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Mesmo com execução melhor que o esperado e recuperação operacional em curso, analistas avaliam que juros altos, competição e upside limitado justificam recomendação neutra para BBDC4
Apesar de ostentar uma valorização de 50% em 12 meses, a tese de investimento do Bradesco (BBDC4) não encantou os analistas da XP. Nos últimos meses, o banco tem impressionado com resultados mais fortes e avanços na execução do plano de transformação, mas a XP ainda não comprou integralmente os ganhos dessa mudança.
Os analistas Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães revisaram o preço‑alvo da ação do Bradesco (BBDC4) para R$ 24, e mantiveram a recomendação neutra para o banco. Para eles, o banco evoluiu — e mais rápido do que o mercado esperava —, mas o ambiente à frente ficou mais desafiador.
A dupla reconhece que o Bradesco conseguiu melhorar sua operação central e hoje mostra mais resiliência para atravessar um cenário econômico menos favorável do que em ciclos anteriores. Ainda assim, avaliam que os próximos trimestres tendem a ser marcados por menos ganhos, competição mais intensa e investimentos contínuos em tecnologia, justamente em um momento de juros altos .
“Esses fatores, combinados ao upside limitado aos níveis atuais, nos impedem de adotar uma visão mais construtiva para a ação neste momento”, afirmam em relatório.
Um dos principais pontos de atenção do relatório está no cenário macroeconômico. Segundo a XP, as expectativas para cortes da Selic pioraram ao longo do primeiro trimestre de 2026, o que reduz o fôlego do crescimento do crédito nos próximos anos.
Esse ambiente prolongado de juros elevados tem pesado especialmente sobre famílias e pequenas e médias empresas (PMEs), segmentos mais sensíveis ao custo do crédito e onde o Bradesco tem exposição relevante.
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O banco até tem conseguido manter a inadimplência sob controle, e os analistas reconhecem isso. Mas, a partir de agora a originação tende a ser mais criteriosa, com foco em linhas de crédito com garantias, estratégia que oferece uma proteção maior do que em ciclos passados.
Por outro lado, os analistas fazem um alerta importante: essa blindagem não elimina riscos. Uma deterioração adicional do cenário macroeconômico ainda pode pressionar a qualidade dos ativos mais à frente.
Apesar da postura cautelosa com a ação BBDC4, a XP vê no Bradesco um trunfo relevante que ainda pode destravar valor no longo prazo: as operações de seguros e consórcios.
Esses negócios representam hoje cerca de metade do lucro líquido consolidado do grupo, mas seguem precificados dentro do múltiplo bancário, o que limita a percepção de valor pelo mercado. Um passo importante para mudar essa relação veio do anúncio de uma reorganização corporativa que vai consolidar os ativos de seguro‑saúde sob a marca Odontoprev.
A expectativa da XP é que, com uma separação mais clara entre banco e seguros, o mercado possa passar a enxergar melhor o valor desses ativos.
“Nossa principal hipótese é que a operação de seguros, que representa aproximadamente metade do lucro líquido consolidado do Bradesco, poderá ser reavaliada mais claramente separada do grupo”, escrevem os analistas.
Se essa reprecificação ocorrer, o mercado poderá enxergar com mais transparência tanto as operações bancárias quanto os negócios de seguros do Bradesco. Até lá, porém, a XP prefere manter o pé no freio.
Do ponto de vista de valuation, a leitura da XP é de cautela para o Bradesco. Aos preços atuais, o banco negocia a cerca de 1,2 vez o preço da ação pelo valor patrimonial (P/VP) e aproximadamente 7,8 vezes o preço pelo lucro esperado para 2026 (P/L).
Segundo os analistas, esses múltiplos refletem um certo ceticismo quanto à capacidade do banco de entregar, de forma sustentável, retornos significativamente acima do custo de capital — mesmo com a melhora recente na rentabilidade.
Com isso, a avaliação é de recomendação neutra para as ações do Bradesco. O preço alvo de R$ 24 é para o fim de 2026 e representa uma valorização de 18% em relação ao preço atual.
*Com informações do Money Times.
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