Não é MRV (MRVE3) nem Direcional (DIRR3): Itaú BBA acredita que outra ação pode valorizar até 107%
Ação recomendada pelo Itaú BBA acumula queda de mais de 44% em 2026, mas analistas veem espaço para recuperação da companhia

O setor de construção para habitação se tornou mais competitivo. O crescimento do programa Minha Casa Minha Vida atraiu novos concorrentes, aumentou a oferta de imóveis e tornou a disputa por compradores muito mais intensa, especialmente na cidade de São Paulo.
Nesse cenário, algumas companhias do setor têm visto as vendas perderem ritmo, as margens encolherem e a geração de caixa ficar abaixo do esperado.
Mas, para o Itaú BBA, uma dessas empresas está em um processo de recuperação que o mercado ainda não percebeu: a Plano&Plano (PLPL3).
Desde o início deste ano, a ação despenca 44,64%. Porém, na visão dos analistas, uma melhora nos resultados da companhia "pode provar que a ação está barata demais".
O preço-alvo estabelecido para o papel é de R$ 15. Em relação ao último fechamento (4), o potencial de valorização chega a 107%.
Ou seja, a ação da Plano&Plano pode mais do que dobrar de valor.
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No entanto, a empresa tem que fazer o dever de casa...
Concorrência aumentou e vendas perderam força
Um dos principais fatores que penalizaram a Plano&Plano foi o crescimento da competição pelo mercado do Minha Casa Minha Vida (MCMV) em São Paulo.
Entre 2020 e 2023, os lançamentos anuais do programa MCMV ficaram em torno de 30 mil unidades. Já nos últimos 12 meses, esse número saltou para cerca de 90 mil unidades.
O aumento dos lançamentos foi impulsionado pela entrada de novos participantes no segmento, incluindo incorporadoras tradicionalmente focadas na média renda.
Com mais opções disponíveis para os compradores, o cenário para vendas ficou mais desafiador, inclusive para a Plano&Plano.
Depois de lançar cerca de R$ 2,8 bilhões em empreendimentos no segundo semestre de 2025, a companhia viu as vendas avançarem em um ritmo abaixo do esperado, como reflexo da concorrência mais forte.
"Ao mesmo tempo, os projetos mais antigos passaram a enfrentar mais dificuldades de comercialização por exigirem entradas maiores dos compradores, enquanto as iniciativas da companhia para acelerar as vendas não tiveram o impacto desejado", afirmam os analistas do Itaú BBA.
Ajudou de um lado, piorou de outro
Diante do cenário de vendas mais difícil, a Plano&Plano passou a priorizar a redução de estoques e adotou uma política maior de descontos para acelerar as vendas.
A estratégia ajudou a movimentar os empreendimentos, mas gerou outro problema: afetou a rentabilidade da empresa. A iniciativa pressionou as margens, principalmente em um cenário de aumento dos custos de construção em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã.
Além disso, a companhia também tem enfrentado uma geração de caixa mais fraca do que a projetada, em um mix de fatores que levou os investidores ficarem mais pessimistas sobre o papel.
Por que o Itaú BBA continua otimista
Apesar dos tropeços recentes, o banco acredita que boa parte dos problemas é temporária e um dos principais gatilhos para a alta da ação é a recuperação das margens da construtora.
A expectativa é que os empreendimentos mais novos apresentem margens superiores às dos projetos antigos e sustentem uma recuperação gradual da rentabilidade nos próximos anos.
Segundo o Itaú BBA, a empresa também vem revisando os projetos e ajustando a estratégia comercial para melhorar a velocidade das vendas.
Outro ponto citado pelos analistas é a expansão para Goiânia, em Goiás, um mercado visto como menos competitivo do que São Paulo.
De acordo com os analistas, essas iniciativas devem contribuir para uma recuperação progressiva das margens, que podem voltar a se aproximar de 35% conforme os novos lançamentos ganhem participação nos resultados.
Além disso, o banco avalia que a ação está sendo negociada a preços muito baixos para uma companhia que continua apresentando perspectivas de crescimento. Por isso, mantém a recomendação de compra para o papel PLPL3 e vê espaço para uma valorização expressiva caso a recuperação operacional esperada se confirme nos próximos trimestres.
Morgan Stanley tem visão contrária
Enquanto o Itaú BBA vê espaço para uma alta dos papéis da Plano&Plano, o banco gringo Morgan Stanley vai na contramão.
Na última semana, o Morgan Stanley rebaixou a recomendação da Plano&Plano (PLPL3) de compra para venda e cortou o preço-alvo da ação de R$ 17 para R$ 7,50, uma redução de aproximadamente 56%.
A mudança faz parte de uma revisão da cobertura do setor imobiliário brasileiro, na qual o banco adotou uma postura mais cautelosa diante das incertezas eleitorais e fiscais, dos juros elevados e do risco de desaceleração da economia em 2027.
Antes, o Morgan Stanley tinha uma visão favorável para a Plano&Plano graças ao forte crescimento da receita, sustentado pela atuação da companhia no segmento de baixa renda em São Paulo e pelo programa habitacional Pode Entrar.
No entanto, a maior parte das receitas relacionadas ao programa já foi reconhecida.
Ao mesmo tempo, os analistas identificam sinais de enfraquecimento da demanda por imóveis de baixa renda em São Paulo e um ambiente mais competitivo.
Apesar da mudança, o Morgan Stanley ressalta que não está pessimista com todo o mercado habitacional de baixa renda.
“Nossa recomendação para Plano&Plano é principalmente uma avaliação relativa. Com os riscos para os lucros ainda inclinados para baixo, vemos oportunidades com melhor retorno ajustado ao risco em outros segmentos do setor imobiliário”, afirma.
*Com informações de Money Times
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