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Fintech concorrente do Nubank amplia oferta de crédito, lança plano Ultra e aposta em luxo acessível para conquistar o dia a dia dos brasileiros
Por muito tempo, cartões premium, salas VIP e benefícios de viagem foram privilégios reservados a uma pequena fatia de clientes de alta renda. A Revolut quer mudar essa lógica no Brasil.
Concorrente do Nubank, a fintech britânica anunciou nesta semana uma expansão robusta de sua operação no país, com a promessa de democratizar produtos tradicionalmente associados ao segmento premium.
O pacote inclui crédito para todos os planos, câmbio sem taxas, investimentos internacionais e um novo cartão de elite.
A ofensiva faz parte dos planos da Revolut para conquistar a chamada “principalidade” — quando o cliente passa a usar o aplicativo como sua conta financeira principal.
“Estamos removendo barreiras de entrada, mantendo a exclusividade de um produto premium. Traremos para o Brasil o que há de melhor da Revolut no mundo, afirmou Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, durante evento realizado na última quarta-feira (4).
Segundo o executivo, a ambição da empresa é replicar no Brasil a proposta global da fintech: se tornar a principal solução financeira para pessoas e empresas em mais de 100 países.
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Hoje, a Revolut soma mais de 70 milhões de clientes no mundo, com presença em mais de 40 países.
Se existe uma adaptação necessária para crescer no mercado brasileiro, ela passa pelo crédito. Segundo a Revolut, a estratégia global precisou ser ajustada à realidade local — onde o acesso ao crédito é um dos principais motores de relacionamento entre cliente e banco.
Inicialmente testada apenas no plano de entrada, a função agora passa a estar disponível em todas as categorias da plataforma.
Com isso, clientes dos planos Standard, Plus, Premium e Metal passam a ter acesso a cartão de crédito, desde que sejam elegíveis.
A fintech afirma que a oferta também foi desenhada para atender públicos que costumam enfrentar dificuldades no sistema bancário tradicional, como empreendedores e criadores de conteúdo, que muitas vezes não conseguem comprovar renda pelos métodos convencionais.
No modelo da Revolut, a lógica é diferente da adotada por bancos tradicionais. O acesso aos planos não depende de renda mínima ou convite.
Um dos pilares da estratégia da Revolut é o conceito que a empresa chama de “luxo acessível”. A ideia é permitir que benefícios antes reservados a cartões de altíssima renda sejam acessados por qualquer cliente disposto a pagar pela experiência.
Em vez de exigir renda mínima ou patrimônio elevado, a Revolut estrutura seus serviços em planos de assinatura. Assim, o cliente escolhe o pacote de benefícios — e paga por ele.
“O cliente escolhe o plano pelos benefícios e pelo estilo de vida. A renda influencia o limite de crédito, mas não determina o acesso à categoria”, diz a empresa.
Segundo a fintech, a proposta não é banalizar produtos premium, mas eliminar barreiras artificiais que historicamente restringiam esse tipo de experiência a poucos clientes.
Essa lógica também se conecta ao lançamento do RevPoints, programa de fidelidade da fintech.
Os pontos são acumulados tanto no crédito quanto no débito — incluindo compras internacionais — e podem ser convertidos em passagens aéreas com companhias como TAP, Iberia, Qatar Airways e British Airways.
Nos próximos meses, a empresa pretende incluir também companhias brasileiras, com integração com programas como Latam Pass e Smiles.
A joia da coroa da nova estratégia é o lançamento do plano Ultra, a categoria mais exclusiva da plataforma.
O pacote chega ao Brasil com um cartão físico da bandeira Visa com acabamento em platina e uma lista de benefícios voltados para viagens, investimentos e estilo de vida.
O sistema de recompensas é um dos pilares do novo produto, oferecendo o acúmulo de 3 pontos por dólar gasto no crédito e 1,5 ponto no débito. Segundo a empresa, esses pontos poderão ser transferidos na proporção de um para um para diversas companhias aéreas internacionais por tempo indeterminado.
Além disso, o plano oferece as maiores taxas de rentabilidade da plataforma, com as "caixinhas" rendendo 120% do CDI para reservas em reais e um rendimento de 3,81% ao ano para saldos em dólar.
Entre os principais diferenciais do plano estão:
Segundo a Revolut, o valor estimado desse pacote de benefícios pode chegar a cerca de R$ 1.400 por mês, ou aproximadamente R$ 17 mil por ano.
O plano Ultra tem mensalidade de R$ 249,99, mas clientes que gastarem R$ 30 mil por mês no crédito podem obter isenção total da taxa.
Outra frente estratégica da Revolut no Brasil é a ampliação do acesso a investimentos globais.
A plataforma agora permite que usuários convertam reais em moeda estrangeira e invistam diretamente em ações e fundos de índice (ETFs) listados nos Estados Unidos sem sair do aplicativo.
A proposta é integrar conta internacional, câmbio, investimentos e cartão em um único ambiente digital. Segundo a fintech, isso reduz as barreiras que historicamente dificultaram o acesso de brasileiros à diversificação internacional.
“Queremos que, no Brasil ou no exterior, o cliente se sinta como um local onde quer que esteja”, disse Mota.
Outro ponto central da estratégia é o câmbio. A Revolut anunciou uma nova política que promete spread zero e IOF zero em determinadas operações, dependendo do plano contratado.
Cada categoria terá um limite mensal de conversão de real para outras moedas sem custos adicionais.
A fintech também reforçou sua oferta de conta remunerada em reais. O produto permite rendimento de 100% do CDI com liquidez diária, podendo chegar a 120% do CDI em planos mais avançados, como Metal e Ultra.
Esses recursos ficam armazenados nas chamadas “caixinhas”, que funcionam como reservas dentro do aplicativo.
Hoje, a Revolut soma mais de 70 milhões de clientes em mais de 40 países. Segundo o CEO, o ritmo de crescimento da fintech é acelerado, com a adição de mais de 1,3 milhão de clientes por mês.
A meta da empresa é alcançar 100 milhões de clientes ativos em 100 países, consolidando-se como uma plataforma financeira global.
Em 2024, a fintech registrou US$ 4 bilhões em receita, alta de 72% na comparação anual, com US$ 1,4 bilhão em lucro antes de impostos. Foi o quarto ano consecutivo de lucratividade da empresa.
Segundo o CEO, o crescimento é sustentado por múltiplas fontes de receita — incluindo cartões, câmbio, crédito, investimentos e assinaturas — o que reduz a dependência de um único produto ou mercado.
Nesta quinta-feira (05), a Revolut solicitou uma licença bancária nacional nos Estados Unidos. O pedido segue outros rivais digitais, como o Nubank e Inter, que também foram atrás da bênção dos reguladores nos últimos meses para elevar a aposta pelo mercado norte-americano.
"Este pedido marca um marco importante na expansão estratégica da Revolut na América do Norte e reforça sua missão de se tornar a primeira plataforma bancária verdadeiramente global do mundo", afirmou a empresa, em nota.
Segundo a fintech, a licença bancária nacional dos EUA proporcionará vantagens estratégicas à Revolut, como o desenvolvimento de produtos mais rapidamente, atuação nacional sob um único arcabouço regulatório e acesso direto aos sistemas de pagamento norte-americanos.
A licença ainda possibilita operações de crédito em larga escala e novas fontes de receita, permitindo que a fintech passe a oferecer diretamente empréstimos pessoais e cartões de crédito, além de depósitos segurados aos clientes nos EUA. Isso deve destravar margem financeira líquida e acesso a receitas bancárias essenciais, segundo a empresa.
A nova filial norte-americana será batizada de Revolut Bank US, N.A, e terá como CEO Cetin Duransoy, que já trabalhou na Visa e na Capital One. O executivo sucede Sid Jajodia, que permanece na empresa como diretor global de operações bancárias.
"Conquistar uma licença bancária nos EUA logo após expandir suas operações no México representaria um avanço significativo em direção ao objetivo de entrar em 30 novos mercados até 2030 e alcançar 100 milhões de clientes até meados de 2027", afirma a Revolut.
Embora normalmente opte por um marketing menos agressivo e mais silencioso, a Revolut decidiu reforçar a estratégia de fortalecimento de marca por meio de uma parceria global com a Audi na Fórmula 1.
A equipe passará a se chamar Audi Revolut F1, e contará com o piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, que também atuará como embaixador da marca.
A aposta no esporte busca ampliar o reconhecimento da fintech no país — um movimento comum entre empresas financeiras globais que tentam ganhar espaço em mercados altamente competitivos.
Essa não é sua primeira tentativa de se recuperar. Em 2023, a empresa encerrou um processo de recuperação judicial que durou quase dez anos, após uma crise desencadeada pela Operação Lava Jato
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