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CRÉDITO MAIS CARO

Mesmo com expectativa de queda, Selic em 15% ainda é elevada; veja como o juro alto impacta pequenas e médias empresas

A taxa básica de juros é o parâmetro que bancos comerciais usam para oferecer crédito aos empreendedores

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A Selic é o parâmetro que bancos comerciais usam para oferecer crédito aos empreendedoresImagem: iStock.com/Rmcarvalho

Na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2026, encerrada na quarta-feira (28), o Banco Central decidiu manter a Selic em 15% ao ano.

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A decisão reforça um cenário ainda restritivo para a economia brasileira e mantém desafios importantes para pequenas e médias empresas, especialmente no acesso ao crédito, na demanda e na gestão do caixa.

Segundo o Boletim Focus divulgado na última segunda-feira (26), a expectativa é que a taxa básica de juros termine o ano em 12,25%.

A queda pode trazer um alívio ao bolso dos empreendedores, mas o indicador permanece em um patamar elevado — o que faz com que os empresários continuem operando em um ambiente de cautela.

Como a Selic afeta o empreendedor?

Segundo Renan Pieri, professor de economia da FGV EAESP, a taxa básica de juros impacta o empreendedor em diferentes canais. O primeiro é o acesso a empréstimos — a Selic é o parâmetro que bancos comerciais usam para oferecer crédito.

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“Quando a taxa sobe, fica mais caro tomar dinheiro no banco para realizar investimentos no negócio ou manter o fluxo de caixa”, afirma.

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Diante desse encarecimento, muitos empresários acabam adiando ou até desistindo de novos projetos.

O indicador também afeta dívidas já existentes. Empreendedores com contratos atrelados a juros variáveis passam a pagar parcelas mais altas, o que pressiona o caixa das empresas.

André Sacconato, economista da FecomercioSP, explica que a demanda também é impactada.

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“Juros elevados reduzem o consumo, especialmente de bens duráveis, que costumam ser adquiridos a prazo. Com parcelas mais caras, os consumidores restringem gastos, o que afeta o faturamento de empresas de diferentes setores, do varejo de eletrônicos aos serviços”, afirma.

Quando a Selic recua, o processo se inverte. O crédito fica mais acessível, o consumo aumenta e a maior demanda estimula novos investimentos.

O que pode influenciar a Selic em 2026?

Sacconato afirma que há fatores que atuam tanto a favor quanto contra a queda dos juros. Entre os elementos positivos, estão a melhora do IPCA (o índice de inflação oficial) e o aumento do fluxo de dólares para o Brasil, que fortalece o real e gera efeito deflacionário.

Por outro lado, a trajetória crescente da dívida pública, a perda de credibilidade das âncoras fiscais, a inflação de serviços ainda elevada e o cenário internacional incerto seguem como fontes de risco.

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A expectativa é de um recuo gradual da Selic ao longo do ano, mas sem efeitos imediatos sobre a economia real.

Isso porque o intervalo entre uma redução da Selic e seu impacto efetivo sobre empresas e consumidores costuma variar de seis a nove meses.

Assim, mesmo que o ciclo de queda dos juros se inicie em 2026, os efeitos mais concretos tendem a ser sentidos apenas entre o fim do ano ou o início de 2027.

Como o empreendedor pode se ajustar?

Em um cenário de juros elevados, a tomada de crédito exige cautela. Pieri recomenda que o empreendedor pesquise diferentes modalidades, já que há grande variação nas taxas, especialmente de acordo com as garantias oferecidas.

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Empresas com ativos para dar em garantia ou com bom relacionamento bancário costumam conseguir condições melhores.

Sacconato reforça que pequenas e médias empresas, em geral, enfrentam mais dificuldades nos grandes bancos e devem considerar alternativas.

O economista sugere que, antes de buscar crédito em bancos tradicionais, o empreendedor procure por programas governamentais, linhas especiais e orientação de entidades como Sebrae, federações e confederações empresariais.

Fintechs, crédito consignado e operações com garantias reais também podem resultar em juros menores, mas é recomendado avaliar a instituição financeira previamente.

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Além da busca por crédito, ambos os economistas destacam a importância de reduzir a dependência de financiamento externo. O empreendedor deve focar em aumentar o capital próprio, principalmente por meio do reinvestimento dos lucros.

Manter reservas de caixa também é visto como essencial, já que a economia é cíclica e alterna períodos de crescimento e retração.

“Essas reservas devem estar aplicadas em ativos de baixo risco e alta liquidez, permitindo que a empresa atravesse momentos adversos sem recorrer ao crédito”, explica Pieri.

Dentro da operação, aumentar o faturamento e a produtividade são estratégias fundamentais para conseguir fazer uma reserva financeira, diz Sacconato.

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“Para pequenos negócios, isso envolve conhecer melhor o cliente, investir em atendimento e estimular a fidelização. Em muitos casos, ações simples que ajudem na divulgação boca a boca já sustentam o crescimento do negócio mesmo em um ambiente de juros elevados.”

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