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Busca por novas opções mais rentáveis exigirá mais trabalho, mais exposição a riscos e terá de passar necessariamente pela diversificação das aplicações
O cenário está preparado para a Bolsa de Valores brilhar no palco. Senão por um punhado de outros motivos que lhe são favoráveis, simplesmente porque os juros estão baixos e podem cair mais. Na semana passada, os técnicos do Banco Central cortaram novamente a taxa básica da economia, a Selic, que desceu para seu piso histórico, a 5,0% ao ano. Isso vai empurrar o investidor para o segmento de renda variável, que oferece mais risco, em busca de melhor retorno.
No Brasil, os especialistas destacavam que os juros nominais e, também, os reais (descontada a inflação) sempre foram obstáculo ao avanço da Bolsa de Valores. Nos últimos 20 anos, o CDI, uma taxa de juros que caminha lado a lado com a Selic, acumula um retorno de 1.053%, contra 816% do Ibovespa. Mas isso está mudando.
Nos últimos três anos, o CDI se valorizou 25,70%, enquanto que o principal índice da Bolsa ficou em 65,15%. Daqui para a frente, os economistas do mercado esperam por uma taxa de juros ainda mais baixa e que deve se manter nesse patamar por pelo menos 18 meses - deslizando para o terreno negativo caso haja um acidente de percurso da inflação.
Mas o que fazer então? Na opinião de economistas e gestores, a busca por novas opções mais rentáveis exigirá mais trabalho, mais exposição a riscos e terá de passar necessariamente pela diversificação das aplicações, combinada com uma postura diferenciada do investidor.
Para o agente de investimentos Eduardo Santalucia, antes de decidir diversificar em Bolsa de Valores, cabe ao investidor avaliar o perfil de tolerância ao risco, se ele suporta a turbulência das ações. Mas algumas iniciativas também podem deixar a renda variável menos arriscada.
A primeira delas vem do planejador financeiro Rodrigo Assumpção, da Planejar. Segundo ele, a dica é não empregar em ações o dinheiro que tem data certa para ser usado. Em outras palavras, as aplicações na Bolsa de Valores devem ser feitas por prazos mais longos, de modo a permitir que eventuais quedas das cotações sejam compensadas por novas altas.
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"Em prazos mais longos, a rentabilidade tende a ser interessante. O investidor que entra com meta de curto prazo, corre o risco de entrar na alta e sair na baixa, devido a euforia do momento", diz Assumpção.
Na segunda dica, Santalucia pede sangue-frio para não vender as ações no primeiro tombo do mercado, com a possibilidade de prejuízo, desfazendo-se delas durante um movimento de baixa.
E uma terceira está ligada à destinação dos recursos em ações de diferentes setores da economia, evitando empregá-los em um único ou poucos papéis. A famosa "carteira previdência", de Luiz Barsi, o maior investidor pessoa física da Bolsa, tem 12 empresas, de segmentos diversificados - de bancos a empresas de energia. "São ações de empresas que não vendo. As do Banco do Brasil estão comigo há 32 anos", afirma.
O esforço de diversificação poderá seguir uma estratégia que consiste em deixar na renda fixa o dinheiro que será usado regularmente e empregar na renda variável, atrás de um retorno mais interessante, a parte dos recursos que pode ser esquecida por bom tempo. "A renda ainda tem um papel importante, que é de manter aquela reserva de emergência, o dinheiro do dia a dia’, diz Gilberto Abreu, diretor de investimentos do banco Santander.
Na opinião do agente de investimentos Eduardo Santalucia, a calibragem ideal na distribuição de recursos entre renda fixa e renda variável para quem não está habituado com o sobe e desce do mercado contempla a destinação de no máximo 15% a 20% para a bolsa de valores.
Segundo o especialista, pela atual conjuntura, de juros baixos e perspectivas de reação da economia, o mercado de ações só pode reagir positivamente. "Tenho certeza de que a Bolsa ganha do CDI ou da Selic que seja, em torno de 4,50% ao ano, em 2020."
A sugestão dele para o iniciante que vai estrear na Bolsa de Valores são os fundos de ações passivos, chamados de ETFs (Exchange Traded Funds, na sigla em inglês). São fundos que têm como referência de rentabilidade determinado índice, como o Ibovespa. "Nos fundos de ações passivos, o investidor só deve ter paciência para suportar a volatilidade, os soluços do mercado, sem ter outro tipo de preocupação." Com esse cuidado, a possibilidade de ser bem-sucedido é grande, na opinião dele. "A Bolsa que cai, volta, com recuperação, no médio prazo, porque tem muitos investidores interessados na compra de ações."
Já o sócio da Monte Bravo Assessoria de Investimentos, Rodrigo Franchini, destaca os fundos de gestão ativa, em que os administradores vão buscar a melhor rentabilidade e, no caso de queda do mercado tentam minimizar as perdas.
Na opinião dele, entre os setores com maior potencial de valorização na Bolsa estão os de educação e consumo, beneficiados como o aumento de renda do brasileiro, e o de energia, em função dos investimentos do governo, em infraestrutura. (Colaboraram Renato Jakitas e Talita Nascimento)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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