Menu
Eduardo Campos
Diário dos 100 dias
Eduardo Campos conta os bastidores do início do governo
2019-04-04T14:12:10-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
dia 42

Igreja, crédito direcionado e o Piauí

Presidente pode deixar hospital nesta semana e dar andamento à reforma da Previdência. Agronegócio reclama de ações para cortar crédito subsidiado e tarifas de importação

11 de fevereiro de 2019
18:30 - atualizado às 14:12

O presidente Jair Bolsonaro segue internado em São Paulo, mas seu quadro melhora e ele já deixou a a unidade de terapia semi-intensiva. É possível que ele deixe o hospital ainda nesta semana. O retorno de Bolsonaro a Brasília seria o gatilho para o governo “voltar a andar”, já que a reforma da Previdência, e outras medidas aguardam o aval dele para seguir adiante. O porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros, disse que estaria descarta, inicialmente, a apresentação da reforma no hospital. Ao longo do fim de semana, notícias dando conta de que o governo estaria preocupado com a postura de parte da igreja católica, conhecida como “clero progressista”, que usaria de evento no Vaticano para criticar Bolsonaro.

No lado econômico, atritos não surpreendentes surgem com a orientação do governo de reduzir crédito direcionado e revisar tarifas impostas a produtos importados. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, reagiu ao aceno de Paulo Guedes de reduzir crédito a juros subsidiados ao setor. “Desmame de subsídios não pode ser radical”. Ainda no setor, a retirada de tarifa antidumping de leite em pó gerou enorme insatisfação, e já havia notícia de que Bolsonaro cedeu às reclamações e a tarifa protetiva voltará a ser aplicada. Temos aqui só uma amostra do tamanho do desafio que é “desestatizar o mercado de crédito” e promover a abertura comercial do país. Sempre que me deparo com essas notícias me lembro de uma frase que não sei o autor: "Se Thomas Edison fosse brasileiro, ele seria derrotado pelo lobby dos fabricantes de vela".

Sobre a reforma da Previdência, notícia do “Valor” nos informa que Bolsonaro voltou a defender critério regional para definir idade mínima. A notícia mostra uma insistente e pouco produtiva confusão entre expectativa de vida ao nascer e expectativa de sobrevida depois dos 60 anos, por exemplo. Indo direto ao ponto, pouco importa em termos de previdência que a expectativa de vida do Piauí (sempre citado) é de 69 anos, o que importa é que quem chega aos 60 anos ou mais tem expectativa de sobrevida praticamente igual a do restante do país, na casa de 20 anos. Além disso, o pessoal de menor renda já se aposenta por idade, pois não consegue completar os anos exigidos de contribuição. Colocando de outra forma, se aposenta mais cedo quem tem maior renda. A instituição de uma idade mínima deixaria essa equação mais justa.

A “boa notícia” veio de pesquisa do BTG Pactual e FSB, mostrando que a reforma tem apoio de 82% da Câmara e 89% do Senado. A boa notícia vem entre aspas, pois quando se apresentam alguns detalhes não há consenso ou vontade de “mudar o que está aí”. Não há entendimento sobre idade mínima, capitalização e modelo de transição. A batalha vai ser dura e, por ora, o que se intui é que teremos reforma, mas não temos ideia de qual reforma. São os “detalhes” que garantem (ou não) a sustentabilidade fiscal pretendida.

Leia aqui todo o Diário dos 100 Dias.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

negócio em foco

BofA vê negócio entre Linx e Totvs com sinergias de R$ 3,8 bi

Acionistas da Linx receberiam diretamente 40% do valor das sinergias da fusão com Totvs, diz banco

seu dinheiro na sua noite

Vitória do Ibovespa (no segundo tempo)

“O time no segundo tempo ganhou de 2 a 1.” Foi assim que Fernando Diniz, o técnico do São Paulo, reagiu depois da derrota por 4 a 2 para a LDU no meio da semana e que praticamente eliminou a equipe da Libertadores. Diniz preferiu ignorar os 3 a 0 que o time levou na […]

Que modorra!

Bolsa passa por correção, mas zera perdas na reta final do pregão; dólar retoma alta

Principal índice de ações da B3 passou por correção e ignorou durante a maior parte do dia o impulso do setor de tecnologia à bolsa de Nova York

setor público

Reforma administrativa economiza R$ 400 bi até 2034, aponta estudo

Mesmo restringido a reforma apenas a novos servidores, o setor público poderia economizar pelo menos R$ 24,1 bilhões em 2024 com a aprovação das mudanças no seu RH, liberando o governo para investir mais em saúde, educação e segurança pública, segundo centro de estudos

retomada em pauta

Recuperação está longe de concluída, diz presidente do Fed do Kansas

Esther George fez a declaração durante discurso sobre os bancos comunitários, no qual enfatizou o papel destes para dar estabilidade na crise e apoiar a recuperação

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements