CEO da Revolut detalha a estratégia para enfrentar Nubank e bancos na disputa por clientes no Brasil
Em evento, o CEO Glauber Mota afirmou que o país exige outro jogo e força adaptação do modelo global

Em boa parte do mundo, a Revolut cresceu explorando brechas. Mercados bancários pouco competitivos, serviços caros, experiência ruim para o cliente. No Brasil, o jogo é outro, e bem mais complexo, afirmou Glauber Mota, CEO da Revolut Brasil.
“O Brasil tem um sistema financeiro muito desenvolvido e competitivo. Diferente de outros países onde a Revolut cresceu rápido por falta de boas opções, aqui o brasileiro é exigente”, afirmou, em painel em evento organizado pelo UBS nesta quarta-feira (28).
Em outras palavras, a Revolut não chega ao Brasil com vantagem estrutural. Ela entra nivelada com os grandes bancos e com as fintechs locais — todas brigando pelo mesmo cliente, com produtos parecidos.
Aqui, a disputa é muito mais sobre quem serve melhor.
Produto antes do marketing: a aposta da Revolut no Brasil
A estratégia da Revolut no Brasil passa por entregar benefícios que, até pouco tempo atrás, estavam restritos a cartões premium e clientes de alta renda. Isso inclui spreads de câmbio mais baixos e serviços diferenciados oferecidos por meio de modelos de assinatura.
“Como não investimos muito em propaganda, nosso desafio é atrair o cliente pelo valor real do produto”, disse o CEO.
Leia Também
A ideia é convencer o cliente a pagar pelo serviço porque ele percebe valor, e não porque foi capturado por uma campanha agressiva de marketing.
Mas há um ponto em que o discurso global da Revolut precisa se adaptar à realidade brasileira: o crédito.
Para ganhar escala no Brasil, ser bom em crédito não é opcional. É pré-requisito, reconhece Mota. "Pretendemos usar inteligência artificial para acelerar nossa capacidade de análise de crédito de maneira relevante”, afirmou.
Ainda assim, o CEO deixa claro que crédito não é o coração do modelo da Revolut — especialmente em um país onde o risco faz parte da equação, com uma economia tão volátil como a brasileira.
“O Brasil é muito bom em fazer crédito justamente pelo risco que precisa correr. A Revolut foca em ser um negócio sustentável que não dependa exclusivamente do crédito para ter resultados; tratamos o crédito como um serviço adicional. No entanto, as Américas devem guiar o que o resto do mundo fará nesse sentido”, disse Mota.
América Latina empurra a Revolut para o crédito
No Brasil, a Revolut já opera cartão de crédito, e a intenção é expandir esse modelo para outros mercados. Afinal, na América Latina, o crédito é o eixo central da relação do cliente com o banco, disse o CEO.
“Estamos virando essa chave porque entendemos que, nessas regiões, o usuário utiliza o crédito para o consumo do dia a dia”, afirmou Mota.
A Revolut desembarcou no Brasil há três anos. Nesta semana, a fintech anunciou oficialmente o lançamento das operações bancárias completas no México, no primeiro banco da companhia lançado fora do continente europeu.
Nos últimos meses, a empresa também adquiriu um banco na Argentina, anunciou sua entrada no Peru e recebeu autorização para estabelecer um banco na Colômbia.
--Um sistema global ainda obsoleto
Para Mota, mesmo em economias avançadas, como a dos Estados Unidos, a indústria bancária global ainda opera sobre estruturas antiquadas. É aí que entra o grande diferencial da Revolut: a plataformização.
“Existe uma oportunidade enorme por meio da plataformização do produto, seja ele transacional ou premium”, afirmou. "Vejo um futuro muito promissor para os bancos digitais que têm a ambição de expandir para além de seus países de origem.”
Essa visão sustenta a ambição global da fintech. Fundada em 2015, a Revolut alcançou seu quarto ano consecutivo de lucratividade em 2024.
Hoje, a empresa está presente em 40 países, soma 70 milhões de clientes e adiciona cerca de 1 milhão de novos usuários a cada 17 dias, segundo o executivo.
“Em 2026, nossa marca vai aparecer muito mais, entrando no dia a dia das pessoas. Nosso objetivo é atingir 100 países e 100 milhões de clientes ativos diariamente”, disse Mota.
A meta financeira acompanha o tamanho da ambição: US$ 100 bilhões em receita.
OS BASTIDORES DA OPERAÇÃO
Por dentro da Shopee: 150 mil tipos de produtos, muitas mãos e uma corrida para fazer cada pedido chegar à sua casa
28 de outubro de 2026 - 10:46BALANÇO
Santander Brasil (SANB11) frustra no 3T26: lucro tomba 28% e ROE cai a 11,9%; veja os destaques do balanço
28 de outubro de 2026 - 6:16POTENCIAL DE ALTA
Maré favorável? Citi inicia cobertura da OceanPact (OPCT3) e vê espaço para alta de 48%
27 de outubro de 2026 - 17:06PRÉVIA DO BALANÇO
Lucro menor, calotes no radar e recuperação adiada: o que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 3T26
27 de outubro de 2026 - 13:28FACA AFIADA
Citi manda vender Banco do Brasil (BBAS3) após eleições; veja o que colocar no lugar
27 de outubro de 2026 - 13:09SD ENTREVISTA
Agência com cara de hotel? A aposta do Bradesco (BBDC4) para atrair clientes endinheirados
27 de outubro de 2026 - 12:03APOSTA NO LUXO
Massagem, hotéis Fasano e descontos: a nova cartada do Itaú (ITUB4) e da JHSF (JHSF3) para conquistar os clientes ricos
27 de outubro de 2026 - 8:33VAI DE BOLSA
Após SpaceX (SPCX), Anthropic quer entrar no grupo do ‘IPO do trilhão’ com documento enviado à SEC
26 de outubro de 2026 - 14:45AQUISIÇÃO BILIONÁRIA
Itaú (ITUB4) desembolsa R$ 2,925 bilhões para comprar NeoSpace e fortalecer operação de inteligência artificial
26 de outubro de 2026 - 9:12AGORA VAI?
Oncoclínicas (ONCO3) avança em reestruturação e apresenta novo plano para renegociar R$ 5,7 bilhões em dívidas
23 de outubro de 2026 - 19:43MAIS UM RECORDE
Embraer (EMBJ3) tem novo recorde na carteira de pedidos, que totalizou US$ 35,7 bilhões no 3T26; veja os números
23 de outubro de 2026 - 16:48BARATA DEMAIS?
Petz Cobasi (AUAU3) quer recomprar até 17,6 milhões de ações; o que isso significa para o acionista?
23 de outubro de 2026 - 16:21Conteúdo Empiricus
A Warner vale US$ 110 bilhões? Entenda por que saber o preço justo da sua empresa pode fazer a diferença em uma negociação
23 de outubro de 2026 - 14:00DEPOIS DO RESULTADO....
Crédito sob pressão: CEO do Bradesco (BBDC4) defende qualidade da carteira, mas mercado teme perda de ritmo
23 de outubro de 2026 - 11:46BALANÇO
Lucro do Bradesco (BBDC4) sobe 14% no 3T26, a R$ 7,1 bilhões; calotes podem frear a virada?
22 de outubro de 2026 - 18:07NEGÓCIO EM ANDAMENTO
CSN (CSNA3): Agora vai? Venda da CSN Cimentos deve sair nas próximas 2 semanas, mas sem exclusividade, diz jornal
22 de outubro de 2026 - 17:58O QUE PESOU NO 3T26?
A conta chegou para a WEG (WEGE3): custos e tarifas dos EUA pressionam margens; veja o que diz a empresa
22 de outubro de 2026 - 17:18ALTA DE 22% EM DÓLAR
Petrobras (PETR4) supera gigantes globais e emplaca a maior valorização do setor em outubro. Além do petróleo, o que está por trás?
22 de outubro de 2026 - 16:42O QUE DIZEM OS ANALISTAS?
JBS (JBSS32): balanço do 3T26 deve ser fraco, mas bancos veem espaço para alta de até 41% nas ações
22 de outubro de 2026 - 14:22PÉ NO FREIO