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Analistas veem potencial de valorização de 36% para SBSP3 e acreditam que o mercado está exagerando nos riscos

Depois da privatização, a Sabesp (SBSP3) chegou a ser apontada como uma das grandes apostas da bolsa brasileira. Mas o entusiasmo perdeu força. As ações caíram cerca de 20% desde abril e passaram a conviver com uma série de questionamentos sobre execução e cenário político. No entanto, o UBS BB acredita que o mercado pode ter exagerado na dose.
O banco acaba de elevar a recomendação para os papéis da companhia, de neutro para compra.
Na visão dos analistas, a correção recente abriu uma oportunidade rara de entrada em uma empresa que atravessa uma das maiores transformações de sua história.
Para os analistas, a queda recente de SBSP3 abriu uma "atraente janela de entrada" para os investidores.
A avaliação parte de uma tese simples: os fundamentos da Sabesp continuam avançando, enquanto a ação ficou para trás.
Com preço-alvo de R$ 38, o UBS BB vê potencial de valorização de aproximadamente 36% e aposta que a combinação entre investimentos acelerados, crescimento da base regulatória e redução dos temores sobre a privatização pode ajudar a destravar valor nos próximos anos.
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Na visão do UBS BB, a recente fraqueza das ações da Sabesp não reflete problemas operacionais nem mudanças relevantes em sua trajetória de crescimento.
Segundo o banco, a maior parte da pressão veio da saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira, movimento que atingiu diversos ativos locais nos últimos meses.
O resultado foi um descasamento entre o desempenho operacional esperado para a companhia e a precificação de suas ações.
Em outras palavras, enquanto a Sabesp avança em um ambicioso plano de expansão após a privatização, o mercado estaria atribuindo um desconto excessivo ao papel.
Para o UBS BB, esse descompasso pode começar a ser corrigido por diferentes gatilhos.
Entre eles estão uma eventual retomada dos gringos para a B3 e, principalmente, a capacidade da empresa de demonstrar ao mercado que consegue executar seu gigantesco plano de investimentos, em um ritmo próximo de R$ 5 bilhões por trimestre.
"Acreditamos que a companhia está em uma posição favorável para entregar um sólido crescimento de Ebitda por meio de seus investimentos para alcançar a universalização, levando ao crescimento da RAB líquida", afirmam os analistas.
O centro da aposta do UBS BB está no processo de expansão acelerada iniciado após a privatização da companhia, concluída em 2024.
Antes da privatização, a Sabesp investia cerca de R$ 6 bilhões por ano. Agora, a companhia trabalha com um programa de capex que ultrapassa os R$ 15 bilhões anuais e deve se aproximar dos R$ 20 bilhões em 2026, segundo o UBS BB.
Mesmo revisando levemente para baixo suas projeções de investimentos — de R$ 20 bilhões para R$ 19 bilhões em 2026 —, os analistas ressaltam que o volume continua extremamente elevado para os padrões históricos da empresa.
Segundo o UBS BB, a revisão não reflete uma mudança na estratégia, mas sim um ajuste para contemplar os obstáculos envolvidos na execução simultânea de dezenas de projetos.
"Estamos reduzindo nossas estimativas de capex para a Sabesp nos próximos anos, considerando o desafio operacional de executar um ritmo muito mais elevado de investimentos", afirma o relatório.
Por trás desses números existe um objetivo ambicioso dentro da Sabesp (BSPS3): antecipar para 2029 a universalização do saneamento básico no estado de São Paulo, quatro anos antes do prazo previsto pelo Marco Legal do Saneamento, que estabelece 2033 como limite nacional.
E é justamente aí que a lógica financeira da tese ganha força. No setor de saneamento, a remuneração das empresas está diretamente ligada à base de ativos regulatórios (RAB, na sigla em inglês).
Quanto maior a base de ativos construída e reconhecida pelo regulador, maior tende a ser a geração futura de receita e caixa.
Por isso, os investimentos atuais funcionam como a matéria-prima do crescimento futuro.
As projeções do UBS BB indicam que a RAB da Sabesp deve saltar de cerca de R$ 88 bilhões em 2024 para R$ 143 bilhões em 2027 e atingir aproximadamente R$ 178 bilhões em 2029.
Como consequência, o banco estima um crescimento anual composto (CAGR) de 18% para o Ebitda entre 2025 e 2030.
Se existe um tema que costuma reaparecer quando o assunto é Sabesp, é o risco político. A proximidade das eleições estaduais e eventuais mudanças de governo alimentam especulações sobre uma possível reversão da privatização da companhia.
O UBS BB, porém, considera esse cenário extremamente improvável. Segundo o banco, o fluxo recente de notícias sobre uma eventual reestatização tem produzido mais ruído do que risco efetivo para a tese de investimento.
A avaliação se apoia em uma série de obstáculos que tornariam qualquer tentativa de reversão complexa.
O primeiro deles é contratual. Os acordos firmados entre a companhia e os municípios já foram assinados, configurando um negócio juridicamente consolidado, segundo o UBS BB.
Além disso, há o componente legal. De acordo com os analistas, a existência de contratos em vigor cria direitos adquiridos que dificultariam mudanças abruptas.
Também existe um obstáculo financeiro: uma reversão exigiria a recompra das ações dos investidores privados, o que implicaria custos bilionários para o Estado.
Por isso, o banco avalia que qualquer tentativa nesse sentido exigiria um processo legislativo complexo, semelhante ao que foi necessário para aprovar a própria privatização, além da possibilidade de longas disputas judiciais.
Diante desse conjunto de barreiras, o UBS BB pondera que há pouco espaço para uma reversão efetiva da privatização, mesmo em um eventual cenário de alternância de poder no estado.
Na visão do banco, a percepção exagerada dos riscos ajuda a explicar por que as ações continuam negociando abaixo do valor considerado justo.
Hoje, a Sabesp é negociada a aproximadamente 0,98 vez o valor de firma sobre a RAB estimada para 2027. O UBS BB considera que um múltiplo de 1,24 vez seria mais adequado.
Essa diferença sugere, segundo o banco, que o mercado estaria incorporando riscos maiores do que aqueles efetivamente observados nos fundamentos da empresa.
Para justificar sua avaliação, o banco detalha três fatores estruturais que ajudam a explicar por que empresas reguladas podem negociar acima ou abaixo de uma relação de 1 vez entre valor de firma e base de ativos regulatórios.
O primeiro é o chamado "WACC Gap", ligado à diferença entre o custo de capital regulatório e o custo efetivo da empresa. Como a Sabesp deve investir muito acima da depreciação regulatória nos próximos anos, essa diferença tende a gerar valor adicional para os acionistas.
O segundo é o "Opex Gap", relacionado à eficiência operacional. A companhia opera com custos inferiores às premissas consideradas pelo regulador, permitindo capturar ganhos adicionais ao longo do tempo.
O terceiro é o "Tax Gap", decorrente de uma carga tributária efetiva inferior à considerada nos modelos regulatórios. Segundo o UBS BB, o uso de instrumentos como o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) contribui para manter a alíquota efetiva abaixo da utilizada nas premissas regulatórias.
Somados, esses fatores ajudam a explicar por que a Sabesp poderia valer mais do que o mercado atualmente reconhece, na visão dos analistas.
Apesar da visão positiva, o UBS BB reconhece que a tese está longe de ser livre de riscos.
Para os analistas, o principal desafio está justamente naquilo que sustenta a expectativa de crescimento: a execução do plano de investimentos.
Entregar obras, ampliar redes e expandir a infraestrutura no ritmo necessário para cumprir as metas exigirá disciplina operacional e capacidade de gestão.
Além disso, o componente político continuará no radar dos investidores, especialmente à medida que o calendário eleitoral se aproximar.
Para o UBS BB, fatores climáticos também merecem atenção. Períodos prolongados de estiagem e reservatórios em níveis reduzidos podem pressionar o fluxo de caixa da companhia.
Há ainda o risco de descumprimento das metas de universalização, que podem resultar em penalidades relevantes, e o impacto de juros elevados sobre o custo de capital e o retorno dos investimentos.
Ainda assim, para o UBS BB, o saldo entre riscos e oportunidades segue favorável.
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