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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

Entrevista

O que o CEO da gestora de US$ 442 bilhões tem a dizer sobre o Brasil

Jim Hirschmann, presidente da americana Western Asset, está otimista com a perspectiva de aprovação das reformas na gestão Bolsonaro. Tanto que, ao contrário da maioria dos investidores estrangeiros, já aumentou as posições no país

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
6 de dezembro de 2018
6:03 - atualizado às 10:02
Jim Hirschmann, presidente da Western Asset - Imagem: Bruno Mooca/Divulgação

Eu não encontrava a palavra em inglês para perguntar a opinião de Jim Hirschmann, presidente da Western Asset, sobre as oscilações bruscas no humor dos investidores no mercado financeiro nas últimas semanas.

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“Como dizer ‘bipolar’ em inglês?”, perguntei para mim mesmo em voz alta.

“Bipolar, I got it!”, ele me respondeu, ao esclarecer que a expressão é a mesma nos dois idiomas.

Hirschmann me deu a breve aula durante a conversa que tivemos ontem pela manhã. Ele veio a São Paulo participar de um evento promovido pela gestora americana, que tem US$ 442 bilhões (R$ 1,7 trilhão) em ativos.

Para o presidente da Western, não faltam razões para a bipolaridade de boa parte dos investidores. Como exemplos, citou o cenário político nos Estados Unidos, a tumultuada saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), os problemas fiscais na Itália e a guerra comercial entre EUA e China.

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Brasil na carteira

O Brasil não fica alheio a esse movimento. Para Hirschmann, isso explica em parte por que os investidores estrangeiros se mostram bem mais cautelosos com o país do que os locais mesmo depois da confirmação da vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de outubro.

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Apesar do sinal positivo, o capital externo deve esperar pela aprovação de medidas concretas do governo eleito antes de entrar com mais força. Além disso, o potencial do mercado local é tão grande que muitos investidores não se importam em perder o começo do movimento de alta.

“Mas esse não é o nosso caso. Nós já tínhamos uma boa posição no Brasil e inclusive aumentamos”, disse Hirschmann.

A Western conhece bem o Brasil. A presença aqui foi reforçada em 2005, quando a Legg Mason, uma das empresas do grupo, adquiriu globalmente a gestora de fundos do Citi. Hoje, possui pouco mais de R$ 41 bilhões sob gestão no país.

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Para a gestora, a grande dúvida que ainda persiste é sobre a capacidade do governo eleito de formar uma maioria no Congresso. Mas a visão positiva da Western se baseia na perspectiva de que Bolsonaro será bem sucedido nessa missão.

Além do Brasil, Hirschmann diz que a gestora está otimista com os mercados emergentes em geral. E isso inclui Argentina e Turquia, os que mais sofreram nas últimas levas de fuga de ativos de maior risco.

“Os spreads [diferença de rentabilidade] em relação aos mercados desenvolvidos são os maiores dos últimos 15 anos, então o valor está lá.”

Preocupado com a guerra

É claro que o cenário de alta para o Brasil e os demais mercados emergentes depende, e muito, do cenário lá fora.

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De todos os fatores de risco mencionados por ele, a possibilidade de uma guerra comercial entre EUA e China está no topo da lista de Hirschmann.

"Será ruim para os dois países e também para a economia global", afirmou.

Nesse sentido, ele avalia que o fato de os líderes dos dois países terem saído da última reunião do G-20 sem um acordo mais concreto alinhavado foi de certa forma frustrante para os mercados.

Alívio com Fed

Com tantos sinais de preocupação no radar, a sinalização do Federal Reserve (o Banco Central americano) de que os juros nos Estados Unidos não devem subir muito mais trouxe um grande alívio para os investidores.

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Para Hirschmann, o Fed vinha sendo rigoroso demais ao manter a posição de uma alta mais forte das taxas em meio aos problemas externos.

“A economia global está desacelerando, enquanto os EUA vão bem. Mas os dois cenários não podem coexistir para sempre”, disse.

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