Após testar modelo em academias e hotéis, Buddha Spa lança franquia enxuta para cidades menores
Novo formato ocupa 40 metros quadrados, exige investimento a partir de R$ 400 mil e faz parte do plano de abrir 30 unidades em um ano

A partir de uma demanda de empreendedores interessados em abrir unidades em cidades menores, o Buddha Spa desenvolveu um novo modelo de franquia, mais compacto e com investimento reduzido.
Batizado de Buddha Spa Boutique, o formato foi criado para atender cidades com mais de 150 mil habitantes. A operação ocupa 40 metros quadrados e exige investimento inicial cerca de 40% menor do que o necessário para uma unidade tradicional.
Buddha Spa fez testes em espaços menores
O modelo pode ser instalado em shopping centers, galerias, academias, hotéis — no formato store in store — e também em lojas de rua.
Segundo a rede, o novo formato é resultado de testes realizados nos últimos dois anos em academias de São Paulo e em hotéis. A experiência levou a empresa a concluir que seria possível adaptar a operação para mercados menores, onde o modelo convencional não se mostrava viável.
A operação do Buddha Spa Boutique prevê até quatro salas de atendimento, cada uma equipada com uma maca, e um portfólio com mais de 20 opções de massagens. Ficam de fora apenas os serviços de Day Spa, Mini Day Spa e banhos de imersão, que exigem uma estrutura maior.
O investimento inicial é de R$ 400 mil, e a expectativa da empresa é que cada unidade alcance faturamento médio mensal de R$ 70 mil, com rentabilidade estimada entre 15% e 25%.
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Os royalties correspondem a 6% sobre o faturamento, enquanto a taxa de publicidade é de 2%. Já o prazo estimado para retorno do investimento varia entre 24 e 36 meses, com necessidade de capital de giro entre R$ 30 mil e R$ 65 mil.

"Esperamos inaugurar 30 unidades Boutique no período de um ano e ampliar nossa presença em cidades do interior de todo o país", diz Patrícia Siebra, diretora de Expansão da marca.
Atualmente, o Buddha Spa conta com 156 unidades em operação no Brasil.
Da carreira no mercado financeiro ao empreendedorismo
A história do Buddha Spa começou em 2001 e nasceu da decisão de Gustavo Albanesi, hoje com 45 anos, de trocar a carreira no mercado financeiro pelo empreendedorismo. Na época, ele atuava assessorando clientes em operações de fusões e aquisições e emissões de ações na bolsa de valores, mas queria estar do outro lado da mesa.
"Eu gostava de ver as coisas acontecerem e queria gerir algo que gerasse impacto nas pessoas, tanto nas que trabalham quanto nas que consomem", afirma. "Eu tinha a vontade de fazer um negócio pelo qual sentisse paixão, mas só depois de já estar com o Buddha Spa é que entendi que meu propósito pessoal estava alinhado com aquilo. O propósito, do jeito que eu entendo, é algo transformativo, precisamos de um processo de autoanálise para descobri-lo."
Formado em Direito pela USP e com pós-graduação em Finanças pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, Albanesi construiu a carreira em bancos de investimento, com passagens por São Francisco e pelo Brasil. Apesar do desejo de empreender, a oportunidade surgiu por iniciativa do pai Jaime, que identificou potencial no mercado de bem-estar.
Após pesquisar o setor, pai e filho decidiram abrir juntos a primeira unidade da empresa, em 2001, no bairro de Higienópolis, na zona oeste de São Paulo.
Nos primeiros anos, o empreendedor conciliou o negócio com o trabalho no mercado financeiro.
"Financeiramente falando, naquela época não fazia sentido algum eu deixar meu emprego", diz. A dedicação exclusiva ao Buddha Spa veio apenas em 2008. "Eu ainda ganhava muito mais no emprego, mas via oportunidade de montar um negócio que cresceria a longo prazo."
A expansão por meio de franquias começou em 2010 e ganhou ritmo mais acelerado a partir de 2014, quando o modelo de negócios já estava consolidado. Hoje, a rede soma mais de 150 unidades distribuídas por todas as regiões do país. O investimento inicial para uma franquia tradicional parte de R$ 700 mil.
Expansão da Buddha Spa inclui aquisições
O lançamento do modelo Boutique faz parte da estratégia de expansão do Buddha Spa. Além de desenvolver um novo formato de franquia, a empresa realizou duas aquisições no ano passado.
A primeira foi a Pomander, empresa do segmento de florais, aromaterapia e cosméticos naturais, adquirida por R$ 4,8 milhões. A segunda foi a rede paulistana Espaço Prana, comprada por R$ 7,5 milhões.
De acordo com a empresa, as aquisições têm como objetivo ampliar sua atuação no mercado de bem-estar e alcançar novos públicos.
Para Siebra, a diversificação deve ocorrer sem comprometer o negócio principal.
"À medida que um negócio amadurece, é natural que novos horizontes apareçam. A expansão pode, e muitas vezes deve acontecer. Porém, não de forma desordenada. Para diversificar, é importante que o negócio principal esteja consolidado. Expandir não pode significar perder o foco. Ao contrário, deve aprofundar o propósito da marca, ampliar seu impacto e fortalecer seu posicionamento."
Segundo a executiva, quando a operação principal está consolidada, a expansão deixa de representar um risco e passa a ser uma evolução natural da empresa.
Desde a fundação, o Buddha Spa informa ter realizado mais de 2 milhões de massagens. Atualmente, são mais de mil tratamentos realizados diariamente, com um portfólio de mais de 30 terapias voltadas para homens e mulheres. Segundo a empresa, 32% da clientela é formada por homens.
Para manter o padrão de atendimento, os terapeutas passam por treinamentos realizados no Buddha Spa College e no Spa Escola.
"Esse cuidado é importantíssimo, visto que a essência do Buddha Spa é valorizar o 'sentir-se bem' dos clientes e o despertar dos cinco sentidos", afirma Gustavo.
Além dos tratamentos, a empresa aposta em uma estrutura voltada para o bem-estar, com elementos como sons, aromas e chás para complementar a experiência oferecida aos clientes.
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