, e as para janeiro de 2023 avançaram de 5,97% para 6,02%. No vértice mais extenso, os DIs com vencimento em janeiro de 2025 foram de 6,58% para 6,64%.
Apenas uma ação do Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira no campo positivo: Raia Drogasil ON (RADL3), em ligeira alta de 0,62%.
No lado negativo do índice, destaque para os papéis da Eletrobras: as ações ON (ELET3) recuaram 7,90%, enquanto as PNBs (ELET6) tiveram baixa de 6,61%, reagindo negativamente às notícias quanto ao abandono, por parte do governo, dos planos de injeção de R$ 3,5 bilhões em recursos na estatal, de modo a torná-la mais atrativa para receber investimentos privados.
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