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Petróleo e a disparada da Drogasil puxavam o indicador para o positivo. Mas a cautela no exterior e queda da Vale e bancos arrastaram o índice para o vermelho
Depois de um sobe e desce quase o dia todo, a Bolsa de Valores de São Paulo caiu de cabeça no vermelho no fim da tarde. A alta do petróleo e a disparada da Drogasil puxavam o Ibovespa para o lado positivo. Mas não foi o suficiente. A cautela no exterior (em Nova York as bolsas fecharam no negativo) e a nova queda da Vale arrastaram de vez o índice para o vermelho, que fechou em baixa de 0,30%, a 97.307 pontos. O dólar encerrou o dia negociado em baixa de 0,40%, a R$ 3,73. Descolada do exterior, a moeda teve baixa após o Banco Central realizar leilões de linha com uma oferta total de US$ 3 bilhões.
O petróleo fechou em território positivo nesta quarta-feira, apoiado pela notícia de que a Arábia Saudita reafirmou que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) deve estender um corte na produção. Além disso, os contratos foram apoiados pela diminuição nos estoques dos Estados Unidos na última semana. O petróleo WTI para abril fechou em alta de 2,59%, a US$ 56,94 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para maio teve ganho de 1,87%, a US$ 66,58 o barril, na ICE.
O ministro de Energia saudita, Khalid Al-Falih, afirmou em resposta às críticas do presidente americano, Donald Trump, que a Opep tem tido calma no ajuste da produção. Segundo a autoridade saudita, todas as perspectivas mostram que o cartel e seus aliados, como a Rússia, podem continuar a moderar a produção no segundo semestre.
No noticiário local, O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, reforçou há pouco a expectativa do governo de aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Nova Previdência em junho na Câmara e no Senado. “Se tudo correr bem, e Deus há de querer, a Reforma será aprovada em junho nas duas Casas”, disse o ministro durante o 20º CEO Brasil 2019 Conference, do BTG Pactual, em São Paulo (SP).
O crescimento de tensões geopolíticas e envolvendo as negociações comerciais entre Estados Unidos e China pesa nas ações em Nova York e puxa o dólar ante moedas emergentes e ligadas a commodities no exterior. No câmbio, o efeito dos leilões de linha do Banco Central neutraliza a pressão externa.
A aversão ao risco foi reforçada por declarações do representante comercial americano de que é preciso "fazer muito" para alcançar um acordo bilateral com Pequim.
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A agência de classificação de risco Moody's decidiu rebaixar para Ba1 (escala global) os ratings da Vale que, com isso, perde seu grau de investimento. Até hoje, a nota de crédito da Vale era Baa3, a última dentro do selo de bom pagador. Mesmo como rebaixamento, a mineradora permanece com uma avaliação de risco melhor que a nota soberana do Brasil, atualmente em Ba2.
Com isso, ações ordinárias da companhia escorregaram e caíram 0,78%. O número de mortos da tragédia da Vale em Brumadinho subiu para 180, segundo a Defesa Civil. Até a noite de ontem, as autoridades não haviam identificado a 180º vítima. De acordo com balanço divulgado nesta terça, 130 pessoas estavam desaparecidas nos rejeitos espalhados da barragem 1, da Mina Córrego do Feijão.
As ações da Petrobras subiram na véspera da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que discutirá o projeto de cessão onerosa do pré-sal. Os papéis ON tiveram alta de 0,52% e os PN avançaram 1,88%.
O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou hoje que já há condições definidas para levar o acordo ao CNPE. Segundo ele, se o leilão for aprovado, o conselho deve decidir pela sua realização no último trimestre de 2019. O contrato de cessão onerosa foi firmado em 2010, para que a petroleira tivesse acesso a áreas do pré-sal. Desde 2014, empresa e União reavaliam o valor firmado, já que o acordo previa que a companhia poderia receber uma parcela do dinheiro de volta caso a cotação do petróleo na data de anúncio da comercialidade do reservatório fosse inferior ao da data de assinatura do contrato. Após anos de discussão sobre quem deve a quem, o esperado é que cheguem a um consenso favorável à estatal neste ano.
Além disso, a petrolífera pretende até junho desativar sua sede administrativa em São Paulo e lançar um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV). A estatal planeja fechar unidades incluídas em seu plano de desinvestimento que não despertarem interesse dos compradores, o que pode levar a mais demissões.
As ações ordinárias de Raia Drogasil (RD) dispararam hoje e chegaram a subir mais de 11% após a empresa anunciar a compra da rede Onofre, ontem à noite, e divulgar balanço trimestral positivo. Fecharam em alta de 7,47%. Além de liderar as altas do Ibovespa, as ações também ficaram entre as “top 3” das mais negociadas. A RD mostrou crescimento entre 7% e 16% na receita líquida, Ebitda e lucro líquido ajustado no quarto trimestre de 2018 na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Além disso, para a corretora, a aquisição da rede Onofre é interessante diante da participação da Onofre no canal online, o que "pode acelerar o aprendizado da RD neste segmento".
A RD não divulgou o valor da transação, mas mencionou que a quantia está abaixo dos parâmetros da CVM que exigem divulgação, o que significa menos de 10% do patrimônio, de R$ 3,5 bilhões.
Em 2013, a CVS adquiriu a Onofre pagando R$ 830 milhões, de acordo com estimativas. No ano passado, a Onofre reportou receita bruta de R$ 490 milhões. Segundo um operador, a RD "não pagou 'nada' pela Onofre e ainda se beneficiará com seu e-commerce, o que tem arrancado ganhos à empresa" nesta quarta-feira.
Segunda maior alta do Ibovespa, as ações ON da Eletrobras avançaram 4,76%. Os papéis PNB subiram 3,64%. O mercado repercute a informação dada pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, de que o modelo de capitalização da Eletrobras deve ser definido até junho. Em entrevista, ele salientou que existe um plano de trabalho estabelecido no início do ano que envolve não só o MME como outros ministérios, como o da Economia, e órgãos de controle e fiscalização - Tribunal de Contas da União (TCU) e Advocacia Geral da União - e Congresso Nacional - além do Congresso Nacional.
Exposta à variação do dólar, as ações da Suzano lideram as baixas do Ibovespa. Após subirem quase 5%, ontem, os papéis ordinários registram queda de 4,33%.
Após reportar resultado financeiro do quarto trimestre de 2018, as ações ON da Iguatemi, dona de participação em 16 shoppings centers e dois outlets no País, ficaram entre as piores quedas no Ibovespa, com baixa de 2,48%. De acordo com os analistas do Credit Suisse, os dados foram negativos devido à elevação acima do esperado nas despesas gerais e administrativas no período, provocando queda na margem de lucro operacional. Por causa disso, o banco decidiu reduzir o preço-alvo para as ações da Iguatemi de R$ 46,50 para R$ 45,00, embora com manutenção da classificação "neutral" (desempenho em linha com o mercado).
As units de SulAmérica tiveram perdas de 4,38%. A seguradora apresentou o balanço do quarto trimestre – que definido pelos analistas do UBS como de "baixa qualidade". Diante disso, o JPMorgan rebaixou a recomendação para as units da empresa de overweight (desempenho acima da média do mercado) para neutra, com preço-alvo a R$ 34,00, o que implica em uma potencial alta de 4% em relação ao fechamento de ontem.
De acordo com relatório da Coinvalores, embora a companhia tenha entregado crescimento de dois dígitos na receita no quarto trimestre, com destaque para os segmentos saúde e odontológico, a sinistralidade do segmento, no entanto, veio pior, pressionando o índice combinado (soma dos custos e despesas em relação à receita) na mesma comparação. "Juntando isso à redução no resultado financeiro, o lucro líquido da SulAmérica veio 5% abaixo do reportado há um ano", destacou a corretora.
As ações dos principais bancos tiveram quedas em bloco: Bradesco ON caiu 0,65% e PN, 1,11%. Também recuaram Itaú PN (0,88%), Santander (0,99%) e Banco do Brasil ON (1,14%). A queda no preço das ações dos bancos é foi por realização de lucros, segundo operadores.
Depois de três pregões entre as maiores altas do Ibovespa a CSN teve seu dia de perdas hoje. Caiu 3,87%. Hoje, a agência de classificação de risco S&P reafirmou o rating "CCC+" para a Companhia Siderúrgica Nacional, com perspectiva positiva. Em relatório, a S&P afirma que a perspectiva é justificada pela melhora do desempenho operacional da companhia. A agência cita também a recente renegociação de dívidas bancárias, venda de ativos e o contrato de fornecimento de minério de ferro com a suíça Glencore.
Assim, as concorrentes Usiminas e Gerdau também caíram: 1,79% e 0,32%, respectivamente. Metalurgica Gerdau subiu 0,68%.
*Com Estadão Conteúdo
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