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Bolsa e dólar hoje

Após nono recorde, Ibovespa fecha o dia em queda

Com alta acumulada de 9,34% no ano, a Bolsa de Valores de São Paulo teve dia de baixa liquidez; a moeda americana fechou em alta

Seu Dinheiro
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21 de janeiro de 2019
10:19 - atualizado às 9:59
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Também há a expectativa pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, amanhã - Imagem: Seu Dinheiro

Depois de marcar o nono recorde de 2019 e acumular alta de 9,34% no ano, o giro financeiro na Bolsa brasileira hoje foi prejudicado pelo feriado que fecha o mercado acionário à vista em Nova York. Por influência do exterior negativo, pela falta de liquidez ou por realização de lucros, o Ibovespa passou o dia todo no negativo. No final, porém, terminou o pregão de modo mais suave, com queda mais leve e ainda defendendo a casa dos 96 mil pontos. A baixa foi de 0,09%, marcando 96.009 pontos.

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O dólar fechou a segunda-feira com a quinta alta seguida, a 0,21%, negociado a R$ 3,76. Embora os operadores de câmbio atribuam a correção do preço local principalmente à valorização do dólar no exterior, o ajuste intraday frente o real chama atenção por ser maior até o momento em relação às variações de alta do dólar frente outras divisas de países emergentes exportadores de commodities

Ambiente

Hoje, nos Estados Unidos, foi feriado de Martin Luther King e, na sexta-feira, em São Paulo, será aniversário da cidade. Isso afetou a liquidez. Amanhã, há a expectativa pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos, na Suíça. A plateia, porém, não será tão ilustre, uma vez que estarão ausentes os principais líderes mundiais, como os dos Estados Unidos, China, Reino Unido e França. O presidente e o ministro da Economia, Paulo Guedes, devem reforçar aos investidores estrangeiros o compromisso com privatizações e reformas, principalmente a da Previdência.

Bancos e o feriado

Em dia de feriado nos Estados Unidos, as ações de bancos no Brasil passaram por um dia de ajustes e realizaram lucros, após acumularem ganhos acentuados em janeiro, de acordo com Pedro Galdi, analista da Mirae Invest. Itaú Unibanco PN teve queda de 0,82%, Bradesco PN caiu 1,15% e Banco do Brasil ON recuou 0,54%. No ano, as instituições acumulam alta de 4,48%, 8,89%, 14,12% e 3,01%, respectivamente.

Luiz Roberto Monteiro, operador de mesa institucional da Renascença, explica que notícias negativas "chamam" para realização de lucros. "A notícia de que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro movimentou R$ 7 milhões em três anos começa a levantar preocupação porque isso pode respingar no governo. Então, o investidor que estava disposto a comprar já coloca um pé no freio", pontua, acrescentando que outros pontos negativos como o mercado internacional de petróleo mais fraco e desaceleração econômica na China.

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Vale e Petrobras

Entre as ações de commodities, Petrobras e Vale caíram o dia todo, mas deram um "up" no final, fechando em alta, depois de o petróleo terminar o dia em leve elevação. Na Intercontinental Exchange (ICE), o barril do Brent para março avançou 0,06%, para US$ 62,74. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo WTI para o mesmo mês subia 0,33%, a US$ 54,22, no pregão eletrônico no final da tarde.

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Petrobras ON, que chegou a perder mais de 1%, fechou em alta de 0,48%. A PN avançou 0,51%. Vale ON subiu 0,95%. Em janeiro, as altas são de 13,66%, 11,20% e 7,29%, nesta ordem.

Mais um concorrente

Com a Amazon se preparando para lançar uma plataforma de comércio eletrônico com estoque próprio, os papéis das concorrentes B2W e Magazine Luiza tremeram na base e ficaram entre as principais quedas do Ibovespa. B2W ON caiu 3,26%, enquanto Magazine Luiza ON recuou 4,13%.  "Magazine Luiza tem expertise no mercado brasileiro e está preparada para uma concorrência dessas, mas a notícia assusta. Uma plataforma como a Amazon é uma concorrência direta para as duas empresas. É um alerta, acende uma luz vermelha", diz Louise Barsi, analista da Elite Corretora.

Os papéis da Via Varejo também tiveram queda de 1,64%. Nesse caso específico, as ações sofrem mais pressão ainda, uma vez que o Grupo Pão de Açúcar vendeu 50 milhões de ações ON da Via Varejo no fim do ano, por meio de um contrato de Total Return Swap com uma instituição financeira. Assim, a participação do Grupo Pão de Açúcar (GPA) no capital da Via Varejo passou de 43,23% para 39,36%.

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Siderúrgicas

As ações das siderúrgicas saltaram em bloco. A maior alta do setor era CNS ON (1,73%), seguida por Usiminas PNA (1,61%), Metalúrgica Gerdau PN (0,27%) e Gerdau PN (0,19%). O Instituto Aço Brasil (IABR) informou que a produção de aço bruto brasileira alcançou 34,7 milhões de toneladas em 2018, o que representa uma expansão de 1,1% frente ao ano anterior. A produção de laminados no mesmo período foi de 23,1 milhões de toneladas, aumento de 3,3% em relação a 2017. A produção de semiacabados para vendas foi de 9,9 milhões de toneladas no acumulado de 2018, o que significa um aumento de 0,5% na mesma base de comparação. Já as vendas internas foram de 18,3 milhões de toneladas de janeiro a dezembro de 2018, uma elevação de 8,2% quando comparada com igual período do ano anterior.

Comgás, literalmente

As ações da Cosan desceram a ladeira nesta segunda-feira, pressionadas pelo anúncio de que a companhia se comprometeu a desembolsar quase R$ 2 bilhões em uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) voluntária de sua controlada, a Comgás. O papel da Cosan teve queda de 3,01%.

Os analistas do Goldman Sachs Bruno Pascon, Victor Hugo Menezes e Julia Borges estimaram que a operação, se 100% bem sucedida, resultará em um Valor Presente Líquido (NPV, na sigla em inglês) negativo para a Cosan de R$ 0,45 por ação, ou 1,1% do valor de mercado. Eles também calcularam que a operação elevará a alavancagem da Cosan estimada para 2019 em até 0,3 vez, ante as 2 vezes anotadas no terceiro trimestre, ainda em linha com a meta da companhia para sua estrutura de capital, que é manter uma alavancagem entre 2 vezes e 2,5 vezes.

Com a operação, os papéis da Comgás tiveram alta de 20,30%. Atualmente, a Comgás tem 23.566.096 ações PNA em circulação no mercado, e se tiver sucesso em adquirir todas elas, a operação deve movimentar quase R$ 2 bilhões. A oferta está condicionada à adesão de dois terços dos titulares destes papéis.

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Gol por baixo

As ações PN da Gol ficaram entre as maiores baixas do Ibovespa, com queda de 2,44%, afetada pela informação na imprensa internacional de que a Avianca negocia uma possível injeção de capital com o fundo Elliott Management, de acordo com um operador. Vale destacar que o papel da companhia aérea chegou a ser pressionado na última semana depois que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que a GE Capital Aviation Services suspendeu o pedido de cancelamento da matrícula de dez aviões Airbus A320 arrendados à Avianca Brasil, depois que as empresas chegaram a um acordo para manter os arrendamentos.

Localiza

As ações da Localiza subiram 3,59% e foram uma das maiores valorizações do dia. Isso acontece depois que a empresa informou na sexta-feira uma oferta primária de ao menos 46 milhões de ações, podendo chegar a 55,2 milhões de ações. De acordo com um operador, a oferta é positiva, uma vez que "mostra que a empresa está com uma perspectiva positiva e se capitalizando de maneira melhor.

Inepar

A ação que deu o maior pique hoje foi a da Inepar, que subiu 26,06%. O conselho do grupo, que tem origem no estado do Paraná e que atua nas áreas de construção de equipamentos de energia, aprovou a reserva de fundos para financiar a arbitragem aberta pela controlada Iesa Projetos contra a Tupi BV - um consorcio do qual são sócias a Petrobras Netherlands BV, Shell e Galp-Sinotec, além da Petrobras Netherlands de Nova York.

Escolas

Estácio ON e Kroton ON recuaram 5,12% e 0,79%, respectivamente, em meio à cautela com o segmento de educação. Sandra Peres, analista da Coinvalores, destaca que não há nada pontual para a queda das duas empresas, mas sim uma perspectiva ruim para o setor. "O panorama piorou desde quando o governo começou a reduzir o Fies. As empresas têm se reorganizado, diversificando seu portfólio, mas os efeitos começarão a aparecer só a partir de 2020. No curto prazo, devem continuar pressionadas", pontua a analista.

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*Com Estadão Conteúdo

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