A Bula da Semana: Mercados entre a guerra e a reforma
Guerra comercial entre EUA e China deve manter a volatilidade no mercado financeiro, mas ativos locais estão atentos à votação da reforma da Previdência na Câmara

Os mercados financeiros devem se preparar para mais uma semana em que a única certeza é a volatilidade. A disputa comercial e geopolítica entre Estados Unidos e China levou Wall Street ao pior desempenho semanal do ano, sendo que os ativos de risco no exterior devem continuar oscilando ao sabor do conflito nos próximos dias.
Os negócios locais não deve ficar alheios a essa turbulência, mas também têm seus próprios temas a monitorar. Após o Banco Central deixar a porta aberta para novas quedas dos juros básicos, o que contrata um novo corte de 0,50 ponto na Selic em setembro, o foco se volta para o Congresso Nacional, que retoma as atividades amanhã.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, marcou para esta terça-feira o início da votação em segundo turno da reforma da Previdência. Caso sejam necessárias, o plenário da Casa já está reservado para apreciação da matéria também na quarta e na quinta-feira. O objetivo é concluir a aprovação nesta semana, encaminhando a pauta ao Senado.
Com isso, espera-se que a tramitação da reforma da Previdência seja concluída no Congresso ao longo deste terceiro trimestre, sem diluições adicionais em relação à versão atual. Entre os investidores, a expectativa é de que o texto aprovado traga uma economia ao redor de R$ 900 bilhões nos próximos dez anos.
No front puramente macroeconômico, os destaques da semana ficam com a ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), amanhã, e a inflação de julho medida pelo IPCA, na quinta-feira. Também merecem atenção o dados de atividade em junho sobre o varejo e o setor de serviços. (Veja detalhes mais abaixo).
E os mercados?
Encaminhada tal questão sobre as novas regras para aposentadoria, a reforma tributária deve entrar no radar dos parlamentares, que devem continuar querendo ser os protagonistas da agenda econômica. Independente de quem assumir a “paternidade”, o avanço das reformas tende a abrir espaço adicional para valorização dos ativos locais.
Leia Também
Nesse caso, o Ibovespa pode continuar buscando novas máximas, enquanto os juros renovam pisos históricos. Ainda assim, chama atenção o fato de os investidores estrangeiros terem retirado cerca de R$ 6,5 bilhões em recursos da Bolsa apenas em julho, no maior saldo negativo mensal do ano, atrás apenas do recorde apurado em maio de 2018.
No ano, os “gringos” já sacaram R$ 10 bilhões da renda variável local. Tal movimento explica, em parte, o porquê o dólar não consegue se firmar abaixo da marca de R$ 3,80 e também o porquê a qualquer sinal maior de estresse no exterior, a moeda norte-americana se aproxima da faixa de R$ 3,90.
Resta saber quanto mais o Ibovespa consegue avançar na faixa dos 100 mil pontos, em meio à ausência dos “gringos” na ponta compradora, bem como o quanto a posição defensiva (hedge) em dólar pode atrapalhar a queda da moeda norte-americana para níveis mais próximos a R$ 3,70 - ou menos. Ainda mais na “nova era” de juros baixos no país...
Fed sob pressão
Se as coisas por aqui parecem bem “azeitadas”, o mesmo não se pode dizer em relação ao cenário internacional. Depois que o Federal Reserve decepcionou até mesmo o presidente Donald Trump, ao sinalizar que o corte de 0,25 ponto foi uma correção de rota, os investidores torcem para que o Fed esteja errado e inicie um longo ciclo de baixa.
Trump de uma “ajudazinha”, ao anunciar a implantação de tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões em produtos chineses importados aos Estados Unidos, dizendo que podem subir até 25%, e com vigência a partir de 1º de setembro. A China já disse que irá retaliar. Apesar de não ter detalhado as medidas a serem tomadas, não há chance de Pequim recuar.
A próxima rodada de negociação entre as duas maiores economias do mundo deve acontecer em setembro. Apesar de dizer que as coisas estão indo “bem” com a China, Trump estragou as expectativas mais otimistas quanto a um acordo após a nova tarifação. Aliás, essas idas e vindas sobre a guerra comercial têm sido citadas pelos bancos centrais.
Enquanto o líder norte-americano parece brincar com o mundo, sob a retórica protecionista, a atividade econômica global continua mostrando que os desafios ao crescimento seguem elevados. Por isso, os mercados financeiros devem passar a semana tentando avaliar a postura dos bancos centrais, diante das incertezas vivenciadas no cenário global.
E se o Fed ainda não sabe o que está fazendo, não é difícil adivinhar o que a autoridade monetária terá de fazer, agora que Trump reativou a guerra comercial. A escalada da disputa com a China deve levar o BC dos EUA a dar apoio econômico completo à atividade doméstica dentro de pouco tempo, enquanto um acordo tende a ficar mais distante…
Aliás, a fraca agenda econômica no exterior nesta semana traz como destaque os números da balança comercial chinesa, ainda sem data definida. Dados de atividade na Europa e no EUA também ajudam a avaliar o impacto da guerra comercial, enquanto alguns dirigentes do Fed discursam.
Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:
Segunda-feira: A tradicional pesquisa Focus do Banco Central abre a semana (8h25), com as previsões atualizadas do mercado financeiro para as principais variáveis macroeconômicas do país. Destaque para as estimativas para a taxa básica de juros (Selic), após o início do processo de afrouxamento monetário na semana passada. No exterior, dados de atividade na Europa e nos EUA merecem atenção.
Terça-feira: A ata da reunião de julho do Comitê de Política Monetária (Copom) é o destaque do dia. O documento pode trazer sinais em relação ao tamanho do ciclo de cortes, que passaram a situar a Selic entre 5,25% e 4,75% até o fim do ano, após a queda de 0,50 ponto ao final do mês passado. Também merece atenção a retomada dos trabalhos legislativos, à espera da votação da reforma da Previdência em segundo turno na Câmara. Lá fora, o foco recai no discurso do presidente do Fed de Saint Louis, James Bullard.
Quarta-feira: O desempenho do comércio varejista brasileiro em junho deve ajudar a dar o tom das estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, com riscos crescentes de o país voltar à recessão técnica. Além disso, mais um dirigente do Fed discursa, o comandante da distrital de Chicago, Charles Evans.
Quinta-feira: O cenário benigno da inflação favorece um ajuste adicional no juro básico e o resultado de julho do índice oficial de oficial de preços ao consumidor (IPCA) deve mostrar números ainda confortáveis, sem maiores pressões. A China também informa os números dos preços ao consumidor (CPI) no mês passado. No mesmo dia, saem a leitura atualizada da safra agrícola brasileira e o resultado de julho do IGP-DI.
Sexta-feira: Ao lado das vendas no varejo, o resultado do setor de serviços em junho é relevante para medir o desempenho da economia brasileira ao final do semestre passado. Nos EUA, sai o índice de preços ao produtor (PPI) em julho. Sem data confirmada, é esperada a divulgação dos números da balança comercial chinesa em julho, mostrando o impacto da guerra de tarifas no país.
RECOMENDAÇÃO DE COMPRA
Cyrela (CYRE3), Porto (PSSA3) e RD Saúde (RADL3): o que elas têm em comum e como podem saltar até 55%?
15 de setembro de 2026 - 16:40EM BUSCA DA ESTABILIDADE
Da Petrobras (PETR4) ao BTG (BPAC11) e Embraer (EMBJ3): as ações que o Citi escolheu para enfrentar a montanha-russa das eleições
15 de setembro de 2026 - 11:17INVESTIMENTO ESG
Energia limpa na Bolsa: novo ETF da Galapagos amplia aposta em empresas brasileiras e tem apoio do BNDES
14 de setembro de 2026 - 19:47PARA ONDE VAI A BOLSA
BofA está otimista e tem nova projeção para a Selic; banco já elegeu suas ações preferidas para investir em cenário mais positivo para juros
14 de setembro de 2026 - 19:07DÍVIDA NA CARTEIRA
FIIs de tijolo estão de olho na alavancagem e reduzem endividamento — mas um segmento vai na contramão; entenda o motivo
14 de setembro de 2026 - 17:10MERCADOS HOJE
Sangria na bolsa: Ibovespa perde mais de 3 mil pontos e dólar sobe; juro do Treasury passa de 5%
14 de setembro de 2026 - 12:32MEXENDO NA CARTEIRA
TRXF11 vai às compras de novo, e mercado torce o nariz: cotas caem após FII desembolsar R$ 340 milhões por ativos corporativos
14 de setembro de 2026 - 11:06BOLSA EM DÓLARES
Ibovespa mais acessível para o gringo? Novidade na B3 a partir de hoje pode ajudar o índice
14 de setembro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Trade eleitoral: como os tubarões do mercado estão se posicionando para ganhar com as eleições — e limitar o prejuízo se a aposta der errado
14 de setembro de 2026 - 6:12SOBE E DESCE DAS AÇÕES
Alívio nos juros favorece Assaí (ASAI3), enquanto Direcional (DIRR3) amarga a pior queda do Ibovespa. O que aconteceu?
13 de setembro de 2026 - 13:06GIGANTE DA BOLSA
Petrobras (PETR4) está mais forte nessas eleições e pode saltar 32%, diz BTG – mas 4 gatilhos podem levar a ação além
11 de setembro de 2026 - 12:46IBOV MAIS COMPLETO
BDRs de Nubank, XP, Inter e JBS podem ganhar espaço no Ibovespa; entenda por que isso importa
10 de setembro de 2026 - 15:01MAIS INTERNACIONAL
B3 muda regra do Ibovespa e BDRs de brasileiras poderão entrar no índice já a partir da próxima edição
9 de setembro de 2026 - 17:02IÇANDO AS VELAS
Por que o Bank of America voltou a recomendar a compra de ações brasileiras na contramão de JP Morgan e Morgan Stanley
8 de setembro de 2026 - 14:06MERCADOS
O combo que fez o Ibovespa saltar mais de 4.000 pontos em 50 minutos na volta do feriado
8 de setembro de 2026 - 13:12NOVA ESCALAÇÃO
Tenda (TEND3) ganha vaga no Ibovespa — mas duas ações ficaram pelo caminho; veja a nova carteira do índice
8 de setembro de 2026 - 12:46MERCADOS HOJE
Petróleo fecha em alta e se aproxima de US$ 100, e China aumenta reservas cambiais e em ouro; veja o dia nos mercados globais
7 de setembro de 2026 - 17:47TROCA-TROCA
Dividendos para setembro: Itaú (ITUB4) e Vale (VALE3) saem da carteira da Rico; veja quem entrou
7 de setembro de 2026 - 16:10SETOR DE CONSTRUÇÃO
Não é MRV (MRVE3) nem Direcional (DIRR3): Itaú BBA acredita que outra ação pode valorizar até 107%
7 de setembro de 2026 - 12:17RENDA PASSIVA