Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Ana Paula Ragazzi

GOVERNANÇA

Atenção, minoritários! Precisamos falar sobre conselhos de administração

As notícias vindas de Qualicorp e Gafisa mostram que esses órgãos, por vezes, estão assumindo posições de controle que lembram donos de empresas familiares: se esquecem que têm outros acionistas a quem devem satisfação.

Ana Paula Ragazzi
9 de outubro de 2018
5:57 - atualizado às 17:29
José Seripieri Filho, presidente da Qualicorp
José Seripieri Filho, ex-presidente da Qualicorp - Imagem: Divulgação/Fiesp

Precisamos falar sobre conselhos de administração e sobre a quem eles servem. As notícias vindas de Qualicorp e Gafisa mostram que esses órgãos, por vezes, estão assumindo posições de controle que lembram donos de empresas familiares: se esquecem que têm outros acionistas a quem devem satisfação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A Qualicorp, em 1º de outubro, comunicou ao mercado que, por decisão unânime do conselho, tirou R$ 150 milhões do seu caixa e pôs no bolso do seu fundador, José Seripieri Filho, conhecido como Júnior. Por essa quantia, ele se comprometia, por um prazo de seis anos, a não vender sua fatia de 15% das ações da empresa, nem montar um novo negócio que concorra com ela.

Os demais acionistas, liderados pela XP, arrancaram os cabelos: acharam a quantia paga absurda e ameaçaram entrar na Justiça contra a empresa. Uma semana depois, fecharam um acordo que mais pareceu um “pito”: o conselho se comprometeu com algumas mudanças. Entraram no pacote: sempre submeter operações com partes relacionadas a assembleia de acionistas, criar um comitê de governança,
revisar a remuneração de seu diretor-presidente (Júnior) e trocar um conselheiro.

Júnior abriu mão do salário este ano e se comprometeu a usar os R$ 150 milhões para comprar novas ações da Qualicorp, tentando sinalizar alinhamento com o negócio.

Sem detalhes

O conselho optou por decidir o acordo com o fundador sozinho e só divulgou ao mercado uma semana depois, após o pagamento ter sido efetuado. Como ninguém sabe detalhes do processo não dá para saber exatamente como tudo aconteceu. Mas aparentemente Júnior revelou ao conselho que deixaria a Qualicorp para fazer outro negócio, com potencial de concorrer com a empresa. Se ele pediu alguma compensação para não fazer isso, ou se a iniciativa de ofertá-la foi do conselho, os acionistas não ficaram sabendo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conselho alegou que para chegar ao acordo e ao valor pago contratou estudos da Mercer, McKinsey e Spencer Stuart. Eles não foram divulgados. Uma reportagem do Valor diz que Júnior quer fazer uma empresa de planos de saúde, que não seria permitida pela legislação dentro da Qualicorp. Agora, após o acerto, irá levar a ideia adiante, com alguns ajustes. Ou seja, confirmada a reportagem, de repente ficou possível fazer o negócio dentro da Qualicorp.

Leia Também

Ficam várias questões que a Qualicorp, procurada pela reportagem, não quis responder. Por que a empresa demorou tanto para comunicar o acordo ao mercado e nem pensou em discuti-lo com acionistas? Por que não quis detalhar os estudos e as consultorias? Por que a saída do fundador prejudicaria a Qualicorp? Por que essa empresa não teria condições de enfrentar um concorrente? Que medidas tomou para reduzir essa dependência do fundador?

Definir estratégias que mitigassem esses riscos, essa dependência de um negócio a uma pessoa, seria talvez o papel desse conselho, que parece dizer que não tem como manter a empresa se perder seu criador.

Gente grande

Nenhum desses conselheiros começou a lidar com o mercado de capitais ontem. E, muito provavelmente, nenhum deles aceitaria passivamente o que estão impondo para os acionistas da Qualicorp. O presidente do conselho da empresa é Raul Rosenthal Ladeira de Matos, que trabalhou no Bozano, Simonsen, por 12 anos foi presidente da American Express na América Latina.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os demais membros são Arnaldo Curiati , sócio fundador da Abyara Planejamento Imobiliário e hoje presidente da Abyara Brokers. Alexandre Silveira Dias, sócio da Victoria Capital Partners. Wilson Olivieri, que trabalhou na Fidelity BPO, Medial Saúde, EBX, Pagenet, Pepsico e Philip Morris. Nilton Molina, um dos fundadores da Bradesco Vida e Previdência e da Icatu Hartford Seguros e hoje é presidente do conselho da Mongeral Aegon. Claudio Chonchol Bahbout, que foi da JGP e da 3G, duas das mais badaladas gestoras de recursos do mercado. O sétimo integrante é José Seripieri Filho.

Bahbout, conforme comunicado da Qualicorp, disponibilizou seu cargo para permitir que a XP colocasse um representante no órgão. O escolhido foi Rogério Calderon Peres, ex-Unibanco e ex-Alupar.

Os acionistas permitiram?

A pergunta que fica é se trocar um membro adianta ou se os acionistas não deveriam prestar mais atenção aos seus negócios e participar mais ativamente da fiscalização e indicação dos integrantes dos conselhos das empresas em que investem.

A ação de Junior na Qualicorp não é uma surpresa. A vontade dele de sair da empresa ou de ganhar um prêmio para permanecer já era conhecida. Há dois anos, a revista Exame publicou que ele queria vender suas ações, mas estava pedindo muito mais do que elas valiam no mercado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

É não é a primeira vez que o conselho aprova medidas polêmicas em empresas sem controlador. Há casos recentes com a HRT, CVC e, mais ainda, com a Gafisa – que teve seu conselho tomado por um acionista há menos de um mês. Até o ano passado, o quórum das assembleias da construtora estava na casa dos 20%.

Em julho passado, a Comissão de Valores Mobiliários julgou o severance package da petroleira HRT que previa uma espécie de seguro-desemprego para executivos da empresa, que estava prestes a receber uma oferta de compra hostil. Os acionistas não sabiam desse acordo, que envolvia cerca de R$ 30 milhões, até a oferta se efetivar. Mesmo assim a CVM não viu problemas e entendeu que estudos embasaram que a decisão, que foi tomada no melhor interesse da companhia.

Em 2017, o conselho de administração da operadora de turismo CVC aprovou um pacote extra de remuneração para segurar, por dois anos, o presidente da companhia, Luiz Eduardo Falco. Nesse período, além do que já recebia, ele teria cerca de R$ 50 milhões a mais garantidos para que todos ficassem tranquilos de que ele continuaria na empresa. Os acionistas reclamaram e o plano foi modificado.

Quando o acionista toma o conselho

Na construtora Gafisa, o problema não envolve especificamente dinheiro, mas a estratégia de gestão da companhia. A gestora GWI, de Mu Hak You, fez posição relevante na empresa, chamou uma assembleia e conseguiu ocupar 5 das 7 vagas no conselho, com 40% de participação na companhia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No dia seguinte, esse conselho demitiu o presidente, o diretor financeiro e o diretor operacional. Pôs no lugar duas pessoas da própria GWI que alegam alguma experiência no setor imobiliário, mas não no segmento residencial.

As demissões foram motivadas por uma reestruturação que a GWI preparou para a Gafisa, que ninguém qual é e como ele seria possível deixando a empresa com a diretoria dilapidada. Depois que a GWI assumiu o conselho e a chefia da empresa, três outros executivos renunciaram a cargos de diretores estatutários e passaram a ser celetistas.

Além das demissões, o projeto começa com mudança de sede e um plano de recompra de ações. Até outro dia, discutia-se o problemas da saúde financeira das construtoras que estavam com geração de caixa negativa, mas a GWI entende que é hora de usar caixa para recomprar ações.

Aqui, até agora, nenhum acionista acordou do coma. Mas dois conselheiros da empresa, Tomas Awad e Eric Alencar, que não são da GWI, registraram seu descontentamento durante a reunião que aprovou as novas medidas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em manifestação de próprio punho, eles ressaltaram as muitas mudanças em posições relevantes para a empresa ao mesmo tempo. Chamaram atenção para a qualificação do diretor financeiro para o cargo e a possibilidade de perder interlocução com o mercado financeiro, o que pode influenciar negativamente em novas captações e até a divulgação de resultados.

Foram contra a mudança da sede e a recompra de ações. Diz o texto : “O conselho não tem informações para tomar essa decisão. Não temos uma projeção de fluxo de caixa futuro. A empresa consumiu aproximadamente R$ 50 milhões do caixa até agora e possui alavancagem de 82% do patrimônio líquido. Esta decisão pode colocar em risco a liquidez da empresa num momento de muitas mudanças na gestão e na interlocução com financiadores."

Mas eles são minoria. O resto de conselho tem um lado bem definido – e não é o da empresa, nem do minoritário.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
BALANÇO APERTADO

Candidata a IPO, Aegea teve lucro líquido 31% menor em 2025 e ajusta números de 2024 para baixo

13 de abril de 2026 - 10:15

Candidata a abrir capital na próxima janela de IPOs, a empresa de saneamento Aegea reportou lucro líquido proforma de R$ 856 milhões em 2025, queda de 31%

PEDIDO NEGADO

Casino livre para sair à francesa? Pão de Açúcar (PCAR3) falha em travar ações do ex-controlador em disputa bilionária

13 de abril de 2026 - 9:50

O GPA informou a negativa do Tribunal Arbitral ao seu pedido de tutela cautelar para bloqueio das ações que pertencem ao acionista Casino, ex-controlador. A solicitação buscava travar as participação do francês em meio a uma disputa tributária bilionária

UM MÊS DE NEGOCIAÇÕES

JBS chega a acordo provisório com trabalhadores para fim de greve em fábrica nos EUA

13 de abril de 2026 - 8:53

A greve na JBS representou um golpe na capacidade de processamento dos EUA, depois que a Tyson Foods fechou uma fábrica de carne bovina

UM PASSO NO ESPAÇO

Como o foguete que pousa de ré da SpaceX mudou a corrida espacial e se tornou um trunfo de Elon Musk

12 de abril de 2026 - 9:17

Enquanto o Starship redefine o padrão dos lançamentos espaciais, a SpaceX avança rumo a um IPO histórico; confira

CRESCIMENTO SELETIVO

Quem ‘ganha’ e quem ‘perde’ no 1T26? BTG revela suas principais apostas no varejo

11 de abril de 2026 - 15:23

RD Saúde (RADL3), Smart Fit (SMFT3), Petz (AUAU3) estão entre as varejistas que devem registrar desempenho positivo no primeiro trimestre de 2026, segundo o BTG Pactual

BOLSO CHEIO

Santander (SANB11) abre o cofre e anuncia R$ 2 bilhões em JCP; confira o que muda nos dividendos

10 de abril de 2026 - 19:35

Investidores precisam estar posicionados no dia 20 de abril para receber o provento; pagamento está previsto para maio e faz parte dos dividendos obrigatórios de 2026

SEMANA NEGATIVA

O que derrubou a Suzano (SUZB3)? Ação fica abaixo dos R$ 50 mesmo com Ibovespa em alta recorde

10 de abril de 2026 - 19:28

Companhia cai 7,26% na semana e destoa do clima positivo na bolsa brasileira. Entenda o impacto do dólar, do corte do BofA e da pressão no mercado de celulose

VEJA OS PLANOS

Estádio do Palmeiras vai virar roxo? Nubank revela o que pretende fazer após comprar os direitos de nome

10 de abril de 2026 - 15:13

Depois de comprar os naming rights, o banco brasileiro tem vários planos para a arena, mas o verde não vai sair

DEPOIS DA CHUVA, O ARCO-ÍRIS

Depois de superar problemas com a Justiça, ‘Veio da Havan’ marca inauguração de megaloja polêmica no Centro Histórico de Blumenau

10 de abril de 2026 - 13:31

Mesmo sem a Estátua da Liberdade, abertura da nova unidade está prevista para o começo de maio

É HORA DE COMPRAR?

Dividendos extras no horizonte? BB BI eleva preço-alvo da Vale (VALE3) e reforça tese de geração de caixa

10 de abril de 2026 - 13:15

Banco revisa projeções, cita forte geração de caixa e vê espaço para novos pagamentos ao acionista, mas mantém cautela com o papel

VEJA OPÇÕES

Adeus, Allianz Parque: Nubank arremata naming rights da arena do Palmeiras e deixa torcida decidir novo nome do estádio

10 de abril de 2026 - 11:29

Banco amplia ofensiva no esporte e assume o lugar da Allianz como detentor do naming rights do estádio. O resultado da votação será divulgado em 4 de maio

OFERTA DE AÇÕES

Por que a Vitru (VTRU3) quer levantar até R$ 300 milhões em oferta de ações, e qual é o ‘custo’ para o acionista?

10 de abril de 2026 - 10:41

Oferta será 100% primária, com recursos destinados à redução de dívida, reforço de caixa e investimentos operacionais; operação também prevê aumento do free float e da liquidez das ações na bolsa

UNIÃO DE GIGANTES

Allos (ALOS3) se une à Kinea para criar fundo imobiliário de shopping centers; confira os detalhes da parceria e da oferta primária do novo FII

10 de abril de 2026 - 10:11

A empresa informou que a aliança abre “um ciclo de crescimento” e cria receitas recorrentes de gestão de ativos e fundos

COLAPSO?

Oncoclínicas (ONCO3) dobra prejuízo para R$ 1,5 bilhão no 4T25, e auditoria cita “incerteza” sobre continuidade da operação

10 de abril de 2026 - 9:13

A empresa vem passando por um momento de reestruturação, decorrente de uma pressão financeira que levou a companhia de tratamentos oncológicos a recalcular a rota e buscar retomar o seu core business

NOVAS MUDANÇAS

Depois de trocar o CEO, Hapvida (HAPV3) indicará Lucas Garrido para comandar as finanças

9 de abril de 2026 - 20:01

Companhia promete “tomada de decisão cada vez mais eficaz” enquanto enfrenta pressão de acionistas por melhoria na governança

NO SHAPE

Panobianco: por que o Itaú BBA enxerga a rede de academias como uma ameaça para a Smart Fit (SMFT3) e defende que o grupo ‘veio para ficar’

9 de abril de 2026 - 18:53

A Panobianco possui 400 academias pelo país e está crescendo de maneira acelerada com uma parceria com o Wellhub

RECUO ESTRATÉGICO

Petrobras (PETR4) dá marcha à ré no leilão de gás de cozinha e devolve valores após críticas de Lula

9 de abril de 2026 - 18:05

Estatal cita guerra no Oriente Médio e pressão de órgãos reguladores ao anunciar correção nos valores do GLP; entenda o imbróglio

MANDATO ATÉ 2029

Sai executivo do Bradesco (BBDC4), entra CEO do Itaú (ITUB4): Milton Maluhy é eleito presidente do Conselho da Febraban

9 de abril de 2026 - 15:25

Mudança segue o rodízio entre os grandes bancos privados e mantém o comando da entidade nas mãos do Itaú até 2029

PLANOS MAIORES

Sabesp (SBSP3) acelera investimentos e pode expandir para além de SP, diz CEO; ações sobem na bolsa

9 de abril de 2026 - 13:36

Em 2025, a empresa investiu R$ 15,2 bilhões. Já para 2026, os planos são mais ambiciosos, de R$ 20 bilhões em capex

MAIS UM NO BOLSO

BTG Pactual (BPAC11) fecha acordo para comprar banco Digimais, do bispo Edir Macedo

9 de abril de 2026 - 9:30

Em uma apresentação institucional, o Digimais afirma ser um banco focado em crédito com forte ênfase em financiamento de automóveis

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia