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Dentre os papéis das empresas negociadas no Ibovespa, algumas companhias costumam se destacar com frequência entre as indicações das corretoras. Confira as principais recomendações de ações para agosto
No meu grupo de amigos sou conhecida por sempre citar os fatos e estatísticas mais aleatórios sobre tênis em qualquer situação social. Sou apaixonada pelo esporte das raquetes desde que me entendo por gente. Nomes como Roger Federer, Rafael Nadal e alguns mais complicados como Anastasia Pavlyuchenkova costumam ter lugar nas minhas horas vagas.
O mercado de ações é um interesse mais recente, e desde que vim trabalhar aqui na redação do Seu Dinheiro ele só cresce. Quando me interesso por algo, costumo ir até o fim - é sempre bacana ter aquele fato curioso para contar no happy hour -, e comecei a notar até mesmo semelhanças entre o movimento da bolsa e o meu esporte favorito. Até me peguei pensando 'quem seria o Roger Federer do Ibovespa?', aquele que está sempre entre os favoritos, não importa o momento.
Bem, há quem ache os dois temas uma chatice, coisa de nicho. Mas há quem consiga ver empolgação no sobe e desce da bolinha amarela e dos ativos nos gráficos (se você está lendo esta matéria, é capaz que se encaixe aqui).
Posso até listar as semelhanças que vejo: há estrelas tradicionais que estão na boca do povo e mesmo quem não está por dentro conhece, febres passageiras que vão embora tão rápido quanto chegaram e novidades que ninguém sabem muito bem de onde surgem mas que mostram que vieram pra ficar.
Eu diria até que nossa lista com as principais recomendações das corretoras já é tão tradicional quanto os torneios de tênis. Em agosto não poderia ser diferente: fui atrás das principais corretoras para saber o que elas tinham em mente para este mês.
No Top 3 das corretoras, tem papéis para todos os gostos. Além do nosso pódio, composto por Petrobras, CVC e um empate entre dois bancos - Bradesco e Banco do Brasil, também temos representantes do setor do varejo, energia, telecomunicações e mais. Confira.
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Não, caro leitor, não me confundi e acabei mudando de esporte. A cabeça aqui continua no tênis (embora quando se trata de futebol, o 'campeão dos campeões' é o meu time do coração).
Tem horas que o líder do ranking pode até ser outro, mas quando se pensa em dominância é nele que estamos pensando. Não estou falando da lenda viva do esporte, Roger Federer, mas sim da Petrobras. Devo confessar que para mim, o tenista suíço e a estatal petroleira possuem muito em comum.
Os papéis preferenciais da estatal (PETR4) não costumam decepcionar no ranking - em agosto foram 5 indicações, de Guide Investimentos, Mirae Asset, Necton, Quantitas e XP Investimentos -, e está sempre entre as favoritas das corretoras.
É verdade que quando as coisas não andam muito bem no lado político ela tem os seus momentos de dificuldade. Mas assim como na carreira de Federer, esses momentos parecem ser só percalços passageiros no caminho de um gigante.
Você que acompanha o Seu Dinheiro sabe que a petroleira tem investido forte no seu plano de se desfazer de ativos que não sejam considerados estratégicos aos planos da empresa. E a intensa atividade de venda de subsidiárias e ativos teve um reflexo no balanço do segundo trimestre, divulgado no dia 1º.
A venda da Transportadora Associada de Gás (TAG), ajudou o lucro líquido da companhia a alcançar invejáveis R$ 158,9 bilhões. Mas ao ajustar o resultado, o resultado recorrente teve uma queda de 53% na comparação anual, ficando em R$ 5,157 bilhões, abaixo do que era esperado pelos analistas ouvidos pela Bloomberg.
No primeiro trimestre, o processo de venda de ativos rendeu R$ 21,2 bilhões para a Petrobras. E o balanço do terceiro trimestre já deve trazer o impacto e números relativos ao processo de privatização da BR Distribuidora, que aconteceu via oferta de ações na B3.
Após a divulgação dos resultados, o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, disse que a companhia deve concluir a venda de suas refinarias até 2021. Segundo os analistas da Necton, as expectativas locais em relação à privatização de algumas partes da companhia e processos de desinvestimentos continuam positivas e os planos da nova gestão é focar principalmente no pré-sal.
A escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã também mantém a atenção dos investidores no preço do petróleo. Se seguir como está, o barril da commoditie, que sofre uma retomada do preço desde o último trimestre de 2018, pode atingir níveis acima de US$ 60 o barril.
O segundo semestre também guarda outras novidades, como o desfecho da questão onerosa, com o leilão dos campos excedentes. O encerramento da pauta, que caminha desde 2013 é visto com bons olhos por todos.
Ah, caso você tenha ficado curioso, Roger Federer não é o atual líder do ranking masculino. Atualmente a posição é de Novak Djokovic, mas assim como no Ibovespa, o tênis pode ser uma caixinha de surpresas (e favoritos sempre serão favoritos, até mesmo em cenários que não pareçam tão favoráveis).

A temporada anual de tênis sempre é jogada em diversos pisos e só está completa após passagens pelas quadras de grama, saibro e a quadra rápida, de cimento ou carpete.
Sempre com os os seus lucros bilionários, o setor bancário me lembra a temporada de saibro. O mais duradouro e constante dos pisos. Então, se no nosso jogo os bancos são o saibro, quem seria nosso Rafael Nadal, o 'rei do saibro'?
Ao contrário do tênis, aqui fica difícil cravar na linha uma alternativa concreta. Mas não dá pra negar que os bancões sempre marcam uma presença de peso e exercem uma dominância no Top 3 das ações recomendadas, mesmo que com certa alternância de poder.
Neste mês temos um empate técnico. Entre as ações preferidas das corretoras, os papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4) e os ordinários do Banco do Brasil (BBAS3) representaram o setor e anotaram duas indicações cada no placar geral.
Que o setor bancário é um dos que mais lucra no país pode até não ser novidade, mas os números dessas duas empresas contam muito mais história.
O Bradesco, atualmente o segundo maior banco privado do Brasil, apresentou os seu resultados no dia 25 de julho. E os últimos números, referentes ao segundo trimestre do ano, continuou animando os especialistas. O lucro superou as projeções iniciais, que já eram bem otimistas, e teve um crescimento de 25,2% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando perto dos R$ 6,5 bilhões.
A rentabilidade do banco também não decepcionou. Mesmo tendo uma desaceleração em vista dos três primeiros meses do ano, o Bradesco atingiu a casa dos 20% de retorno sobre patrimônio - 20,6% para ser mais exata. Vale lembrar que, no ranking da rentabilidade entre os bancões, a instituição atualmente está em uma briga acirrada com o Santander para conseguir a segunda posição.
Segundo a Necton, o Bradesco possui uma atuação mais focada no campo doméstico e uma base forte de clientes que vem de pequenas e médias empresas. Isso ajuda a explicar o desempenho superior aos seus concorrentes quando o assunto é a taxa crescimento do lucro.
Outro player do setor que sempre brilha nas indicações e no top 3 dos analistas é o Banco do Brasil. O banco estatal surfa na onda liberal do governo Bolsonaro desde o começo do ano, uma postura que agrada e muito o mercado.
Mas antes de analisarmos o BB sob o olhar da nova gestão e governo, vamos falar de números. Os resultados do segundo trimestre ainda não chegaram - serão divulgados hoje. Mas as expectativas já estão altas.
Enquanto os analistas ouvidos pela Bloomberg esperam um resultado de R$ 4,2 bilhões, Mario Roberto Mariante, analista da Planner, projeta um lucro líquido recorrente de R$ 4,4 bilhões. O número seria "reflexo do incremento de margem financeira, da redução de PDD, crescimento das rendas de tarifas, aliado ao forte controle dos custos". Atualmente, o banco segue focado no crescimento de suas operações e no incremento de rentabilidade.
Voltando rapidamente para as atividades da nova gestão, a venda da participação indireta do banco no capital do IRB-Brasil RE, via BB Seguridade, também impactará positivamente os números. Mas somente no terceiro trimestre.
Seguindo a linha de outras estatais, o BB também planeja reduzir o seu gasto com pessoal. Com o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), funcionários que se adequem às regras poderão aderir a um plano de desligamento incentivado. A medida deve gerar aumento de despesas no segundo semestre. Mas o resultado deve ter um impacto positivo no balanço por conta da redução de gastos já em 2020. Tudo isso tem grande potencial de impulsionar os papéis na bolsa.
Tenho que confessar que no meio de tantos favoritos, sempre tem aquele que chama a nossa atenção e ganha a nossa simpatia. Nem sempre se trata do maior ou o melhor. No meu caso, quando o assunto é tênis, Andy Murray será sempre o meu queridinho, mesmo sendo o número 4 do Big 4, a quarta opção entre as opções.
Entre as favoritas das corretoras, a terceira posição do ranking de ações costuma ser a que mais varia. Mês a mês sempre espero ansiosa para ver qual será a grande novidade. Em agosto, foi a vez das ações ordinárias da CVC (CVCB3) se destacarem entre as indicações, sendo a escolha da Necton e da Planner Investimentos.
Hoje, a CVC é a maior companhia de turismo da América Latina e, segundo a Necton, vem apresentando um forte crescimento em seu número de reservas. Em 2018, o número total chegou a mais de R$ 16 bilhões em 2018.
Os resultados apresentados pela companhia no ano passado e no primeiro trimestre de 2019 têm sido consistentes e isso, claro, anima os especialistas. Só nos primeiros três meses do ano, a empresa apresentou um aumento de 13,8% no número de reservas com relação ao mesmo período do ano passado. Isso ajuda a explicar o ânimo dos analistas com o papel.
Nesta quinta-feira (8) a empresa divulga os seus resultados referente ao segundo trimestre de 2019. O analista Mario Roberto Mariante (Planner) diz que a corretora acredita que será mais um trimestre com um bom resultado líquido. " A receita líquida no Brasil somou R$ 440,3 milhões, aumento de 14,4% e o Ebitda do período cresceu 15,1% totalizando R$ 203,4 milhões no primeiro trimestre. O resultado líquido atingiu R$ 108,2 milhões, evolução de 17,5%".
Além dos bons resultados, que podem ajudar a explicar a valorização de 13% das ações nos últimos 12 meses, a CVC também tem investido em novos rumos, ampliando a sua empreitada internacional.
No ano passado, a companhia anunciou a aquisição da Ola Transatlántica Turismo. Para a Necton, essa é a principal estratégia de crescimento: aquisições de empresas com grande participação de mercado em suas regiões específicas. Essa jogada ajuda a companhia a atingir novos públicos e chegar a novas localidades, aumentando a sua capilaridade no continente por meio das lojas físicas.
E não é só por terra que isso acontece. No universo online, hoje a maior concorrência do turismo, a CVC também quer ir mais longe. No primeiro trimestre, ante o do ano anterior, o crescimento foi de 124%. Em sua carteira mensal, a Necton destaca: "Com o cenário de recuperação econômica, acreditamos que a CVC apresenta fortes vantagens competitivas para capturar o crescimento do segmento de turismo no Brasil e América Latina".
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