🔴 TOUROS E URSOS: LULA 3 FAZ 3 ANOS, OS DADOS ECONÔMICOS E A POPULARIDADE DO GOVERNO – ASSISTA AGORA

Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Estresse no câmbio

Mercado espreme as moedas emergentes e dólar à vista chega aos R$ 4,06

Apesar do clima mais ameno nas bolsas globais, um movimento de aversão ao risco pressionou as moedas emergentes e fez o dólar à vista subir mais de 1,5%

Victor Aguiar
Victor Aguiar
19 de agosto de 2019
10:24 - atualizado às 10:59
Laranja espremida
Com as moedas emergentes sofrendo intensa pressão no exterior, o dólar à vista teve alta forte e tocou os R$ 4,06 - Imagem: Shutterstock

A segunda-feira (19) começou tranquila nos mercados globais. As bolsas subiam em bloco e as moedas tinham uma manhã de calmaria, sem grandes movimentações nas negociações de câmbio — e tudo por causa dos sinais mais amistosos no front da guerra comercial ao longo do fim de semana.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Só que, conforme as horas foram passando, esse cenário foi mudando de cara. E não é que alguma novidade tenha trazido ruído às negociações — a sessão foi relativamente tranquila em termos de noticiário. O que aconteceu foi que os agentes financeiros adotaram uma estratégia típica dos momentos de maior nebulosidade.

Com o cenário incerto no num horizonte mais amplo, mas passando por um alívio no curtíssimo prazo, os mercados optaram por recuperar parte das posições nas bolsas americanas, mas continuar na defesa no câmbio. Assim, os índices de Nova York tiveram altas firmes, mas as moedas emergentes perderam terreno em relação ao dólar.

E, uma vez definida essa estratégia, as divisas de países emergentes — ativos considerados mais arriscados no mercado de câmbio — começaram a ser espremidas. O real, o rand sul-africano, a lira turca e o peso mexicano começaram a perder força em relação ao dólar, e esse movimento só foi piorando durante a tarde.

Ao fim do dia, o dólar à vista encerrou em alta de 1,58%, a R$ 4,0662, maior cotação de fechamento desde 20 de maio, quando a moeda estava cotada a R$ 4,1034. Na máxima intradiária, a divisa americana chegou a ser negociada a R$ 4,0749 (+1,79%).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essa pressão no mercado de câmbio acabou afetando o Ibovespa: o principal índice da bolsa brasileira até chegou a subir 1,14% nos primeiros minutos do pregão, as 100.947,60 pontos, mas terminou o dia em baixa de 0,34%, aos 99.468,67 pontos.

Leia Também

Assim, o Ibovespa destoou das bolsas americanas, que mantiveram o desempenho visto durante a manhã e fecharam em alta: o Dow Jones teve ganho de 0,96%, o S&P 500 subiu 1,21% e o Nasdaq avançou 1,35%.

Suco de moedas emergentes

Para Jefferson Luiz Rugik, diretor de câmbio da Correparti, houve  uma espécie de "ataque" às moedas emergentes nesta segunda-feira — uma sinalização de que, apesar de o clima no exterior permitir uma recuperação nas bolsas, os agentes financeiros seguem cautelosos em relação ao cenário global ainda incerto.

Por um lado, a despressurização no front da guerra comercial faz os mercados ficarem mais dispostos a assumirem riscos nas bolsas, aumentado as posições em ações. Mas, por outro, os agentes usam o câmbio como proteção: saem de ativos arriscados, como as moedas emergentes, e buscam a segurança do dólar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Teremos indicadores importantes nessa semana, em especial a ata da reunião do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central Europeu", diz Rugik. "E, num cenário como esse, o mercado às vezes se prepara para o pior".

Além disso, uma fala de Eric Rosengren, presidente da sucursal de Boston do Fed, contribuiu para trazer mais pressão aos ativos de risco. Em entrevista à Bloomberg, ele disse que "não necessariamente" será preciso relaxar mais a política monetária dos Estados Unidos.

O mercado como um todo vem apostando em novos cortes na taxa de juros pelo banco central americano, de maneira a amenizar os eventuais impactos da guerra comercial com a China. E, em linhas gerais, juros menores nos EUA acabam aumentando a atratividade de ativos de risco, uma vez que possuem retornos mais atraentes.

Assim, a possibilidade de o Fed não promover mais reduções nas taxas afeta diretamente as moedas emergentes, ativos considerados mais arriscados, uma vez que as ações e outros investimentos ligados aos juros dos EUA continuarão com uma rentabilidade interessante — o que diminui o apetite ao risco por parte dos agentes financeiros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Considerando essas duas variáveis, quase toda a cesta de moedas emergentes perdeu força em relação ao dólar. Além da lira, do real, do rand e do peso mexicano, também foram afetados — embora em menor escala — o florim húngaro, o zloty polonês, o peso chileno, o rublo russo e a rúpia indiana, entre outras divisas.

Pressão no vizinho

Por fim, operadores e analistas ainda citaram a situação da Argentina como uma possível fonte de tensão extra aos ativos brasileiros, dada a proximidade do país com os portenhos. No fim de semana, o ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujóvne, renunciou ao cargo.

Os mercados argentinos, contudo, estiveram fechados nesta segunda-feira, em função de um feriado local. Assim, o foco dos investidores acabou recaindo sobre os ativos dos países mais próximos à Argentina — no caso, o Brasil, de acordo com dois analistas.

Assim, o Ibovespa mostrou certo descolamento em relação às bolsas externas durante todo o dia — mesmo durante a manhã, quando aparecia no campo positivo, o principal índice da bolsa brasileira subia menos que as praças dos EUA e da Europa. E, na segunda metade do pregão, o Ibovespa acabou virando para queda.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Exterior mais tranquilo

Em linhas gerais, os mercados externos têm mostrado um viés de recuperação desde a última sexta-feira, quando os primeiros indícios de que os governos da China e da Alemanha estariam dispostos a tomar medidas mais firmes para estimular a atividade dos dois países — dados recentes sugerem que as duas economias estão perdendo tração.

Neste fim de semana, o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) divulgou um plano de reforma da taxa de juros do país, com o objetivo de reduzir os custos de financiamento para as empresas que têm enfrentado dificuldades, em meio à desaceleração econômica. A medida sucede a liberação de US$ 10 bilhões pelo governo chinês para estimular o setor de infraestrutura.

No velho continente, notícias divulgadas pela imprensa alemã afirmam que a chanceler Angela Merkel estaria disposta a aumentar a dívida do governo para impulsionar a economia local.

"O Mario Draghi [presidente do Banco Central Europeu] vem pedindo aos governos que entrem com incentivos fiscais, vem pedindo ajuda", destaca Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos. "Os BCs conseguem ajudar [num cenário de desaceleração econômica], mas não seguram a barra sozinhos".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além dessas sinalizações de pacotes de estímulo por duas das principais economias do mundo, os agentes financeiros também reagem positivamente aos mais recentes desenvolvimentos no front da guerra comercial.

Também no fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou via Twitter que as relações entre Washington e Pequim "estão indo muito bem", e que as duas potências "estão conversando" — o republicano, no entanto, também disse "não estar pronto" para fechar um acordo neste momento.

Para Beyruti, o mercado não acredita no fechamento de um acerto no curto ou médio prazo — assim, a ressalva feita por Trump não trouxe grandes impactos negativos às operações. O economista da Guide destaca que, além da fala referente às conversas com Pequim, os agentes financeiros também receberam bem a notícia de que as partes podem estabelecer um novo contato "nos próximos 10 dias".

Por fim, a redução nas tensões sociais em Hong Kong também foi comemorada pelo mercado, uma vez que os protestos na ilha vinham sendo usados por Washington como arma de negociação — o governo Trump dizia que não iria negociar com os chineses caso Pequim usasse força militar para conter os manifestantes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pressão nos juros

A curva de juros sentiu os efeitos do estresse no dólar à vista e fechou em alta, tanto na ponta curta quanto na longa. Nos últimos dias, os DIs têm passado por movimentos de ajuste, divididos entre a perspectiva de novos cortes na Selic e o fortalecimento do dólar ante o real.

Na ponta curta, as curvas com vencimento em janeiro de 2021 subiram de 5,39% para 5,46%. Na longa, os DIs para janeiro de 2023 avançaram de 6,37% para 6,43%, e os com vencimento em janeiro de 2025 foram de 6,88% para 6,93%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
DE OLHO NA SEGURANÇA

Nem Petrobras (PETR4) nem PRIO: veja qual ação brasileira está em alta após invasão da Venezuela pelos EUA

5 de janeiro de 2026 - 17:29

Tradicional ativo de proteção, o ouro sobe em meio ao aumento das tensões globais, intensificadas pela invasão da Venezuela, e uma ação pode ganhar com esse movimento

VAI CAIR?

Com invasão dos EUA na Venezuela, como fica o preço do petróleo e o que pode acontecer com a Petrobras (PETR3) e junior oils

5 de janeiro de 2026 - 16:09

Empresas petroleiras brasileiras menores, como Brava (BRAV3) e PetroRio (PRIO3), sofrem mais. Mas a causa não é a queda do preço do petróleo; entenda

HORA DE BOTAR A MÃO NA MASSA?

Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?

5 de janeiro de 2026 - 11:15

Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões

AÇÃO DO MÊS

Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto

5 de janeiro de 2026 - 6:03

Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro

QUEDA FORTE NA BOLSA

Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?

2 de janeiro de 2026 - 17:31

Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas

R$ 1,2 BILHÃO

Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem

2 de janeiro de 2026 - 15:19

Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante

COMEÇOU MAL

Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira

2 de janeiro de 2026 - 14:47

País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas

RETROSPECTIVA DO IFIX

FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano

2 de janeiro de 2026 - 6:03

Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo

MENOS DINHEIRO NO BOLSO

Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020

31 de dezembro de 2025 - 17:27

Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis

VEJA A LISTA COMPLETA

As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?

31 de dezembro de 2025 - 7:30

Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira

ACABOU O RALI?

Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos

29 de dezembro de 2025 - 18:07

Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano

RESUMO DOS MERCADOS

Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha 

27 de dezembro de 2025 - 9:15

A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro

A MIGRAÇÃO COMEÇOU?

Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP

26 de dezembro de 2025 - 15:05

Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real

ÍNDICE RENOVADO

Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal

26 de dezembro de 2025 - 9:55

Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais

CENÁRIOS ALTERNATIVOS

3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley

25 de dezembro de 2025 - 14:00

O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar

TOUROS E URSOS #253

Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro

24 de dezembro de 2025 - 8:00

Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira

AINDA MAIS PRECIOSOS

Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?

22 de dezembro de 2025 - 12:48

No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%

BOMBOU NO SD

LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro

21 de dezembro de 2025 - 17:10

Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana

B DE BILHÃO

R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista

21 de dezembro de 2025 - 16:01

Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias

APÓS UMA DECISÃO JUDICIAL

Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana

21 de dezembro de 2025 - 11:30

O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar