Menu
2019-10-14T14:08:57-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Sem superpoderes

Apesar do sucesso dos Vingadores, a Disney viu seu lucro cair no trimestre

A divisão cinematográfica da Disney teve um resultado forte, mas os demais setores não foram tão bem — o que, somado ao aumento nos custos, impactou os números da companhia

6 de agosto de 2019
20:03 - atualizado às 14:08
Arte do Filme "Vingadores: Ultimato"
Arte do Filme "Vingadores: Ultimato" - Imagem: Divulgação

Em 2019, a Disney tem reinado soberana nas bilheterias de cinema. Da conclusão da saga dos Vingadores à refilmagem de O Rei Leão, de Toy Story 4 ao mais novo episódio da franquia do Homem-Aranha — a casa do Mickey está passando como um rolo compressor sobre os outros estúdios.

E toda essa dominância gerava uma enorme expectativa em relação ao balanço trimestral da companhia. O mercado, afinal, estava curioso para saber se esse sucesso estrondoso ira se traduzir em resultados fortes — Vingadores: Ultimato, afinal, quebrou o recorde de Avatar e já arrecadou quase US$ 2,8 bilhões em bilheteria no mundo.

E, de fato, a divisao cinematográfica da Disney teve um bom desempenho no trimestre. No entanto, a linha de despesas da empresa teve uma alta ainda mais expressiva — nesse pacote, estão inclusos os custos com a incorporação da 21st Century Fox. E, nesse cenário, nem mesmo os super-heróis mais populares do mundo foram capazes de ajudar a Disney.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Indo direto ao clímax: a receita líquida da Disney somou US$ 20,2 bilhões no trimestre encerrado em junho, uma alta de 33% na base anual. No entanto, os custos e despesas totais da companhia no período cresceram num ritmo superior na mesma base de comparação, de 54,6%, para US$ 17,5 bilhões.

Com isso, o conglomerado encerrou o trimestre com lucro líquido de US$ 1,76 bilhão, uma queda de 39,6% em relação ao mesmo intervalo de 2018. O lucro por ação (EPS) ficou em US$ 0,97 — bem abaixo do US$ 1,95 registrado há um ano.

Por mais que o mercado já esperasse uma retração no lucro líquido em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o recuo reportado pela Disney foi mais intenso do que o previsto — os números ficaram abaixo da média das estimativas compiladas pela Bloomberg. Até mesmo a receita decepcionou: os analistas apontavam para uma cifra de US$ 21,4 bilhões.

Em meio a esses resultados, as ações da Disney (DIS) operavam em queda no after market de Nova York — uma espécie de prorrogação do pregão regular. Por volta de 20h00 (horário de Brasília), os papéis da companhia recuavam 3,26%, a US$ 137,25.

Muito além dos filmes

A aposta no bom desempenho da divisão cinematográfica se mostrou certeira: esse braço da Disney gerou US$ 3,84 bilhões em receita, um crescimento de 33% em um ano. Quatro filmes impulsionaram os resultados no trimestre: Capitã Marvel, Toy Story 4, Aladdin e Vingadores: Ultimato.

Vale lembrar que os estúdios Disney são um conglomerado que engloba diversas outras empresas, com destaque para a Marvel, a Pixar, a LucasFilm e, agora, a 21st Century Fox — quatro colossos que possuem franquias e marcas expressivas sob seus chapéus.

Mas se o desempenho cinematográfico da Disney foi, de fato, tão bom, porque os resultados trimestrais não corresponderam às expectativas? Parte da resposta está nos demais setores da empresa, que não foram tão bem quanto o imaginado.

A maior parte da receita da Disney foi gerada pela divisão de mídia, que inclui os canais e redes de TV a cabo — como a ESPN — e os serviços de transmissão de conteúdo — como as séries produzidas pela ABC. Ao todo, essa divisão respondeu por US$ 6,7 bilhões de receita, uma alta de 21% em um ano.

Apesar da expansão, o desempenho ainda ficou aquém do esperado, especialmente na área de transmissão de conteúdo. Entre outros pontos, a Disney cita a queda na popularidade das séries How to Get Away With Murder e Designated Survivor, além de registrar uma menor receita com propaganda.

A maior decepção, contudo, ficou com a divisão de parques e produtos, que gerou US$ 6,6 bilhões em receita — um crescimento de apenas 7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Por um lado, a Disneyland Paris teve um bom resultado no período, mas, por outro, os parques nos EUA foram menos visitados que o esperado.

Arrasa quarteirão

Além do desempenho mais fraco que o esperado no lado da receita, também houve o crescimento na linha de custos. A Disney fez uma série de aquisições nos últimos meses e possui um plano audacioso para o futuro — e essas duas frentes implicam em maiores volumes de investimento.

Do ponto de vista das aquisições, a compra da 21st Century Fox foi concluída no fim de março, pelo valor de US$ 71,3 bilhões — os acionistas da Fox puderam escolher entre receber US$ 51,57 em dinheiro por ação ou trocar cada papel pelo equivalente a 0,45 ativo da Disney.

Sob o aspecto dos investimentos futuros, a Disney gastou volumosas quantias no segmento de parques ao construir uma nova área temática dedicada à franquia Star Wars. Além disso, há a expectativa em relação ao lançamento do Disney+, o tão falado serviço de streaming próprio da empresa que será lançado em novembro — a meta é desbancar a Netflix do topo desse mercado.

Assim, esses dois vetores atuaram em conjunto para elevar fortemente os custos no trimestre — e numa magnitude superior à prevista pelos analistas. E, enquanto os ganhos de sinergia com a Fox, o aumento no número de visitantes aos parques com a área de Star Wars e a receita da Disney+ não chegam, cabe à empresa arcar com esses resultados.

Afinal, os sucessos de bilheteria são importantes, mas um conglomerado do tamanho da Disney tem muitos outros braços para administrar.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

mercados agora

Ibovespa retoma os 111 mil pontos, após dados do varejo; dólar cai a R$ 4,11

Foco de hoje está na decisão sobre os juros no Brasil e nos EUA, além da disputa comercia entre Estados Unidos e China.

Engordando o caixa

Dona de Le Lis Blanc e Dudalina, Restoque anuncia oferta de ações que pode chegar a R$ 278 milhões

Preço final da oferta da Restoque só será definido no dia 18 de dezembro, após a conclusão do processo de bookbuilding, quando o procedimento de coleta de intenções é realizada

olho nos dados

Vendas do comércio no varejo reduzem ritmo e sobem 0,1% em outubro

Esse é o sexto mês consecutivo de crescimento; no varejo ampliado, o volume de vendas cresceu 0,8% em relação a setembro de 2019

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta quarta-feira

As taxas do Tesouro Direto abriram em queda nesta quarta-feira (11). O Tesouro IPCA+ 2024 (NTN-B Principal) é negociado com taxa de 2,20% ao ano mais IPCA, por um valor mínimo de R$ 58,99. O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTN-B) é negociado com taxa de 3,40% ao ano mais IPCA e aplicação mínima […]

Mais de 11 milhões de ações

Menos de dois meses após IPO, BMG aprova programa de recompra de ações

Programa de recompra de ações do BMG entra em vigor nesta quarta-feira (11) e tem prazo de validade de um ano – até 8 de dezembro de 2020.

em brasília

Pacote de Moro e 2ª instância avançam

Bancada lavajatista não encarou esse sinal verde como uma vitória porque o pacote anticrime avalizado pela CCJ “carimbou” a mesma versão autorizada pela Câmara, que desidratou o projeto original

Aproximando banco do cliente

Banco Votorantim anuncia reposicionamento de marca e passa a se chamar BV

O Banco também apresentou um novo posicionamento de marca com a assinatura “leve para a sua vida”. A ideia é aproximar os clientes do banco, seguindo o case de sucesso das fintechs.

Não vai ter veto

Bolsonaro propõe fundo eleitoral de R$ 2,5 bi

Distribuição da verba para candidatos fica a critério das cúpulas partidárias, que, em geral, privilegiam políticos com mandato. Existe, ainda, o Fundo Partidário, que banca atividades do dia a dia das legendas

Tudo que vai mexer com seu dinheiro hoje

Olho nos BCs, na Oi e na XP

Hoje será mais uma super quarta-feira, com decisões importantes dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos sobre suas taxas básicas de juros. No caso do BC brasileiro, o mercado quer conferir se o discurso vai mudar ou não após a recente escalada do dólar. O dia começa também com novidades relevantes sobre a […]

Vai mudar

Banco do Brasil reduz diretoria executiva e anuncia novos nomes para o conselho

Banco estatal passará por uma redução de sua diretoria executiva e reestruturação nas atribuições de cada cargo. Agora, a diretoria do banco será composta por 26 posições

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements